Cultura
Exposição aborda violência contra mulheres no Rio
Cultura
Todos os dias, milhares de mulheres sofrem com a violência.

O silenciamento, apagamento e objetificação delas são retratados de forma sensível pela artista Liane Roditi em sua primeira mostra individual intitulada Dobras e Desdobras, em cartaz no Centro Cultural Correios do Rio de Janeiro. A exposição reúne vídeos, performances, fotografias, instalações, esculturas, pinturas, desenhos e objetos, em um total de 40 trabalhos.
Liane Roditi, que começou a carreira artística na dança, fala sobre como surgiu a ideia deste projeto no campo das artes plásticas.
“Quando eu resolvi me dedicar integralmente às artes visuais, eu me voltei muito para o meu corpo e comecei a trabalhar com vídeo, performance e foto performance, me entendendo como mulher na sociedade. Comecei a estudar bastante sobre feminismo, e a objetificação surgiu naturalmente. Óbvio que, sim, sou atravessada por experiências pessoais, mas essa experiência pessoal não vem como uma autobiografia.
As imposições sobre as mulheres também são exploradas na mostra por meio dos materiais empregados, como cabelos, sisal e fibras vegetais. Um exemplo é apresentado no gesto de trançar, que carrega uma dimensão afetiva, mas também remete à sobrevivência e à resistência, como nos saberes das mulheres escravizadas que criavam mapas e escondiam sementes em seus cabelos. A artista dá mais detalhes sobre as formas e materiais empregados.
“O véu, a figura da noiva, o corpo feminino carregando um peso, eu busco retratar de forma simbólica. Com a utilização de pedras, de cabelo, fibras bio-vegetais, os tecidos, as fotografias, objetos femininos, tudo isso que se espera de uma mulher numa sociedade patriarcal e como ela acaba sendo apagada.”
Liane também fala sobre como começou sua vivência artística ainda criança.
“Eu tinha 3 anos de idade quando eu entrei no balé, eu entrei porque eu tinha o pé chato, foi uma recomendação médica e foi a melhor coisa que poderia ter acontecido, porque eu me encantei pela dança e poder me expressar com o corpo e falar com o corpo é incrível. Isso realmente me atravessa o tempo inteiro.”
A artista destaca ainda a importância de abordar o universo das mulheres.
“Acho esse tema relevante, acho que ele precisa ser tratado de várias formas. E a forma como eu consigo chegar no público para chamar a atenção sobre essas questões é por meio das artes visuais. Então, eu uso realmente o meu corpo e as minhas ideias. Meu objetivo realmente é chamar a atenção para essas questões da forma mais delicada possível.”
A exposição Dobras e Desdobras fica em cartaz até 14 de março no Centro Cultural Correios do Rio de Janeiro. A entrada é franca.
Cultura
Ouro Negro: espetáculo em Recife celebra os 100 anos de Moacir Santos
Domingo (18) o palco do Teatro do Parque, em Recife, recebe um espetáculo que celebra o centenário do compositor, maestro, arranjador e multi-instrumentista pernambucano, Moacir Santos.

O musical “Canto e Encanto Pernambuco – Ouro Negro: 100 Anos de Moacir Santos” leva ao palco ritmos afro-brasileiros, influências do sertão e elementos do jazz que tornaram a obra do artista única. Além da música, o texto passeia por momentos marcantes de sua trajetória artística.
Autor do álbum clássico Coisas, lançado em 1965, e primeiro orquestrador negro da Rádio Nacional, Moacir deixou legado que inspirou outras referências da MPB como Baden Powell, João Donato, Sérgio Mendes, Paulinho da Viola e tantos outros.
Sua identidade musical ultrapassou fronteiras e conquistou reconhecimento internacional quando ele passou a morar nos Estados Unidos a partir de 1967. Por lá, lançou álbuns, continuou atuando como professor de música, fazendo parcerias com grandes nomes do jazz e da música instrumental; além de compor trilhas sonoras para filmes de Hollywood nas equipes de maestros como Henry Mancini.
A montagem do Musical, reunindo mais de 80 jovens e professores, é resultado do trabalho social de iniciação à música do Núcleo Musical Irmã Scheilla desenvolvido pela Fraternidade Espírita Peixotinho desde 2010.
A encenação será às 16h e os ingressos para o espetáculo estão disponíveis na plataforma Sympla.
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