Cultura
Períodos de Quaresma, Ramadã e Ano Novo Chinês coincidem em 2026
Cultura
Em um fenômeno que desafia as probabilidades matemáticas e une diferentes cosmologias, o mundo testemunha em fevereiro de 2026 a convergência de três das tradições mais importantes do planeta: a Quaresma cristã, o início do Ramadã islâmico e a chegada do Ano Novo Chinês. Um alinhamento que não acontecia desde 1863 e a previsão para que coincida novamente é só no próximo século.

Os três períodos são dedicados à purificação e à preparação para um novo ciclo. Enquanto os templos budistas e as ruas da Ásia se colorem de vermelho para celebrar o Ano do Cavalo de Fogo, milhões de pessoas no Ocidente e no Oriente Médio iniciam períodos de jejum e penitência. O doutor em liturgia, padre Emanuel da Paixão, explica que a Quaresma cristã é um período de contenção, revisão ética e espiritual:
“A palavra Quaresma deriva de uma palavra em latim, quadragésima, que faz referência a quarenta dias de preparação rumo à Páscoa. Em primeiro lugar, a Quaresma tem a finalidade de preparar o cristão para a celebração da Páscoa. Ali nessa data, nessa celebração, que é a celebração mais importante da liturgia católica, nós, cristãos católicos, naquele dia vamos fazer a renovação das nossas promessas batismais. Quem não é batizado e fez essa preparação, vai receber os sacramentos da iniciação cristã nesse dia; recomenda-se que seja nesse dia. Então a Igreja, na sua pedagogia, se baseando naqueles três conselhos de Jesus, que Jesus nos diz no primeiro domingo da Quaresma, quando lança ali três elementos básicos que são pilares da Quaresma: a oração, o jejum e a caridade. Esse é um tempo de reconciliação, de purificação”.
Renovação e consciência
Assim como a Quaresma cristã, o Ramadã no islamismo é marcado pelo jejum, autocontrole, disciplina do desejo e fortalecimento da consciência espiritual. O Sheik Abdul Hameed, líder espiritual da comunidade muçulmana na Bahia, detalha que o jejum é um dos cinco pilares do Islã, realizado para purificar a alma, praticar a autodisciplina e fortalecer a empatia pelos necessitados:
“É um dos cinco pilares do Islã que o muçulmano tem que acreditar e praticar. O jejum nesse mês que chama Ramadã, que é o nono mês do calendário lunar, é obrigatório para o muçulmano. O jejum começa de manhã cedo; antes da alvorada o muçulmano tem que acordar para comer alguma coisa — isso chama Suhoor — para fortalecer o muçulmano para o jejum. Depois disso, o muçulmano não pode comer mais, não pode beber nada mais, nada entra na boca além de falar. Também não pode ter atividade sexual entre marido e esposa até o pôr do sol. O muçulmano também não pode falar mal, não pode fazer nada que o Islã não concorda. Acreditamos que o jejum é bom para a saúde, é bom para a vida, é bom para a família, é bom para a sociedade; por isso, o ponto principal é fazer bem para o mundo melhor’.
Feriado mais importante da China, o Ano Novo não envolve jejum. Pelo contrário, é celebrado com grandes banquetes de reunião familiar, pois é um período de celebração da fartura. Mas, assim como a Quaresma cristã e o Ramadã islâmico, a festividade chinesa está associada à purificação, representada por uma limpeza profunda no último dia do ano, que envolve desde uma faxina em casa até o pagamento de dívidas; uma forma de preparação e acolhimento do novo ano.
Cultura
Festival Caju de Leitores começa nesta quarta com série de atrações
A quinta edição do Caju de Leitores, considerado o primeiro festival de literatura indígena do Brasil, começa nesta quarta-feira (2) com uma série de atrações, como rodas de conversa, contação de histórias, atividades educativas e apresentações culturais. O evento acontece na Oca Tururim, na Aldeia Xandó, em Porto Seguro, na Bahia. O local é ponto de preservação da cultura Pataxó.

Entre os participantes desta edição estão a indígena argentina Mariela Tulián, a primeira latino-americana a participar do festival; a indígena Vanessa Guarani Ratton, vencedora do Prêmio Jabuti 2023 na categoria Fomento à Leitura; e a escritora e contadora de histórias Auritha Tabajara, reconhecida como a primeira mulher indígena a publicar cordéis no Brasil.
Sairi Pataxó, escritor e anfitrião do Festival Caju de Leitores, fala sobre a origem do evento:
“O Caju de Leitores é um festival literário dentro da nossa comunidade indígena Pataxó do Xandó que nasceu em 2022 para fomentar a leitura, unir os nossos escritores do Brasil inteiro – este ano já internacional, com a escritora indígena internacional – e unir as escolas à leitura”.
Nesta edição do evento, o tema é “Um Manifesto de Bichos”, que busca dar voz e reconhecer os animais como seres que participam das histórias, das memórias e dos conhecimentos compartilhados entre gerações dos Pataxós, como explica Sairi Pataxó:
“É um tema que é muito forte na nossa cultura. É uma tradição milenar. O cachorro, que é um amigo muito forte do nosso povo, que, para onde a gente vai, principalmente onde tem mata, a gente leva o cachorro. Assim como as outras caças, que são muito fortes na tradição do nosso povo e fazem parte da vivência da nossa vida”.
Alethea Costa, curadora e coordenadora de produção do festival, fala sobre a expectativa de público para esta edição:
“Todos os anos, vem aumentando a participação de alunos, das escolas, dos professores, que já se programam durante o ano dentro da carga letiva para estarem presentes aqui, até atividades escolares que já são pensadas tendo o Caju de Leitores como um dos focos. E este ano também, o que deixa a gente bastante otimista é que nós, no início do ano, realizamos uma itinerância pelas escolas indígenas aqui do município, levamos um pouco do Caju de Leitores para essas escolas.”
Maria Coruja
O evento conta ainda com a presença da anciã e liderança Pataxó Maria Coruja, homenageada da edição deste ano. Ela é cantora, compositora, artesã e guardiã da memória do povo Pataxó. Quando criança, sobreviveu ao episódio conhecido como Fogo 51, ação violenta contra a população indígena Pataxó. Também se tornou uma das grandes referências do samba indígena.
A programação do Caju de Leitores é gratuita e acontece até sexta-feira (4).
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