Várzea Grande
Várzea Grande realiza maior mutirão de Saúde da história com oferta de mais 9,3 mil procedimentos de média e alta complexidade
Várzea Grande
O mês de julho será dedicado aos exames especializados e às cirurgias de média e alta complexidade em Várzea Grande. Em mais um mutirão de Saúde, a prefeitura municipal realiza, de 1º a 31 desse mês, o maior mutirão de atendimentos já visto no município para pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) que estão em fila de espera. Serão realizados mais de 9,3 mil procedimentos.
Nessa nova etapa da mobilização serão ofertados exames de imagem complexos e alto custo na rede privada como tomografias computadorizadas com e sem contraste, ressonância magnética, ultrassonografias, cirurgias ginecológicas e gerais. A oferta dos procedimentos está sendo possível graças às parcerias da atual gestão junto ao programa Fila Zero, do governo do Estado e à adesão – há mais de um ano – ao Consórcio Intermunicipal de Saúde Vale do Rio Cuiabá (CISVARC).
Tanto os exames de imagens, quantos as cirurgias, serão realizados em prestadores de serviços contratados por cada programa, via contratos junto à Secretaria Municipal de Saúde. Cabe aos prestadores o contato prévio com os pacientes em fila de espera e os devidos agendamentos.
No Instituto Santa Rosa estão previstas diariamente: 25 tomografias sem contraste, 25 tomografias com contraste e 30 ressonâncias magnéticas. Considerando o período do mutirão, de 1ª a 31 de julho, deverão ser realizadas um total de 1.550 tomografias e de 930 ressonâncias, totalizando 2.480 procedimentos junto a este prestador.
Pela FEB Saúde serão mais 6.420 exames de imagem. Sessenta tomografias computadorizadas por dia, de segunda à sexta-feira e mais 30 tomografias por sábado. Duzentas ultrassonografias por dia, de segunda à sexta-feira e outras 80 aos sábados. É esperado um volume de 1.500 tomografias realizadas ao longo do mês e 4.920 ultrassons.
No hospital Sant’Ana serão 15 cirurgias ginecológicas às segundas, terças e sábados. Entre os procedimentos realizados estão: histerectomia (remoção parcial ou total do útero), curetagem (raspagem da parede interna de um órgão ou cavidade), colpoperineroplastia (cirurgia íntima reconstrutiva), incontinência urinária, ooferectomia (remoção de um ou ambos os ovários) e histerectomia de glândula de Bartholin (remoção cirúrgica total ou parcial da glândula). Ainda serão realizadas no mesmo prestador, 15 cirurgias gerais às quartas, quintas e sextas-feiras: hemorroidectomia (remoção de veias dilatadas – hemorroidas – na região anal e do reto), prostectomia adulto (correção da fimose) e herniorrafias (correção de hérnias da parede abdominal como inguinais, umbilicais ou incisionais) . Até o final da mobilização são esperadas 180 cirurgias ginecológicas e 225 cirurgias gerais, num total de 405 procedimentos cirúrgicos junto a este prestador.
“Desde que aderimos ao Fila Zero e ao Consórcio, estamos destravando ao atendimento de saúde em Várzea Grande, especialmente aqueles que são considerados de média e alta complexidade. Há mais de um ano estamos evoluindo na oferta de serviços e eliminando espera de até cinco anos por uma simples ultrassonografia pélvica, essencial para saúde da mulher. Com Fila Zero seguem as cirurgias de catarata, bariátrica e ortopédicas. A população várzea-grandense que estava aguardando por procedimentos, inclusive na regulação de Cuiabá e do Estado, agora será atendida na sua cidade”, comemora mais uma ação a prefeita Flávia Moretti (PL).
A secretária municipal de Saúde, Valéria Nogueira, lembra que além dos novos serviços, Várzea Grande segue realizando as cirurgias de catarata. “Nessa semana, por exemplo, o prestador CMO fará cerca de 100 cirurgias entre hoje e amanhã, reduzindo ainda mais a fila de espera em Várzea Grande. São ações que devolvem a qualidade de vida, a dignidade e autonomia das pessoas. Quem segue em uma fila de espera por tanto tempo é porque realmente precisa do exame e não tem como custear na rede privada”.
Em geral, na rede privada e dependendo da região do corpo indicada ao exame – considerando unidades que trabalham com preços populares e unidades padrão do setor – uma ultrassonografia pélvica, por exemplo, pode custar de R$ 90 a R$ 300. Já uma ressonância magnética, varia de R$ 350 a R$ 1.200, e uma tomografia com contraste pode passar de R$ 2.500.
CARTÃO SUS ATUALIZADO – A secretária municipal de Saúde destaca que a realização dos exames e procedimentos na sua totalidade, ou seja, mais de 9 mil durante o mês de julho, depende da resposta da população. “Os prestadores estão habilitados e capacitados para a realização desse volume de serviços e estão contatando os pacientes, no entanto, esses pacientes já em fila de espera devem estar com os dados atualizados no Cartão SUS, especialmente o telefone, que é o meio de comunicação utilizado. “Se você está em fila de espera por exames e cirurgias fique atento às chamadas de números desconhecidos. Se trocou de número de telefone, procure a Unidade de Saúde mais próxima e atualize essa informação no cadastro do Cartão SUS. Reforço, não há cobrança de qualquer valor, taxa, inscrição para os procedimentos. Tudo é 100% gratuito, via SUS”, orienta Valéria.
Galeria de Fotos (14 fotos)
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Várzea Grande
Sérgio Ricardo defende “choque de gestão” para resolver caos da falta de água em Várzea Grande
Foto: Alair Ribeiro/TCE-MT
Ao defender um “choque de gestão” para enfrentar o caos de décadas no abastecimento de água e no esgotamento sanitário de Várzea Grande, o presidente do Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT), conselheiro Sérgio Ricardo, destacou que a transformação do cenário do saneamento básico do município dependerá de investimentos na casa dos bilhões e de articulação política para garantir os recursos necessários.
A defesa do presidente foi feita durante audiência pública realizada no Ginásio Fiotão, nesta quarta-feira (12), para discutir a atualização do Plano Municipal de Saneamento Básico (PMSB) e a modelagem da concessão dos serviços de abastecimento de água do município.
“Eu faço questão de estar aqui hoje porque entendo que o futuro de Várzea Grande, a segunda maior cidade do estado, é de interesse de todos nós. Eu não estou aqui só porque sou conselheiro ou porque sou presidente do Tribunal de Contas. Estou aqui porque sou mato-grossense”, declarou.
Na ocasião, Sérgio Ricardo salientou que o município enfrenta um cenário de abandono histórico no saneamento e que, para alcançar a universalização dos serviços e reverter índices críticos, como a perda de quase 60% da água produzida e a cobertura de esgoto inferior a 29%, será necessário, além do choque de gestão, uma articulação política em âmbito nacional para viabilizar os recursos necessários.
“71% da população de Várzea Grande não tem acesso a esse serviço. Para resolver essa situação, será necessário muito dinheiro, pois essa situação de Várzea Grande não será resolvida com milhões, aqui serão necessários bilhões. O estudo fala em investimentos de R$ 2 a R$ 3 bilhões, mas isso pode ser ainda maior, porque praticamente não há infraestrutura adequada na cidade”, afirmou.
Os dados citados constam de levantamento técnico realizado pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (FIPE), que projeta uma agenda de investimentos entre R$ 2,03 bilhões e R$ 3,20 bilhões, com metas de execução até 2060.
Conforme o levantamento, para atingir a meta de universalização de 90% até 2033, será necessário ampliar a rede de coleta de esgoto de 403 quilômetros para 1.584 quilômetros, quase quatro vezes a extensão atual.
“É preciso escavar Várzea Grande inteira. Em alguns bairros, a água até chega, mas não há condições de distribuí-la adequadamente porque a rede e o encanamento não prestam. Está tudo deteriorado, rompido”, asseverou o presidente.
A realização da audiência pública corresponde à sétima etapa do cronograma apresentado pela Prefeitura de Várzea Grande. A próxima fase será o encaminhamento do Plano Municipal de Saneamento Básico à Câmara Municipal, onde deverá ser analisado para posterior aprovação e transformação em lei.
“Com o estudo avançando e, principalmente, com esse diagnóstico do saneamento básico sendo encaminhado à Câmara Municipal, nós passamos a ter mais segurança jurídica para acompanhar de perto todo esse processo e para que o plano seja aprovado e transformado em lei. É fundamental que esse planejamento se torne uma política de Estado, que não dependa de quem esteja à frente da Prefeitura, porque o saneamento básico é uma necessidade permanente da população”, pontuou a prefeita Flávia Moretti.
Sem água
Ainda de acordo com o estudo, apenas 53,88% dos domicílios são efetivamente atendidos pela rede de abastecimento de água. A precariedade do serviço se reflete no cotidiano da população: 73,9% dos moradores relatam sofrer com a falta de água diária ou semanalmente.
Entre eles está Benedito da Costa, aposentado e morador do bairro Mangabeira, na região do Jardim dos Estados.
“É uma preocupação de muito tempo. A gente paga pela água, e eles mandam o caminhão-pipa toda terça e toda sexta-feira. E não é só para mim, é para os moradores do bairro. São duas cargas de água, que são suficientes para passar a semana. Lá, a gente faz o que pode. Se você tiver uma caneca de água, a gente divide essa caneca com a família inteira. Eu já estou com mais de 60 anos e tenho experiência de vida, por isso peço, prefeita, ajude o povo de lá. Resolva esse problema da água para nós. É só isso que nós queremos”, declarou.
Mesa Técnica
A busca por soluções para os problemas históricos de saneamento de Várzea Grande já é fruto de mesa técnica do TCE-MT. Requerida pela Prefeitura, a mesa foi aberta em dezembro de 2025 com o objetivo de construir uma solução técnico-jurídica para o contrato firmado com o Consórcio Lumevix, responsável pela implantação do Sistema de Esgotamento Sanitário da Sub-Bacia 02, que inclui a Estação de Tratamento de Esgoto Santa Maria (ETE Santa Maria).
Contratadas em 2016, com prazo de conclusão de 12 meses, as obras permanecem paralisadas após quase nove anos, em razão de disputas judiciais, reprogramações financeiras, entraves ambientais e baixa evolução física.
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