Cultura
Cinema São Luís, em Recife, reúne torcida para Oscar 2026
Cultura
O Centro do Recife virou cenário de celebração do cinema pernambucano na noite desse domingo (16). Em frente ao Cinema São Luís na Rua da Aurora, público, artistas e músicos se reuniram para acompanhar a cerimônia do Oscar 2026 e torcer pelo filme O Agente Secreto, indicado a quatro categorias da premiação.

Apesar da expectativa do público, a produção não levou a estatueta. Ainda assim, a mobilização na capital reforçou a força do cinema pernambucano e o orgulho de ver a produção disputar as principais categorias da premiação.
O evento Pernambuco no Oscar, promovido pela Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco, reuniu apresentações culturais, cortejo de frevo e exibição da cerimônia em telão e dentro do cinema histórico. Entre os artistas presentes, a atriz pernambucana Ermila Guedes destacou a emoção de ver a produção chegar à principal premiação do cinema mundial.
“Eu sou testemunha ocular dessa trajetória do cinema pernambucano. E ver o nosso cinema chegando no Oscar é uma das maiores emoções da minha vida. Eu me arrepio cada vez que eu falo, o coração palpita. Estamos concorrendo a quatro categorias importantíssimas. E eu estou super feliz de ter feito esse filme. Estou bem aqui comemorando junto com todo mundo, dividindo esse momento maravilhoso, inesquecível e único.”
A festa também contou com um frevo nas ruas. O cortejo da Pitombeira dos Quatro Cantos saiu da rua Sebastião Lins até o cinema, animando o público que ocupou o tapete vermelho montado na via. Para os músicos do Bloco, a noite também simboliza a força da cultura pernambucana ganhando projeção internacional, como comentou o saxofonista Hugo Ramos.
“É muito gratificante ver que o frevo está chegando a esse patamar mundial, cotado aí para o Oscar. Para mim é muito gratificante, é um momento especial e acredito que único na vida da gente que é músico.”
O filme concorreu nas categorias de Melhor Filme; Melhor Filme Internacional; Melhor Ator, com Wagner Moura; e Melhor Elenco.
Parte das cenas foi gravada no próprio Cinema São Luís, um dos mais tradicionais cinemas de rua do país. Presente na celebração, a governadora de Pernambuco, Raquel Lira, destacou o simbolismo do local para a cultura do Estado.
“O povo que tem a identidade cultural que nós temos, que preza pelo seu território, não podia estar em outro lugar hoje que não fosse aqui na frente o Cinema São Luís. E o Cinema São Luís é um dos últimos cinemas de rua do Brasil. É muito bom a gente poder celebrar os nossos atores, os nossos cineastas, mas também todos aqueles que trabalharam para garantir que essa produção pudesse ser feita. Inclusive aqui durante as obras, paramos as obras para permitir que o cinema também pudesse ser palco do filme que hoje representa não só Pernambuco, mas o Nordeste e o Brasil. Investir em política pública e cultura para permitir que obras como essa possam ser celebradas aqui e no mundo.”
Inaugurado em 1952, o Cinema São Luís é um dos principais patrimônios culturais do Estado. O equipamento virou cenário marcante do longa e acabou também eternizado na história do filme. Um patrimônio cultural que, assim como a obra, segue projetando a identidade pernambucana para além das telas.
Cultura
Festival Caju de Leitores começa nesta quarta com série de atrações
A quinta edição do Caju de Leitores, considerado o primeiro festival de literatura indígena do Brasil, começa nesta quarta-feira (2) com uma série de atrações, como rodas de conversa, contação de histórias, atividades educativas e apresentações culturais. O evento acontece na Oca Tururim, na Aldeia Xandó, em Porto Seguro, na Bahia. O local é ponto de preservação da cultura Pataxó.

Entre os participantes desta edição estão a indígena argentina Mariela Tulián, a primeira latino-americana a participar do festival; a indígena Vanessa Guarani Ratton, vencedora do Prêmio Jabuti 2023 na categoria Fomento à Leitura; e a escritora e contadora de histórias Auritha Tabajara, reconhecida como a primeira mulher indígena a publicar cordéis no Brasil.
Sairi Pataxó, escritor e anfitrião do Festival Caju de Leitores, fala sobre a origem do evento:
“O Caju de Leitores é um festival literário dentro da nossa comunidade indígena Pataxó do Xandó que nasceu em 2022 para fomentar a leitura, unir os nossos escritores do Brasil inteiro – este ano já internacional, com a escritora indígena internacional – e unir as escolas à leitura”.
Nesta edição do evento, o tema é “Um Manifesto de Bichos”, que busca dar voz e reconhecer os animais como seres que participam das histórias, das memórias e dos conhecimentos compartilhados entre gerações dos Pataxós, como explica Sairi Pataxó:
“É um tema que é muito forte na nossa cultura. É uma tradição milenar. O cachorro, que é um amigo muito forte do nosso povo, que, para onde a gente vai, principalmente onde tem mata, a gente leva o cachorro. Assim como as outras caças, que são muito fortes na tradição do nosso povo e fazem parte da vivência da nossa vida”.
Alethea Costa, curadora e coordenadora de produção do festival, fala sobre a expectativa de público para esta edição:
“Todos os anos, vem aumentando a participação de alunos, das escolas, dos professores, que já se programam durante o ano dentro da carga letiva para estarem presentes aqui, até atividades escolares que já são pensadas tendo o Caju de Leitores como um dos focos. E este ano também, o que deixa a gente bastante otimista é que nós, no início do ano, realizamos uma itinerância pelas escolas indígenas aqui do município, levamos um pouco do Caju de Leitores para essas escolas.”
Maria Coruja
O evento conta ainda com a presença da anciã e liderança Pataxó Maria Coruja, homenageada da edição deste ano. Ela é cantora, compositora, artesã e guardiã da memória do povo Pataxó. Quando criança, sobreviveu ao episódio conhecido como Fogo 51, ação violenta contra a população indígena Pataxó. Também se tornou uma das grandes referências do samba indígena.
A programação do Caju de Leitores é gratuita e acontece até sexta-feira (4).
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