Várzea Grande
Secretaria de Obras detalha ocupação do anel viário em proposta aprovada
Várzea Grande
Entre os objetivos estão a melhoria da fluidez do tráfego, a criação de rotas alternativas para acesso ao aeroporto e a integração das regiões leste, central e norte de Várzea Grande
A Conferência da Cidade de Várzea Grande aprovou uma proposta significativa de ampliação viária que tem como foco aprimorar a mobilidade urbana e integrar regiões estratégicas do Município. Essa medida está alinhada às diretrizes do Plano Diretor e à Lei Complementar Municipal nº 4.701/2021, que orientam o ordenamento territorial e o desenvolvimento sustentável da cidade.
Entre os objetivos principais da proposta estão a melhoria da fluidez do tráfego, a criação de rotas alternativas para acesso ao Aeroporto Internacional Marechal Rondon e a integração das regiões leste, central e norte de Várzea Grande, áreas que abrigam polos educacionais, serviços públicos e um intenso fluxo de trabalhadores e estudantes. A proposta foi levada ao debate e ao conhecimento por meio da Secretaria de Viação e Obras.
INTERVENÇÕES PREVISTAS:
• Avenida São Gonçalo: Ampliação para 24 metros de largura em um trecho de 1,4 km, com ocupação de cerca de 3,4 hectares. A via será adequada ao padrão de avenida arterial para facilitar o escoamento de tráfego de média e longa distância.
• Avenida Governador João Ponce de Arruda: Execução de 36 metros de via em um trecho de 2,17 km. A requalificação inclui faixas exclusivas para transporte coletivo, ciclovias e calçadas acessíveis, seguindo o conceito de mobilidade urbana sustentável.
• Nova área administrativa no bairro Cristo Rei: Aproximadamente 4,8 hectares, atualmente ocupados por campos de futebol amador, serão destinados à construção de edificações para atendimento técnico-administrativo da Prefeitura. A iniciativa visa descentralizar os serviços públicos e facilitar o acesso da população local.
DESENVOLVIMENTO URBANO COM FOCO EM INTEGRAÇÃO – A região norte, que concentra investimentos em centros tecnológicos e unidades de ensino superior, é apontada como uma nova centralidade urbana em formação. Para superar desafios de conectividade, a proposta reduz a dependência da Avenida da FEB como via principal para o aeroporto e Cuiabá.
Com a inauguração recente da ponte Sarita Baracat, novas conexões viárias ganham destaque, e o projeto aproveita essa infraestrutura para reorganizar o tráfego com segurança e sustentabilidade.
OCUPAÇÃO DE ÁREAS NO ANEL VIÁRIO – A ampliação será realizada com a ocupação de aproximadamente 3,4 hectares de áreas públicas ao longo do anel viário, conforme previsto no Plano Diretor. Essa estratégia permite a adequação da infraestrutura sem necessidade de desapropriações, utilizando áreas já pertencentes ao poder público para implantação de equipamentos urbanos e ampliação da malha viária.
Esse modelo proporciona maior agilidade na execução das obras e reduz os impactos financeiros para o município.
COMPROMISSO COM MOBILIDADE E QUALIDADE DE VIDA – As intervenções aprovadas foram planejadas com base em critérios técnicos que consideram crescimento populacional, segurança de pedestres e ciclistas, acessibilidade universal e integração com o transporte coletivo. O projeto está em conformidade com o planejamento urbano municipal e reforça o compromisso com a melhoria contínua da infraestrutura e da qualidade de vida em Várzea Grande.
Várzea Grande
Sérgio Ricardo defende “choque de gestão” para resolver caos da falta de água em Várzea Grande
Foto: Alair Ribeiro/TCE-MT
Ao defender um “choque de gestão” para enfrentar o caos de décadas no abastecimento de água e no esgotamento sanitário de Várzea Grande, o presidente do Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT), conselheiro Sérgio Ricardo, destacou que a transformação do cenário do saneamento básico do município dependerá de investimentos na casa dos bilhões e de articulação política para garantir os recursos necessários.
A defesa do presidente foi feita durante audiência pública realizada no Ginásio Fiotão, nesta quarta-feira (12), para discutir a atualização do Plano Municipal de Saneamento Básico (PMSB) e a modelagem da concessão dos serviços de abastecimento de água do município.
“Eu faço questão de estar aqui hoje porque entendo que o futuro de Várzea Grande, a segunda maior cidade do estado, é de interesse de todos nós. Eu não estou aqui só porque sou conselheiro ou porque sou presidente do Tribunal de Contas. Estou aqui porque sou mato-grossense”, declarou.
Na ocasião, Sérgio Ricardo salientou que o município enfrenta um cenário de abandono histórico no saneamento e que, para alcançar a universalização dos serviços e reverter índices críticos, como a perda de quase 60% da água produzida e a cobertura de esgoto inferior a 29%, será necessário, além do choque de gestão, uma articulação política em âmbito nacional para viabilizar os recursos necessários.
“71% da população de Várzea Grande não tem acesso a esse serviço. Para resolver essa situação, será necessário muito dinheiro, pois essa situação de Várzea Grande não será resolvida com milhões, aqui serão necessários bilhões. O estudo fala em investimentos de R$ 2 a R$ 3 bilhões, mas isso pode ser ainda maior, porque praticamente não há infraestrutura adequada na cidade”, afirmou.
Os dados citados constam de levantamento técnico realizado pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (FIPE), que projeta uma agenda de investimentos entre R$ 2,03 bilhões e R$ 3,20 bilhões, com metas de execução até 2060.
Conforme o levantamento, para atingir a meta de universalização de 90% até 2033, será necessário ampliar a rede de coleta de esgoto de 403 quilômetros para 1.584 quilômetros, quase quatro vezes a extensão atual.
“É preciso escavar Várzea Grande inteira. Em alguns bairros, a água até chega, mas não há condições de distribuí-la adequadamente porque a rede e o encanamento não prestam. Está tudo deteriorado, rompido”, asseverou o presidente.
A realização da audiência pública corresponde à sétima etapa do cronograma apresentado pela Prefeitura de Várzea Grande. A próxima fase será o encaminhamento do Plano Municipal de Saneamento Básico à Câmara Municipal, onde deverá ser analisado para posterior aprovação e transformação em lei.
“Com o estudo avançando e, principalmente, com esse diagnóstico do saneamento básico sendo encaminhado à Câmara Municipal, nós passamos a ter mais segurança jurídica para acompanhar de perto todo esse processo e para que o plano seja aprovado e transformado em lei. É fundamental que esse planejamento se torne uma política de Estado, que não dependa de quem esteja à frente da Prefeitura, porque o saneamento básico é uma necessidade permanente da população”, pontuou a prefeita Flávia Moretti.
Sem água
Ainda de acordo com o estudo, apenas 53,88% dos domicílios são efetivamente atendidos pela rede de abastecimento de água. A precariedade do serviço se reflete no cotidiano da população: 73,9% dos moradores relatam sofrer com a falta de água diária ou semanalmente.
Entre eles está Benedito da Costa, aposentado e morador do bairro Mangabeira, na região do Jardim dos Estados.
“É uma preocupação de muito tempo. A gente paga pela água, e eles mandam o caminhão-pipa toda terça e toda sexta-feira. E não é só para mim, é para os moradores do bairro. São duas cargas de água, que são suficientes para passar a semana. Lá, a gente faz o que pode. Se você tiver uma caneca de água, a gente divide essa caneca com a família inteira. Eu já estou com mais de 60 anos e tenho experiência de vida, por isso peço, prefeita, ajude o povo de lá. Resolva esse problema da água para nós. É só isso que nós queremos”, declarou.
Mesa Técnica
A busca por soluções para os problemas históricos de saneamento de Várzea Grande já é fruto de mesa técnica do TCE-MT. Requerida pela Prefeitura, a mesa foi aberta em dezembro de 2025 com o objetivo de construir uma solução técnico-jurídica para o contrato firmado com o Consórcio Lumevix, responsável pela implantação do Sistema de Esgotamento Sanitário da Sub-Bacia 02, que inclui a Estação de Tratamento de Esgoto Santa Maria (ETE Santa Maria).
Contratadas em 2016, com prazo de conclusão de 12 meses, as obras permanecem paralisadas após quase nove anos, em razão de disputas judiciais, reprogramações financeiras, entraves ambientais e baixa evolução física.
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