Opinião
Liderar é controlar ou sustentar quem você se tornou?
Opinião
O avanço da liderança feminina deixou de ser tendência para se firmar como realidade. Mulheres ocupam posições estratégicas, conduzem negócios e influenciam decisões que movem mercados. Com isso, uma nova forma de liderar começa a ganhar força, mais consciente, mais integrada, mais humana.
Mas esse movimento ainda carrega uma tensão pouco discutida. A cobrança continua sendo maior. Enquanto muitos homens são reconhecidos pelo potencial, mulheres ainda são avaliadas pelo histórico e, frequentemente, precisam reafirmar sua competência. A validação parece nunca ser definitiva. Existe uma exigência constante por desempenho, postura e resultados.
E há mais camadas nisso. A mulher que lidera, na maioria das vezes, não sustenta apenas um cargo. Ela administra múltiplos papéis ao mesmo tempo: profissional, pessoal, emocional. Resolve, organiza, acolhe e direciona dentro e fora do ambiente de trabalho. É uma sobrecarga silenciosa, que não aparece nos indicadores, mas impacta diretamente sua energia, clareza e capacidade de decisão.
Surge então um ponto central:
Como liderar sem se desconectar de si mesma? Na prática, o maior desafio raramente está na estratégia. Ele está na sustentação interna.
Nenhum resultado é isolado. Toda performance visível reflete fatores invisíveis: histórias, crenças, experiências e padrões emocionais. Muitas mulheres lideram carregando pesos que não começaram nelas e, sem perceber, isso influencia suas escolhas e seus limites.
A necessidade constante de provar valor pode ter origem na falta de reconhecimento no passado. A dificuldade em delegar pode vir de experiências onde confiar não era seguro.
O excesso de responsabilidade pode estar ligado à ideia de que dar conta de tudo é o que garante pertencimento. Por isso, não se trata apenas de aprender novas ferramentas de liderança.
Trata-se de reposicionamento interno. Existe também um julgamento recorrente sobre como uma mulher deve liderar.Se é firme, é vista como rígida. Se é sensível, é vista como instável.
Diante disso, muitas entram em um esforço silencioso de adaptação, tentando equilibrar autoridade com aceitação, força com aprovação. Mas liderança não é algo que se negocia.
Fica então uma provocação: a sociedade realmente aceita mulheres no poder ou ainda tenta moldá-las para caber em padrões mais confortáveis?
A liderança contemporânea não se sustenta no controle. Ela exige clareza, responsabilidade emocional e coerência interna. E, quando consciente, a liderança feminina deixa de ser sobre provar e passa a ser sobre sustentar.
Na prática, muitas mulheres altamente capacitadas não avançam por falta de competência, mas por desalinhamentos internos que limitam sua atuação.
Para crescer com consistência e sem desgaste desnecessário, alguns movimentos são fundamentais:
Autoliderança como base
Antes de liderar qualquer estrutura, é preciso liderar a si mesma: energia, decisões e posicionamento.
Desapego da validação externa
Enquanto houver necessidade de aprovação, o lugar de liderança ainda não foi plenamente ocupado.
Limites claros
Acúmulo não é competência. É desorganização. Cada papel precisa ter seu espaço, inclusive você.
Integração entre firmeza e sensibilidade
Não é uma escolha entre ser respeitada ou acolhedora. A força está justamente na combinação das duas.
Estrutura e desenvolvimento de pessoas
Negócios não crescem de forma saudável quando dependem de uma líder sobrecarregada. Clareza de processos e equipes alinhadas são indispensáveis.
Consciência sobre padrões invisíveis
Crenças sobre dinheiro, sucesso, poder e pertencimento influenciam diretamente os resultados. Ignorar isso é limitar o próprio crescimento.
O fortalecimento da liderança feminina não é apenas um movimento de mercado.
É um movimento de consciência.
Mas ocupar espaços não é suficiente.
É preciso estar preparada para sustentá-los sem se perder, sem se adaptar além do necessário e sem carregar o que não pertence a você. Porque, no fim, liderança não é sobre controle.
É sobre alinhamento. E talvez a pergunta mais importante deixe de ser qual espaço você ocupa… e passe a ser: você construiu a estrutura interna necessária para permanecer nele?
Fica a reflexão
Por Simone Bernardino, Mentora Sistêmica de Empresáriosm, Add tb, CEO Instituto SB, Palestrante Internacional uIdealizadora do Semear Tour
Opinião
O professor brasileiro presta contas demais e decide de menos

Os números descrevem a dimensão do problema. No Global Teacher Status Index, levantamento da Varkey Foundation conduzido em 35 países, o Brasil aparece na última posição em valorização docente. Apenas 9% dos brasileiros acreditam que os alunos respeitam seus professores.
Os indicadores posteriores não corrigem o diagnóstico. O Relatório Global sobre Professores, da Unesco, aponta que apenas 5% dos jovens brasileiros de 15 anos manifestam interesse pela docência. Entre 2009 e 2021, a proporção de professores com menos de 24 anos caiu 42%, enquanto a de profissionais acima de 50 cresceu 109%. Não estamos diante de uma crise de percepção. Estamos diante de uma crise de sucessão.
A causa costuma ser atribuída à remuneração. A remuneração é parte do problema, mas não o explica sozinho. O que corrói a profissão, silenciosamente, é a suspeita permanente.
Em mais de uma década de imersões em sistemas educacionais estrangeiros, observei o funcionamento inverso. Na Finlândia, a formação docente exige mestrado e a seleção admite cerca de um décimo dos candidatos. Não há inspeção nacional das escolas nem avaliação formal individualizada dos professores. A arquitetura do sistema parte de um pressuposto: quem foi rigorosamente formado não precisa ser vigiado.
Aqui, exigimos várias camadas de prestação de contas: registros, relatórios, justificativas, protocolos de comprovação. O docente passa boa parte de sua jornada demonstrando que trabalhou, em detrimento do tempo dedicado a trabalhar.
Não defendo a ausência de accountability. Dirijo instituições e sei que indicadores, metas e transparência são inegociáveis. Defendo que ela se dirija ao projeto pedagógico, e não à competência individual de quem já foi contratado justamente por possuí-la.
Existe alternativa metodológica, e ela já está em uso. Trata-se do Barômetro de Pais, instrumento de escuta sistematizado pela consultora educacional Ayla Huovi a partir de práticas finlandesas de gestão escolar.
O funcionamento é simples e a inversão que ele provoca é profunda. As perguntas dirigidas às famílias são formuladas pelos próprios professores, e não pela direção ou pela área de comunicação. As respostas são consolidadas em um conjunto reduzido de eixos direcionadores, que passam a orientar as decisões pedagógicas do período seguinte. E o resultado retorna às famílias, acompanhado do que será feito a partir dele. A sensação que a família já foi ouvida, diminui a recorrência de intromissões ao longo do período.
A diferença em relação a uma pesquisa de satisfação convencional é a natureza e o objetivo. A pesquisa de satisfação mede a percepção sobre o serviço prestado e, quase sempre, individualiza responsabilidades. O barômetro produz diagnóstico institucional. Ele não pergunta se o professor agrada; pergunta o que a escola precisa enxergar. Quando quem conhece a sala de aula define o que investigar, a escuta deixa de ser gestão de reclamações e passa a alimentar política pedagógica.
Aplicamos o método em nossas escolas e o efeito mais nítido não recaiu sobre as famílias, mas sobre a equipe. O professor que formula a pergunta assume a autoria da resposta. Ele deixa de ser objeto do levantamento e passa a ser seu condutor.
Isso reposiciona a relação com os pais. A confiança das famílias nasce de perceber que o professor detém autoridade técnica reconhecida por seus gestores. Quando a escola trata o docente como executor, a família o trata como prestador de serviço.
Reverter esse quadro é decisão de governança, não de discurso. Passa por selecionar melhor, formar continuamente, remunerar de forma compatível e sustentar publicamente as decisões pedagógicas de quem está em sala.
*Márcia Amorim Pedr’Angelo é psicopedagqoga, fundadora das escolas Toque de Mãe e Unicus, e coordenadora da Unesco para a Educação em Mato Grosso e Mato Grosso do Sul
-
Cuiabá4 dias atrásParque da Família recebe vistoria técnica e avança para entrega com nova estrutura de lazer na região Norte
-
Cultura4 dias atrásFestival de Gramado termina neste sábado com entrega dos troféus
-
Cultura4 dias atrásCom 4 kikitos, “Feito Pipa” é o grande vencedor do Festival de Gramado
-
Cultura4 dias atrásFestival de Inverno de Campina Grande vai até o dia 30 de agosto
-
Mato Grosso4 dias atrásConselho Fiscal do Senac reúne ministros e representantes nacionais em Cuiabá pela primeira vez
-
Mato Grosso4 dias atrásMP investiga suspeita de irregularidade no tratamento da água
-
Cultura4 dias atrásArtistas comentam desafios e oportunidades na carreira
-
Política4 dias atrás”Não vou dormir direito com gente morando mal”, afirma Pivetta ao defender reforma urbana em municípios de MT
