Várzea Grande
Várzea Grande retoma obras do Centro Especializado de Reabilitação Física e Intelectual
Várzea Grande
A prefeita de Várzea Grande, Flávia Moretti, lançou, na manhã desta quarta-feira (28), a retomada das obras do Centro Especializado de Reabilitação Física e Intectual (CER II). A solenidade contou com a presença da secretária municipal de saúde, Deisi Bocalon, vereadores, lideranças que atuam na defesa das pessoas com deficiência, servidores do atual Centro de Reabilitação e representantes da construtora responsável pela obra.
A obra foi iniciada em 2024, mas precisou ser paralisada em razão de problemas contratuais com a empresa anteriormente responsável, o que levou à rescisão do contrato e à abertura de um novo processo licitatório. Apesar da burocracia, a atual gestão conseguiu agilizar os trâmites administrativos necessários para garantir a retomada do projeto.
Durante o evento, a prefeita Flávia Moretti destacou a importância da obra para o município e afirmou que acompanhará de perto a execução dos serviços para que o prazo estabelecido seja cumprido. “Essa é uma obra que tratamos com muito respeito. O município precisa ter um centro totalmente adaptado, com estrutura adequada para atender as pessoas com deficiência, que têm o direito de ser bem assistidas. Vamos acompanhar de perto para garantir a entrega dentro do prazo”, afirmou.
A secretária municipal de Saúde, Deisi Bocalon, ressaltou a relevância da retomada da obra e o trabalho da equipe técnica envolvida no projeto. Segundo ela, a unidade está sendo cuidadosamente estruturada e já existem tratativas junto ao Governo do Estado para ampliar o serviço de CER II para CER III, o que permitirá a oferta de novos atendimentos e especialidades.
A prefeita também reforçou que a atual sede do Centro de Reabilitação será transferida provisoriamente para o antigo Colégio Gatibone, imóvel cedido pelo Governo do Estado, sem custos ao Município, que passa por adequações para garantir acessibilidade. A gestão municipal ainda estuda alternativas, inclusive com empresas de transporte, para facilitar o deslocamento dos pacientes até o local provisório.
Para o vereador Sargento Galibert, a retomada da obra demonstra sensibilidade da gestão municipal com as pessoas que necessitam de atendimentos especializados. Já o presidente da Associação Várzea-grandense das Pessoas com Deficiência, Dinei Campos, destacou que Várzea Grande possui mais de 20 mil pessoas com deficiência e que o projeto representa a concretização de uma demanda histórica da população.
A secretária reforça que o objetivo é garantir que os munícipes tenham acesso a serviços especializados no próprio município, sem a necessidade de deslocamento para Cuiabá, promovendo mais dignidade, inclusão e qualidade de vida.
Estrutura do novo Centro Especializado de Reabilitação (CER II) – A nova unidade contará com mais de 1.200 metros quadrados de área construída, com estrutura moderna e totalmente acessível. O espaço terá consultórios interdisciplinares, consultórios de triagem, consultório neurológico, sala de enfermagem, recepção, sala de reunião, refeitório, pátio, playground, além de áreas de convivência interna e externa.
Também estão previstas salas de terapia em grupo infantil e adulto, salas de terapia individual para adultos e crianças, sala de estimulação, entre outros ambientes que garantem atendimento integral, humanizado e multiprofissional às pessoas com deficiência.
Várzea Grande
Sérgio Ricardo defende “choque de gestão” para resolver caos da falta de água em Várzea Grande
Foto: Alair Ribeiro/TCE-MT
Ao defender um “choque de gestão” para enfrentar o caos de décadas no abastecimento de água e no esgotamento sanitário de Várzea Grande, o presidente do Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT), conselheiro Sérgio Ricardo, destacou que a transformação do cenário do saneamento básico do município dependerá de investimentos na casa dos bilhões e de articulação política para garantir os recursos necessários.
A defesa do presidente foi feita durante audiência pública realizada no Ginásio Fiotão, nesta quarta-feira (12), para discutir a atualização do Plano Municipal de Saneamento Básico (PMSB) e a modelagem da concessão dos serviços de abastecimento de água do município.
“Eu faço questão de estar aqui hoje porque entendo que o futuro de Várzea Grande, a segunda maior cidade do estado, é de interesse de todos nós. Eu não estou aqui só porque sou conselheiro ou porque sou presidente do Tribunal de Contas. Estou aqui porque sou mato-grossense”, declarou.
Na ocasião, Sérgio Ricardo salientou que o município enfrenta um cenário de abandono histórico no saneamento e que, para alcançar a universalização dos serviços e reverter índices críticos, como a perda de quase 60% da água produzida e a cobertura de esgoto inferior a 29%, será necessário, além do choque de gestão, uma articulação política em âmbito nacional para viabilizar os recursos necessários.
“71% da população de Várzea Grande não tem acesso a esse serviço. Para resolver essa situação, será necessário muito dinheiro, pois essa situação de Várzea Grande não será resolvida com milhões, aqui serão necessários bilhões. O estudo fala em investimentos de R$ 2 a R$ 3 bilhões, mas isso pode ser ainda maior, porque praticamente não há infraestrutura adequada na cidade”, afirmou.
Os dados citados constam de levantamento técnico realizado pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (FIPE), que projeta uma agenda de investimentos entre R$ 2,03 bilhões e R$ 3,20 bilhões, com metas de execução até 2060.
Conforme o levantamento, para atingir a meta de universalização de 90% até 2033, será necessário ampliar a rede de coleta de esgoto de 403 quilômetros para 1.584 quilômetros, quase quatro vezes a extensão atual.
“É preciso escavar Várzea Grande inteira. Em alguns bairros, a água até chega, mas não há condições de distribuí-la adequadamente porque a rede e o encanamento não prestam. Está tudo deteriorado, rompido”, asseverou o presidente.
A realização da audiência pública corresponde à sétima etapa do cronograma apresentado pela Prefeitura de Várzea Grande. A próxima fase será o encaminhamento do Plano Municipal de Saneamento Básico à Câmara Municipal, onde deverá ser analisado para posterior aprovação e transformação em lei.
“Com o estudo avançando e, principalmente, com esse diagnóstico do saneamento básico sendo encaminhado à Câmara Municipal, nós passamos a ter mais segurança jurídica para acompanhar de perto todo esse processo e para que o plano seja aprovado e transformado em lei. É fundamental que esse planejamento se torne uma política de Estado, que não dependa de quem esteja à frente da Prefeitura, porque o saneamento básico é uma necessidade permanente da população”, pontuou a prefeita Flávia Moretti.
Sem água
Ainda de acordo com o estudo, apenas 53,88% dos domicílios são efetivamente atendidos pela rede de abastecimento de água. A precariedade do serviço se reflete no cotidiano da população: 73,9% dos moradores relatam sofrer com a falta de água diária ou semanalmente.
Entre eles está Benedito da Costa, aposentado e morador do bairro Mangabeira, na região do Jardim dos Estados.
“É uma preocupação de muito tempo. A gente paga pela água, e eles mandam o caminhão-pipa toda terça e toda sexta-feira. E não é só para mim, é para os moradores do bairro. São duas cargas de água, que são suficientes para passar a semana. Lá, a gente faz o que pode. Se você tiver uma caneca de água, a gente divide essa caneca com a família inteira. Eu já estou com mais de 60 anos e tenho experiência de vida, por isso peço, prefeita, ajude o povo de lá. Resolva esse problema da água para nós. É só isso que nós queremos”, declarou.
Mesa Técnica
A busca por soluções para os problemas históricos de saneamento de Várzea Grande já é fruto de mesa técnica do TCE-MT. Requerida pela Prefeitura, a mesa foi aberta em dezembro de 2025 com o objetivo de construir uma solução técnico-jurídica para o contrato firmado com o Consórcio Lumevix, responsável pela implantação do Sistema de Esgotamento Sanitário da Sub-Bacia 02, que inclui a Estação de Tratamento de Esgoto Santa Maria (ETE Santa Maria).
Contratadas em 2016, com prazo de conclusão de 12 meses, as obras permanecem paralisadas após quase nove anos, em razão de disputas judiciais, reprogramações financeiras, entraves ambientais e baixa evolução física.
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