Cultura

Com açúcar: relação de avós e netos é marcada pelo afeto e admiração

Publicado em

Cultura

A relação entre avós e netos é uma experiência vivida de diferentes formas, mas que costuma deixar marcas profundas.

Os números do último Censo Demográfico mostram que, na Bahia, pelo menos 650 mil avós e avôs moram com os netos, segundo a Supervisora de Disseminação de Informações do IBGE na Bahia, Mariana Viveiros.

“Em quase todas essas situações são os avós os responsáveis pelo domicílio, como figura de liderança na casa, embora tenha um número de avós que moram em domicílios chefiados pelos netos, como se os netos estivessem cuidando dos avós. Mas quase a totalidade são os avós que chefiando os domicílios. As avós mulheres são 70% dos avós que moram com os netos. E não necessariamente são avós e avôs idosos. Tem uma participação importante de pessoas de menos de 60 anos que já são avós e moram com seus netos”.

A jornalista Sandra Mercês mora com a avó desde a infância e de lá para cá foi construindo uma relação marcada pelo afeto e a admiração.

“Morar com minha avó é querer viver dentro do abraço dela. É ver o cuidado, o amor dela em cada detalhe. No cheirinho de comida pela casa. Naquela pergunta simples: ‘você já comeu?’ Na bronca que ela dá, que é uma bronca por conta do cuidado, no abraço que faz a gente se sentir seguro. Minha avó é muito ela, é muito intensa, ela fala do jeitinho dela, mas de um jeitinho bonito. Ela cuida de cada detalhe da casa como se quisesse guardar os netos em um potinho”.

A avó de Sandra, dona Ivanilde Conceição, de 68 anos, também tem outros netos com quem compartilha a rotina dentro de casa.

“Tenho seis netos. Três moram comigo e três moram com os pais.  Eu amo muito meus netos quando venho aqui em casa me visitar. Brinco, caduco, faço tudo.”

O Dia dos Avós é comemorado em 26 de julho, data associada à Santa Ana e São Joaquim, considerados pela tradição católica os avós de Jesus Cristo.


Fonte: EBC Cultura

COMENTE ABAIXO:
Propaganda

Cultura

Tom Zé: o descobridor de sons completa 90 anos criando e compondo

Publicados

em

A curiosidade parece guiar Tom Zé pelo mundo: da leitura de Os Sertões, de Euclides da Cunha, na adolescência, ao ofício de jardineiro no prédio onde mora em São Paulo, o baiano mais paulistano que existe tem um talento nato para transformar o cotidiano em música, como em “Aviso aos Passageiros”. A letra da canção reproduz a mensagem de segurança dos elevadores:  “antes de entrar no elevador, verifique se o mesmo encontra-se parado neste andar.”


São Paulo (SP), 07/10/2026 - Caixa Cultural celebra os 90 Anos de Tom Zé com exposição interativa. Foto: Paulo Pinto/Agencia Brasil
São Paulo (SP), 07/10/2026 - Caixa Cultural celebra os 90 Anos de Tom Zé com exposição interativa. Foto: Paulo Pinto/Agencia Brasil

Caixa Cultural celebra os 90 Anos de Tom Zé com exposição interativa. Foto: Paulo Pinto/Agencia Brasil 

Celebrado na exposição gratuita “Tom Zé – 90 anos do Inquieto Jardineiro de Sons”, na Caixa Cultural em São Paulo, até o dia 13 de dezembro, o músico comenta o segredo para seguir compondo, criando e fazendo shows aos 90 anos.

“O seguinte: de manhã, se eu não fizer as coisas orientais que eu aprendi aqui em São Paulo e que prolongam a vida, a ginástica para o estômago, para cabeça, para intestino, para vista, para ouvido… Eu de manhã faço práticas que têm a ver com todos os funcionamentos humanos. E enquanto eu fizer isso, eu vou tá vivo aí, se Deus quiser”. 

Tropicalismo

Nascido em 11 de outubro de 1936 em Irará, no sertão da Bahia, Antônio José Santana Martins passou em primeiro lugar no vestibular da Escola de Música em Salvador. Foi na capital baiana que conheceu Caetano Veloso, Gilberto Gil, Maria Bethânia e Gal Costa. Se juntou aos tropicalistas em São Paulo e participou do disco “Tropicália ou Panis et Circencis” de 68, mesmo ano em que lançou o disco de estreia “Grande Liquidação”, e venceu o 4º Festival de Música Popular Brasileira com a canção“São, São Paulo”.  

A cidade de São Paulo se tornou tema recorrente em composições como “Augusta, Angélica e Consolação” e “A Briga do Edifício Itália com o Hilton Hotel”. O trabalho do músico é marcado pela experimentação, do som feito numa enceradeira quebrada ao “buzinório” – instrumento que conecta várias buzinas e que pode ser visto pelo público na exposição. A curadora da mostra, Neuseli Martins, fala sobre a figura inspiradora de Tom Zé. 

“Eu acho que assim ele inspira pessoas dos 10 aos 100 né? E vendo ele em atividade criando gravando principalmente dialogando com várias gerações eu acho isso uma característica muito incrível dele. Ele é uma pessoa que tá sempre buscando descobrir alguma coisa nova ou ver as coisas de uma forma diferente né?”


São Paulo (SP), 07/10/2026 - Caixa Cultural celebra os 90 Anos de Tom Zé com exposição interativa. Foto: Paulo Pinto/Agencia Brasil
São Paulo (SP), 07/10/2026 - Caixa Cultural celebra os 90 Anos de Tom Zé com exposição interativa. Foto: Paulo Pinto/Agencia Brasil

Réplica do buzinório, instrumento musical criado por Tom Zé – Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil

Experimental demais

Em meados dos anos 70, o músico se enveredou por mais experimentações, desconstruindo canções criadas a partir de fragmentos musicais. Visto como experimental demais, Tom Zé foi esquecido pela mídia até os anos 80. Foi redescoberto quando seu disco “Estudando o Samba” foi parar nas mãos do músico David Byrne, ex-líder da banda Talking Heads, que lançou a obra do brasileiro no exterior. Com isso, voltaram as turnês e gravações nos anos 90. Jarbas Mariz, músico que gravou e tocou com Tom Zé por 32 anos, comenta o que aprendeu com ele.

“Por exemplo, dinâmica na música, né? Aquela coisa de de tan dan dan dan, tan dan dan dan, e vai lá pra baixo, vai lá na coisa da dinâmica na música popular. […] Pegar qualquer instrumento, você transformar aquilo ali em som e colocar na sua música, também aprendi isso com ele também. E aquele bandolim maluco que eu tocava com ele, que é um que é um bandolim percussivo, que foi ele que introduziu na minha cabeça”. 

 

O último álbum de estúdio, “Língua Brasileira”, é de 2022. Neste 9 de outubro, foi lançado o álbum ao vivo de um show gravado no Sesc há 30 anos. Em agosto, saiu a música inédita “Futuro Fruto”, uma parceria com Marcelo Segreto e Loretta,  músicos de diferentes gerações, provando que Tom Zé ainda tem muito o que inventar na música brasileira.  

 


Fonte: EBC Cultura

COMENTE ABAIXO:
Continue lendo

POLÍTICA

POLÍCIA

ESPORTES

ENTRETENIMENTO

MAIS LIDAS DA SEMANA