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Quando a educação vira apenas negócio, alguém perde

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Por Márcia Amorim Pedr’Angelo

Nos últimos anos, a educação passou a ocupar um lugar curioso no mercado. Fala-se sobre crescimento, expansão, competitividade, experiência do cliente, retenção e posicionamento de marca. Todos esses conceitos fazem parte da gestão de uma escola e não há problema algum nisso. O problema começa quando eles passam a ocupar um espaço maior do que a própria razão de existir de uma instituição de ensino. Escola não vende apenas um serviço. Forma pessoas.

Pode parecer uma diferença sutil, mas ela muda completamente a lógica de quem decide empreender na educação. Em poucos segmentos, uma decisão administrativa tem impacto tão profundo na vida de outras pessoas. Escolher um currículo, uma metodologia ou um material didático significa, na prática, decidir quais competências, valores e formas de pensar serão desenvolvidos em centenas de crianças e adolescentes.

É justamente por isso que inovar na educação costuma ser muito mais difícil do que simplesmente acompanhar tendências. A inteligência artificial é um bom exemplo. Por aqui, ela chegou às salas de aula antes mesmo que muitas escolas decidissem como lidar com ela. Ignorá-la seria um erro. Abraçá-la sem critério, também.

A pesquisa apresentada na Bett Brasil 2026, maior evento de educação da América Latina, mostra que 86% dos professores perceberam maior participação dos estudantes quando atividades com inteligência artificial passaram a integrar a rotina escolar. Outros 91% afirmam que a tecnologia otimiza o tempo pedagógico, enquanto 72% dos gestores reconhecem que esse tema já influencia a escolha das famílias por uma escola.

Os números são relevantes, mas eles não respondem à pergunta mais importante: para quê usar inteligência artificial na educação? Foi essa pergunta que norteou uma das decisões mais desafiadoras que tomamos recentemente: desenvolver um material didático próprio. Não porque o mercado exigia uma novidade, mas porque entendemos que não fazia sentido continuar formando estudantes para um mundo que já não existe.

Criar um material autoral significa abrir mão do conforto das soluções prontas. Significa assumir a responsabilidade por cada habilidade que se deseja desenvolver.

No nosso caso, isso também significou incorporar a inteligência artificial de maneira intencional. Em vez de tratar a IA como um mecanismo para entregar respostas, optamos por ensinar os estudantes a formular perguntas melhores.

Os prompts presentes no material não substituem o raciocínio; eles provocam investigação, ampliam repertório e conectam tecnologia ao conhecimento produzido em sala de aula. Essa talvez seja a maior diferença entre seguir uma tendência e cumprir uma missão.

Empreender na educação exige responsabilidade financeira, mas exige, sobretudo, coragem pedagógica. Coragem para fazer escolhas que nem sempre são as mais simples, as mais rápidas ou as mais rentáveis. Coragem para investir em projetos cujos resultados não aparecem no próximo trimestre, mas na formação de cidadãos capazes de pensar criticamente, tomar decisões e compreender o mundo em que vivem.

No fim das contas, escolas também precisam de resultados. Mas há um indicador que continua sendo insubstituível: o impacto que elas deixam na vida de seus alunos. Quando essa missão permanece no centro das decisões, o negócio cresce. Quando ela sai do foco, sobra apenas um empreendimento como qualquer outro.

*Márcia Amorim Pedr’Angelo é psicopedagoga, fundadora das escolas Toque de Mãe e Colégio Unicus, e coordenadora da Unesco para a Educação em Mato Grosso e Mato Grosso do Sul

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Anúncios no ChatGPT: uma nova fronteira para o marketing digital

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*Rômulo Rampini

Em fase beta, a plataforma utiliza o contexto das conversas para aproximar marcas de consumidores em momentos de pesquisa e decisão

A publicidade digital acaba de ganhar uma nova frente. O ChatGPT Ads começou a ser disponibilizado no Brasil em 11 de agosto de 2026, ainda em fase beta, permitindo que empresas exibam anúncios dentro de uma das plataformas de inteligência artificial mais utilizadas do mundo.

Aqui na agência, já iniciamos os primeiros testes. Entrar neste momento tem um objetivo claro: entender como a plataforma distribui os anúncios, avaliar a qualidade das oportunidades e construir experiência prática antes que esse novo espaço se torne mais concorrido.

O principal diferencial está na forma como a publicidade é selecionada. No Google, boa parte da estratégia começa pelas palavras-chave. Na Meta, trabalhamos com interesses, comportamentos e públicos. No ChatGPT, a proposta parte principalmente do contexto e da intenção identificada durante uma conversa.

O anunciante informa temas e situações em que seu produto ou serviço pode ser relevante. A plataforma chama essas informações de “dicas de contexto”. Elas não funcionam como palavras-chave exatas e também não garantem que o anúncio aparecerá sempre que determinado assunto for mencionado.

O sistema analisa a conversa, a mensagem do anúncio e a página de destino para entender se existe compatibilidade entre o problema apresentado pelo usuário e a solução oferecida pela empresa.

Essa mudança é importante porque a marca pode aparecer enquanto o consumidor ainda está pesquisando, comparando alternativas, organizando uma necessidade ou se preparando para tomar uma decisão. É uma publicidade baseada menos em quem a pessoa é e mais naquilo que ela está tentando resolver.

O ChatGPT Ads oferece campanhas cobradas por impressões ou cliques. Nas campanhas de cliques, a recomendação inicial de lance fica entre US$ 3 e US$ 5, com investimento mínimo diário informado de US$ 25 por campanha. A entrega acontece por meio de um leilão que considera não apenas o valor investido, mas também a qualidade e a relevância do anúncio. Portanto, oferecer o maior lance não garante sozinho a exibição. Uma mensagem mais coerente com a conversa pode competir melhor do que uma publicidade genérica com orçamento superior.

A plataforma permite acompanhar impressões, cliques, investimento e conversões. Também oferece recursos para mensurar cadastros, compras, solicitações de contato e outras ações realizadas depois que a pessoa acessa a página do anunciante.Os anúncios aparecem separados das respostas orgânicas e identificados como conteúdo patrocinado. Segundo a OpenAI, eles não interferem na elaboração das respostas. Os anunciantes também não recebem acesso às conversas, memórias, históricos ou dados pessoais dos usuários.

A maior oportunidade está no momento em que a publicidade pode aparecer. Muitas pessoas já utilizam o ChatGPT para entender problemas, pesquisar serviços, comparar produtos e pedir recomendações antes de uma compra.

Isso cria um novo ponto de contato entre a descoberta e a busca tradicional. A empresa pode entrar na jornada enquanto o consumidor ainda está formando seus critérios e avaliando qual caminho seguir.Mas é importante manter os pés no chão. Ainda é cedo para considerar o ChatGPT Ads um substituto do Google ou da Meta.

A plataforma está em desenvolvimento, possui audiência publicitária limitada e ainda precisa comprovar sua capacidade de gerar resultados consistentes em diferentes segmentos.

Os anúncios não são exibidos em todos os planos. Existem também restrições envolvendo menores de 18 anos, política, saúde e outros temas sensíveis. Formatos, regras e possibilidades de segmentação ainda podem mudar durante a fase beta.Por isso, transferir imediatamente uma parcela elevada do orçamento de canais consolidados seria precipitado. O caminho mais seguro é reservar uma verba de teste, preparar uma página de destino adequada, configurar a mensuração e comparar a qualidade dos resultados.

O ChatGPT Ads não representa apenas o surgimento de mais uma plataforma.

Ele inaugura uma lógica de publicidade baseada na compreensão do problema apresentado pelo consumidor durante uma conversa.

Isso exigirá novas competências das agências e dos profissionais de marketing. Não bastará selecionar públicos ou comprar palavras-chave. Será necessário compreender quais dúvidas antecedem uma compra, quais conversas revelam intenção comercial e em quais momentos uma marca realmente pode agregar valor.

Aqui na agência, já começamos esse trabalho na prática. Estamos testando contextos, mensagens, páginas de destino e formas de mensuração para entender como transformar conversas em oportunidades comerciais. Estar presente desde o início nos permite construir experiência real, antecipar mudanças e manter nossos clientes na ponta da inovação.Ainda é cedo para afirmar qual será o tamanho do ChatGPT Ads no mercado. Também seria irresponsável recomendar que as empresas abandonem Google e Meta para apostar todas as fichas em uma plataforma que ainda está em fase beta.

Mas existe uma diferença entre agir com cautela e chegar atrasado. Aqui na agência, escolhemos começar agora, com testes controlados, investimento responsável e atenção aos resultados. No marketing digital, quem espera uma mudança se consolidar para somente depois aprender normalmente entra quando a concorrência já entendeu o caminho.

A inteligência artificial deixou de ser apenas uma ferramenta de produção, pesquisa e atendimento. Com os anúncios no ChatGPT, ela também começou a se transformar em mídia.

Rômulo Rampini é estrategista de marketing, consultor credenciado pelo SEBRAE MT e diretor da agência 3TRÊS

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