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O recomeço não tem idade

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Existe uma beleza silenciosa nos recomeços. Durante muito tempo, fomos levados a acreditar que a vida seguia um roteiro quase imutável: estudar, trabalhar, construir uma família, aposentar-se e, aos poucos, desacelerar. Mas a vida real raramente respeita roteiros. Ela nos convida a mudar, reinventar, descobrir novos talentos e encontrar novos propósitos, mesmo quando muitos acreditam que o tempo das grandes mudanças já passou.

A maturidade tem mostrado exatamente isso. Recomeçar não significa apagar a própria história. Pelo contrário. É justamente a história que nos dá coragem para começar outra vez. Cada desafio enfrentado, cada conquista alcançada, cada perda superada e cada sonho adiado tornam-se matéria-prima para construir uma nova versão de nós mesmos. Talvez por isso tantas mulheres estejam vivendo uma verdadeira revolução depois dos 50 e dos 60 anos. Em vez de enxergar essa fase como encerramento de ciclos, elas a transformam em um tempo de liberdade. Escrevem livros. Pintam telas. Viajam sozinhas. Aprendem novos idiomas.Criam empresas. Descobrem a arte. Iniciam projetos sociais. Voltam a estudar.E, principalmente, passam a fazer escolhas menos baseadas nas expectativas dos outros e mais conectadas aos próprios desejos. Não se trata apenas de uma percepção. Os números confirmam essa transformação.

Dados do Sebrae mostram que o Brasil já reúne mais de 4,3 milhões de empreendedores com 60 anos ou mais, um crescimento superior a 50% em pouco mais de uma década. Entre eles, cresce de forma significativa a presença feminina, mostrando que experiência, conhecimento e sensibilidade também são ativos importantes para inovar, gerar renda e criar negócios com propósito. É um movimento que acompanha uma sociedade que vive mais e, felizmente, começa a compreender que longevidade não precisa ser sinônimo de limitações.  Penso muito nisso quando conheço histórias de mulheres que decidiram recomeçar. Elas não ignoram as marcas do tempo. Ao contrário.
Transformam essas marcas em força.

Descobrem que a maturidade oferece algo que a juventude muitas vezes ainda procura: clareza. Clareza para dizer “não”.
Para mudar de direção. Para abandonar o que já não faz sentido. E para investir tempo naquilo que realmente alimenta a alma. Histórias como a dela nos lembram que envelhecer não significa diminuir possibilidades. Significa ampliar perspectivas.Existe uma liberdade muito especial que chega com a maturidade.Ela nos faz compreender que não precisamos mais provar nosso valor o tempo inteiro. As comparações perdem importância. As cobranças ficam menores.

A ansiedade de corresponder às expectativas dos outros dá lugar à tranquilidade de viver de acordo com aquilo que faz sentido para nós.
É nesse momento que muitos sonhos, antes colocados na gaveta, finalmente encontram espaço para acontecer.
Talvez o maior privilégio da maturidade seja justamente esse: perceber que ainda há tempo. Tempo para aprender. Para criar. Para amar. Para empreender. Para cuidar de si. Para começar de novo.

Enquanto houver curiosidade para descobrir, disposição para aprender e coragem para dar o primeiro passo, sempre existirá um novo capítulo esperando para ser escrito. Porque florescer nunca depende da idade.Depende apenas da decisão de acreditar que ainda existe muito por viver.

Por: Isolda Risso, terapeuta criativa, palestrante e empreendedora

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Anúncios no ChatGPT: uma nova fronteira para o marketing digital

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*Rômulo Rampini

Em fase beta, a plataforma utiliza o contexto das conversas para aproximar marcas de consumidores em momentos de pesquisa e decisão

A publicidade digital acaba de ganhar uma nova frente. O ChatGPT Ads começou a ser disponibilizado no Brasil em 11 de agosto de 2026, ainda em fase beta, permitindo que empresas exibam anúncios dentro de uma das plataformas de inteligência artificial mais utilizadas do mundo.

Aqui na agência, já iniciamos os primeiros testes. Entrar neste momento tem um objetivo claro: entender como a plataforma distribui os anúncios, avaliar a qualidade das oportunidades e construir experiência prática antes que esse novo espaço se torne mais concorrido.

O principal diferencial está na forma como a publicidade é selecionada. No Google, boa parte da estratégia começa pelas palavras-chave. Na Meta, trabalhamos com interesses, comportamentos e públicos. No ChatGPT, a proposta parte principalmente do contexto e da intenção identificada durante uma conversa.

O anunciante informa temas e situações em que seu produto ou serviço pode ser relevante. A plataforma chama essas informações de “dicas de contexto”. Elas não funcionam como palavras-chave exatas e também não garantem que o anúncio aparecerá sempre que determinado assunto for mencionado.

O sistema analisa a conversa, a mensagem do anúncio e a página de destino para entender se existe compatibilidade entre o problema apresentado pelo usuário e a solução oferecida pela empresa.

Essa mudança é importante porque a marca pode aparecer enquanto o consumidor ainda está pesquisando, comparando alternativas, organizando uma necessidade ou se preparando para tomar uma decisão. É uma publicidade baseada menos em quem a pessoa é e mais naquilo que ela está tentando resolver.

O ChatGPT Ads oferece campanhas cobradas por impressões ou cliques. Nas campanhas de cliques, a recomendação inicial de lance fica entre US$ 3 e US$ 5, com investimento mínimo diário informado de US$ 25 por campanha. A entrega acontece por meio de um leilão que considera não apenas o valor investido, mas também a qualidade e a relevância do anúncio. Portanto, oferecer o maior lance não garante sozinho a exibição. Uma mensagem mais coerente com a conversa pode competir melhor do que uma publicidade genérica com orçamento superior.

A plataforma permite acompanhar impressões, cliques, investimento e conversões. Também oferece recursos para mensurar cadastros, compras, solicitações de contato e outras ações realizadas depois que a pessoa acessa a página do anunciante.Os anúncios aparecem separados das respostas orgânicas e identificados como conteúdo patrocinado. Segundo a OpenAI, eles não interferem na elaboração das respostas. Os anunciantes também não recebem acesso às conversas, memórias, históricos ou dados pessoais dos usuários.

A maior oportunidade está no momento em que a publicidade pode aparecer. Muitas pessoas já utilizam o ChatGPT para entender problemas, pesquisar serviços, comparar produtos e pedir recomendações antes de uma compra.

Isso cria um novo ponto de contato entre a descoberta e a busca tradicional. A empresa pode entrar na jornada enquanto o consumidor ainda está formando seus critérios e avaliando qual caminho seguir.Mas é importante manter os pés no chão. Ainda é cedo para considerar o ChatGPT Ads um substituto do Google ou da Meta.

A plataforma está em desenvolvimento, possui audiência publicitária limitada e ainda precisa comprovar sua capacidade de gerar resultados consistentes em diferentes segmentos.

Os anúncios não são exibidos em todos os planos. Existem também restrições envolvendo menores de 18 anos, política, saúde e outros temas sensíveis. Formatos, regras e possibilidades de segmentação ainda podem mudar durante a fase beta.Por isso, transferir imediatamente uma parcela elevada do orçamento de canais consolidados seria precipitado. O caminho mais seguro é reservar uma verba de teste, preparar uma página de destino adequada, configurar a mensuração e comparar a qualidade dos resultados.

O ChatGPT Ads não representa apenas o surgimento de mais uma plataforma.

Ele inaugura uma lógica de publicidade baseada na compreensão do problema apresentado pelo consumidor durante uma conversa.

Isso exigirá novas competências das agências e dos profissionais de marketing. Não bastará selecionar públicos ou comprar palavras-chave. Será necessário compreender quais dúvidas antecedem uma compra, quais conversas revelam intenção comercial e em quais momentos uma marca realmente pode agregar valor.

Aqui na agência, já começamos esse trabalho na prática. Estamos testando contextos, mensagens, páginas de destino e formas de mensuração para entender como transformar conversas em oportunidades comerciais. Estar presente desde o início nos permite construir experiência real, antecipar mudanças e manter nossos clientes na ponta da inovação.Ainda é cedo para afirmar qual será o tamanho do ChatGPT Ads no mercado. Também seria irresponsável recomendar que as empresas abandonem Google e Meta para apostar todas as fichas em uma plataforma que ainda está em fase beta.

Mas existe uma diferença entre agir com cautela e chegar atrasado. Aqui na agência, escolhemos começar agora, com testes controlados, investimento responsável e atenção aos resultados. No marketing digital, quem espera uma mudança se consolidar para somente depois aprender normalmente entra quando a concorrência já entendeu o caminho.

A inteligência artificial deixou de ser apenas uma ferramenta de produção, pesquisa e atendimento. Com os anúncios no ChatGPT, ela também começou a se transformar em mídia.

Rômulo Rampini é estrategista de marketing, consultor credenciado pelo SEBRAE MT e diretor da agência 3TRÊS

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