Cultura
Pesquisa aponta tempo e custo como barreiras para consumo de cultura
Cultura
A falta de tempo é o principal obstáculo para o consumo de produtos culturais pelos brasileiros, com 33%. Em seguida vem a falta de interesse (29%) e a falta de dinheiro para o consumo, com 24%.

Os dados são da Pesquisa Nacional sobre Cultura no Brasil, apresentada nesta sexta-feira (5) no Mercado das Indústrias Criativas do Brasil (MICBR+Ibero-América), que acontece no Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura (CDMAC), na região central de Fortaleza, até domingo (7).
O estudo foi encomendado pelo Ministério da Cultura ao Instituto Nexus, que entrevistou 2.016 pessoas utilizando o mesmo método das pesquisas eleitorais, para que a amostra represente toda a população brasileira.
A ministra, Margareth Menezes, destacou que não existiam dados para guiar as políticas públicas do setor e o levantamento vai orientar os investimentos a partir de agora.
“Hoje existe uma disputa de espaço de mercado de trabalho, não só no Brasil, mas no mundo. E o Brasil tem muito a dar, se nós não nos adonarmos disso, produzirmos o que é nosso, da nossa terra, do nosso país, ficamos apenas como consumidores. A cultura é essa ponte para fortalecer essa soberania, você consegue expressar essa diversidade que é o povo brasileiro. O setor cultural e artístico brasileiro merece esse respeito e precisa desse espaço e desse reconhecimento, pra trazer a riqueza e fazer rodar a economia criativa em cada cidade, em cada estado. A cultura quem faz é o povo, o que a gente precisa fazer é ver o que precisa melhorar pra que o acontecimento cultural seja conduzido melhor”.
Resultados
O diretor de pesquisa do Instituto Nexus, André Jácomo, apresentou os dados. De acordo com ele, a população enxerga cultura como parte da formação histórica do país.
“Nas respostas notamos uma predominância de um sentido amplo para o termo cultura, como um conjunto de valores, crenças, hábitos e comportamentos. Bem como as tradições e costumes que formam a nossa identidade. Ninguém vive sem cultura, todo mundo tem um gosto pessoal, e a cultura é relacionada a nossa formação como povo”.
André explicou que foram colhidos dados quantitativos e qualitativos e os resultados foram surpreendes. A pesquisa aponta que a música é o produto cultural mais consumido, com 53%, seguido de filmes (52%) e séries, com 40%, ficando à frente das novelas, que são consumidas por 32% da população brasileira.
Quanto à visita a equipamentos culturais nos 30 dias anteriores, 24% foram a shows ou festivais de música, 23% a cinemas, 15% a feiras ou festas literárias, 8% a bibliotecas e 7% a teatros. Por outro lado, 47% não souberam ou não responderam a essa pergunta, indicando que quase a metade da população não visitou nenhum equipamento cultural no período.
Os dados contrastam com o desejo de visitar um equipamento cultural. Do total 33% disseram que gostariam de ir ao cinema, 27% a show ou festival de música e 18% queriam ir ao teatro. Quanto a participação em festas populares, o São João aparece em primeiro lugar, com 31%, superando os 28% do carnaval.
Quanto ao meio em que os produtos culturais são consumidos, o celular ganha disparado, sendo acessado por 62% da população. A televisão aparece com 53% e o rádio vem em terceiro, com 9%. A pesquisa levantou que o Netflix é a plataforma de streaming mais acessada no Brasil, com 58%, seguido de YouTube Premium (23% e Globoplay (21).
A pesquisa levantou também que 34% das pessoas consideram que a cultura brasileira é valorizada no mundo, mas 71% acham que o impacto da cultura é positivo para a imagem internacional do Brasil. Um total de 84% considera importante o apoio a artistas e a produtores locais e 53% que a cultura tem importância na atual agenda do governo federal.
Cultura
Ouro Negro: espetáculo em Recife celebra os 100 anos de Moacir Santos
Domingo (18) o palco do Teatro do Parque, em Recife, recebe um espetáculo que celebra o centenário do compositor, maestro, arranjador e multi-instrumentista pernambucano, Moacir Santos.

O musical “Canto e Encanto Pernambuco – Ouro Negro: 100 Anos de Moacir Santos” leva ao palco ritmos afro-brasileiros, influências do sertão e elementos do jazz que tornaram a obra do artista única. Além da música, o texto passeia por momentos marcantes de sua trajetória artística.
Autor do álbum clássico Coisas, lançado em 1965, e primeiro orquestrador negro da Rádio Nacional, Moacir deixou legado que inspirou outras referências da MPB como Baden Powell, João Donato, Sérgio Mendes, Paulinho da Viola e tantos outros.
Sua identidade musical ultrapassou fronteiras e conquistou reconhecimento internacional quando ele passou a morar nos Estados Unidos a partir de 1967. Por lá, lançou álbuns, continuou atuando como professor de música, fazendo parcerias com grandes nomes do jazz e da música instrumental; além de compor trilhas sonoras para filmes de Hollywood nas equipes de maestros como Henry Mancini.
A montagem do Musical, reunindo mais de 80 jovens e professores, é resultado do trabalho social de iniciação à música do Núcleo Musical Irmã Scheilla desenvolvido pela Fraternidade Espírita Peixotinho desde 2010.
A encenação será às 16h e os ingressos para o espetáculo estão disponíveis na plataforma Sympla.
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