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O futuro do varejo passa por Cuiabá

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O varejo vive uma das maiores transformações de sua história. A inteligência artificial, o comércio eletrônico e as novas formas de consumo mudaram definitivamente a relação entre empresas e clientes. Nunca foi tão fácil comprar, mas também nunca foi tão desafiador vender.

Nesse cenário, a tecnologia deixou de ser um diferencial para se tornar uma necessidade. Mais do que adotar ferramentas digitais, o desafio é utilizá-las para melhorar a gestão, fortalecer o relacionamento com o consumidor e oferecer experiências capazes de fidelizar clientes.

É justamente com esse propósito que Cuiabá receberá, nos dias 5 e 6 de agosto, a primeira edição do CONECTA MT, uma iniciativa da CDL Cuiabá em parceria com o Sebrae Mato Grosso. Mais do que um evento, o CONECTA foi pensado com a proposta de se tornar um ambiente permanente de inovação, conhecimento e conexão entre empresários, aproximando o varejo mato-grossense das principais tendências que já transformam o comércio brasileiro.

A transformação digital não pertence apenas às grandes empresas. Hoje, pequenos e médios negócios também podem utilizar inteligência artificial, automação, análise de dados e marketing digital para aumentar sua competitividade. Mas inovação vai além da tecnologia. Significa desenvolver uma nova forma de pensar o negócio e compreender que o consumidor busca agilidade, personalização e um atendimento cada vez mais qualificado.

Nenhuma tecnologia substitui a confiança construída no relacionamento entre empresa e cliente. O futuro do varejo será resultado da união entre inovação e atendimento de excelência.

Durante o CONECTA MT, empresários terão acesso à Feira de Inovação e Negócios, com soluções em gestão, automação, crédito, logística e meios de pagamento, além da 6ª Jornada de Marketing Digital, que reunirá especialistas nacionais para discutir inteligência artificial, branding, marketing e comportamento do consumidor.

Acredito que Mato Grosso reúne todas as condições para se consolidar como referência em inovação aplicada ao comércio. Somos um estado empreendedor, em constante crescimento, e precisamos preparar nossas empresas para competir em um mercado cada vez mais digital.

Quem investe em conhecimento se adapta mais rápido às mudanças e transforma desafios em oportunidades. É esse o principal objetivo do CONECTA MT: inspirar, conectar pessoas e mostrar que o futuro do varejo já começou.

Este evento será o ponto de encontro de quem acredita que inovação e conhecimento são os caminhos para um comércio mais forte, competitivo e preparado para os próximos desafios.

*Júnior Macagnam é empresário do setor da moda há mais de 20 anos e presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas de Cuiabá (CDL Cuiabá).

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O professor brasileiro presta contas demais e decide de menos

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Há um paradoxo instalado nas escolas brasileiras. Exigimos do docente formação cada vez mais sofisticada e, simultaneamente, reduzimos sua margem de decisão. O resultado é um profissional altamente demandado, pouco autorizado e valorizado.

Os números descrevem a dimensão do problema. No Global Teacher Status Index, levantamento da Varkey Foundation conduzido em 35 países, o Brasil aparece na última posição em valorização docente. Apenas 9% dos brasileiros acreditam que os alunos respeitam seus professores.

Os indicadores posteriores não corrigem o diagnóstico. O Relatório Global sobre Professores, da Unesco, aponta que apenas 5% dos jovens brasileiros de 15 anos manifestam interesse pela docência. Entre 2009 e 2021, a proporção de professores com menos de 24 anos caiu 42%, enquanto a de profissionais acima de 50 cresceu 109%. Não estamos diante de uma crise de percepção. Estamos diante de uma crise de sucessão.

A causa costuma ser atribuída à remuneração. A remuneração é parte do problema, mas não o explica sozinho. O que corrói a profissão, silenciosamente, é a suspeita permanente.

Em mais de uma década de imersões em sistemas educacionais estrangeiros, observei o funcionamento inverso. Na Finlândia, a formação docente exige mestrado e a seleção admite cerca de um décimo dos candidatos. Não há inspeção nacional das escolas nem avaliação formal individualizada dos professores. A arquitetura do sistema parte de um pressuposto: quem foi rigorosamente formado não precisa ser vigiado.

É tentador ler isso como permissividade. É o contrário. Aquele sistema é mais exigente que o nosso, apenas desloca o rigor para a porta de entrada, em vez de distribuí-lo em controles posteriores.

Aqui, exigimos várias camadas de prestação de contas: registros, relatórios, justificativas, protocolos de comprovação. O docente passa boa parte de sua jornada demonstrando que trabalhou, em detrimento do tempo dedicado a trabalhar.

Não defendo a ausência de accountability. Dirijo instituições e sei que indicadores, metas e transparência são inegociáveis. Defendo que ela se dirija ao projeto pedagógico, e não à competência individual de quem já foi contratado justamente por possuí-la.

Existe alternativa metodológica, e ela já está em uso. Trata-se do Barômetro de Pais, instrumento de escuta sistematizado pela consultora educacional Ayla Huovi a partir de práticas finlandesas de gestão escolar.

O funcionamento é simples e a inversão que ele provoca é profunda. As perguntas dirigidas às famílias são formuladas pelos próprios professores, e não pela direção ou pela área de comunicação. As respostas são consolidadas em um conjunto reduzido de eixos direcionadores, que passam a orientar as decisões pedagógicas do período seguinte. E o resultado retorna às famílias, acompanhado do que será feito a partir dele. A sensação que a família já foi ouvida, diminui a recorrência de intromissões ao longo do período.

A diferença em relação a uma pesquisa de satisfação convencional é a natureza e o objetivo. A pesquisa de satisfação mede a percepção sobre o serviço prestado e, quase sempre, individualiza responsabilidades. O barômetro produz diagnóstico institucional. Ele não pergunta se o professor agrada; pergunta o que a escola precisa enxergar. Quando quem conhece a sala de aula define o que investigar, a escuta deixa de ser gestão de reclamações e passa a alimentar política pedagógica.

Aplicamos o método em nossas escolas e o efeito mais nítido não recaiu sobre as famílias, mas sobre a equipe. O professor que formula a pergunta assume a autoria da resposta. Ele deixa de ser objeto do levantamento e passa a ser seu condutor.

Isso reposiciona a relação com os pais. A confiança das famílias nasce de perceber que o professor detém autoridade técnica reconhecida por seus gestores. Quando a escola trata o docente como executor, a família o trata como prestador de serviço.

Reverter esse quadro é decisão de governança, não de discurso. Passa por selecionar melhor, formar continuamente, remunerar de forma compatível e sustentar publicamente as decisões pedagógicas de quem está em sala.

*Márcia Amorim Pedr’Angelo é psicopedagqoga, fundadora das escolas Toque de Mãe e Unicus, e coordenadora da Unesco para a Educação em Mato Grosso e Mato Grosso do Sul

 

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