Opinião
O futuro de Chapada depende da gente
Opinião
Por Fabio Tardin
Eu sou do interior de Mato Grosso. Nasci em Juscimeira, onde aprendi cedo que lazer não é luxo, é necessidade. Nunca tive a chance de conhecer o mar quando era criança. Mas tive a sorte de crescer perto de cachoeiras, rios e trilhas que faziam parte da nossa vida. Era o turismo que cabia no bolso da nossa família. E é por isso que defendo com tanta convicção o turismo popular, acessível, democrático. Porque todo mundo merece esse direito.
Chapada dos Guimarães é um exemplo claro disso. Uma das maiores belezas do Brasil, pertinho da capital, cheia de paisagens de tirar o fôlego e com um povo acolhedor que luta, todos os dias, pra manter vivo o brilho dessa terra.
Hoje, no aniversário da cidade, a gente celebra essa história e também reforça a importância de cuidar do que é nosso.
Chapada tem tudo pra crescer com o turismo. Assim como cidades como Bonito (MS), Gramado (RS) ou Campos do Jordão (SP), ela pode gerar emprego, renda e oportunidade pra quem vive lá. Mas pra isso acontecer, é preciso destravar os problemas, investir em infraestrutura e garantir que o turismo seja sustentável, sem destruir o meio ambiente.
Turismo é uma indústria sem chaminé. Não polui, não desgasta, gera oportunidades e valoriza o que temos de melhor. E Chapada tem tudo pra ser um modelo disso.
A cidade merece mais que parabéns. Merece políticas públicas à altura de sua grandeza. E seu povo, esse sim, a verdadeira alma da cidade, merece reconhecimento, investimento e respeito.
Eu continuo firme nessa luta. Que os próximos anos sejam marcados por planejamento, união e ações concretas que respeitem a vontade de quem vive e acredita no turismo como caminho.
Chapada dos Guimarães, Mato Grosso, conte comigo!
Fábio Tardin é deputado estadual por Mato Grosso
Opinião
O professor brasileiro presta contas demais e decide de menos

Os números descrevem a dimensão do problema. No Global Teacher Status Index, levantamento da Varkey Foundation conduzido em 35 países, o Brasil aparece na última posição em valorização docente. Apenas 9% dos brasileiros acreditam que os alunos respeitam seus professores.
Os indicadores posteriores não corrigem o diagnóstico. O Relatório Global sobre Professores, da Unesco, aponta que apenas 5% dos jovens brasileiros de 15 anos manifestam interesse pela docência. Entre 2009 e 2021, a proporção de professores com menos de 24 anos caiu 42%, enquanto a de profissionais acima de 50 cresceu 109%. Não estamos diante de uma crise de percepção. Estamos diante de uma crise de sucessão.
A causa costuma ser atribuída à remuneração. A remuneração é parte do problema, mas não o explica sozinho. O que corrói a profissão, silenciosamente, é a suspeita permanente.
Em mais de uma década de imersões em sistemas educacionais estrangeiros, observei o funcionamento inverso. Na Finlândia, a formação docente exige mestrado e a seleção admite cerca de um décimo dos candidatos. Não há inspeção nacional das escolas nem avaliação formal individualizada dos professores. A arquitetura do sistema parte de um pressuposto: quem foi rigorosamente formado não precisa ser vigiado.
Aqui, exigimos várias camadas de prestação de contas: registros, relatórios, justificativas, protocolos de comprovação. O docente passa boa parte de sua jornada demonstrando que trabalhou, em detrimento do tempo dedicado a trabalhar.
Não defendo a ausência de accountability. Dirijo instituições e sei que indicadores, metas e transparência são inegociáveis. Defendo que ela se dirija ao projeto pedagógico, e não à competência individual de quem já foi contratado justamente por possuí-la.
Existe alternativa metodológica, e ela já está em uso. Trata-se do Barômetro de Pais, instrumento de escuta sistematizado pela consultora educacional Ayla Huovi a partir de práticas finlandesas de gestão escolar.
O funcionamento é simples e a inversão que ele provoca é profunda. As perguntas dirigidas às famílias são formuladas pelos próprios professores, e não pela direção ou pela área de comunicação. As respostas são consolidadas em um conjunto reduzido de eixos direcionadores, que passam a orientar as decisões pedagógicas do período seguinte. E o resultado retorna às famílias, acompanhado do que será feito a partir dele. A sensação que a família já foi ouvida, diminui a recorrência de intromissões ao longo do período.
A diferença em relação a uma pesquisa de satisfação convencional é a natureza e o objetivo. A pesquisa de satisfação mede a percepção sobre o serviço prestado e, quase sempre, individualiza responsabilidades. O barômetro produz diagnóstico institucional. Ele não pergunta se o professor agrada; pergunta o que a escola precisa enxergar. Quando quem conhece a sala de aula define o que investigar, a escuta deixa de ser gestão de reclamações e passa a alimentar política pedagógica.
Aplicamos o método em nossas escolas e o efeito mais nítido não recaiu sobre as famílias, mas sobre a equipe. O professor que formula a pergunta assume a autoria da resposta. Ele deixa de ser objeto do levantamento e passa a ser seu condutor.
Isso reposiciona a relação com os pais. A confiança das famílias nasce de perceber que o professor detém autoridade técnica reconhecida por seus gestores. Quando a escola trata o docente como executor, a família o trata como prestador de serviço.
Reverter esse quadro é decisão de governança, não de discurso. Passa por selecionar melhor, formar continuamente, remunerar de forma compatível e sustentar publicamente as decisões pedagógicas de quem está em sala.
*Márcia Amorim Pedr’Angelo é psicopedagqoga, fundadora das escolas Toque de Mãe e Unicus, e coordenadora da Unesco para a Educação em Mato Grosso e Mato Grosso do Sul
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