Várzea Grande
Recital de violinos emociona público na Orla Alameda e fortalece vocação do Centro Cultural como espaço da comunidade
Várzea Grande
O Centro Cultural da Orla Alameda, em Várzea Grande, foi palco de uma noite de música, emoção e valorização da cultura nesta terça-feira (30). O espaço recebeu o recital semestral de violinos dos alunos da Escola Municipal José Leite de Moraes, reunindo familiares, amigos e a comunidade para prestigiar o resultado do trabalho desenvolvido ao longo do semestre pelo projeto de musicalização.
A apresentação foi conduzida pelo professor e idealizador do projeto, Odenil Seba, que há duas décadas ensina violino e saxofone a crianças e adolescentes da unidade escolar. Segundo ele, o recital representa o encerramento de um ciclo de aprendizado e a oportunidade de os estudantes demonstrarem tudo o que desenvolveram durante os últimos meses.
“O recital é o coroamento de todo o trabalho realizado durante o semestre. É o momento em que convidamos pais, familiares e amigos para conhecerem a evolução das crianças e celebrarem esse processo de aprendizagem”, destacou.
O projeto atende estudantes com idades entre 8 e 17 anos e utiliza como base o Método Suzuki, reconhecido mundialmente por priorizar o desenvolvimento da percepção musical antes da leitura de partituras.
“Assim como a criança aprende a falar ouvindo as pessoas ao seu redor, ela também aprende música ouvindo. Primeiro desenvolvemos a sensibilidade auditiva e, depois, introduzimos a leitura musical. Esse processo torna o aprendizado mais natural e prazeroso”, explicou o professor.
Além dos alunos da Escola Municipal José Leite de Moraes, o projeto também atende estudantes da Escola Municipal Domingos Sávio, que permaneceram nas aulas de música mesmo após a transferência de unidade.
Ao longo do desenvolvimento do projeto, os estudantes passam a participar de apresentações escolares e eventos culturais até conquistarem experiência suficiente para integrar a Orquestra de Violinos da escola, responsável por representar a instituição em apresentações oficiais.
Centro Cultural de portas abertas para a cultura
A realização do recital também reforça a proposta do Centro Cultural da Orla Alameda como um espaço voltado ao fortalecimento da produção artística e cultural de Várzea Grande.
A superintendente de Cultura, Lu Arruda, destacou que o local está disponível para artistas, grupos, coletivos e produtores culturais interessados em promover atividades voltadas à comunidade.
“O Centro Cultural da Orla Alameda está aberto a qualquer cidadão ou grupo que desenvolva ações culturais no município. Basta procurar a Superintendência de Cultura, verificar a disponibilidade de data e apresentar o projeto para avaliação. Após essa análise, fazemos todo o acompanhamento necessário para que o evento aconteça da melhor forma possível”, explicou.
Segundo Lu Arruda, a apresentação musical representa exatamente a proposta do Centro Cultural: incentivar projetos sociais, democratizar o acesso à cultura e ampliar as oportunidades para artistas e educadores.
“O professor Odenil nos procurou apresentando esse projeto desenvolvido na escola. Antes, esse recital acontecia apenas dentro da unidade escolar, porque ele não encontrava outro espaço adequado. Com o Centro Cultural aberto, conseguimos acolher essa iniciativa e oferecer um ambiente preparado para receber a comunidade. Queremos que outras pessoas também saibam que este espaço está disponível para promover eventos culturais, artísticos e de lazer”, ressaltou.
A Prefeitura de Várzea Grande, por meio da Secretaria Municipal de Educação, Cultura, Esporte e Lazer (SMECEL), reforça que o Centro Cultural da Orla Alameda está à disposição da população. Artistas, instituições, coletivos culturais e produtores interessados em realizar exposições, apresentações musicais, lançamentos de livros, oficinas, espetáculos e outras atividades podem procurar a Superintendência de Cultura para obter informações sobre o uso do espaço e os procedimentos necessários para o agendamento de eventos.
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Várzea Grande
Sérgio Ricardo defende “choque de gestão” para resolver caos da falta de água em Várzea Grande
Foto: Alair Ribeiro/TCE-MT
Ao defender um “choque de gestão” para enfrentar o caos de décadas no abastecimento de água e no esgotamento sanitário de Várzea Grande, o presidente do Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT), conselheiro Sérgio Ricardo, destacou que a transformação do cenário do saneamento básico do município dependerá de investimentos na casa dos bilhões e de articulação política para garantir os recursos necessários.
A defesa do presidente foi feita durante audiência pública realizada no Ginásio Fiotão, nesta quarta-feira (12), para discutir a atualização do Plano Municipal de Saneamento Básico (PMSB) e a modelagem da concessão dos serviços de abastecimento de água do município.
“Eu faço questão de estar aqui hoje porque entendo que o futuro de Várzea Grande, a segunda maior cidade do estado, é de interesse de todos nós. Eu não estou aqui só porque sou conselheiro ou porque sou presidente do Tribunal de Contas. Estou aqui porque sou mato-grossense”, declarou.
Na ocasião, Sérgio Ricardo salientou que o município enfrenta um cenário de abandono histórico no saneamento e que, para alcançar a universalização dos serviços e reverter índices críticos, como a perda de quase 60% da água produzida e a cobertura de esgoto inferior a 29%, será necessário, além do choque de gestão, uma articulação política em âmbito nacional para viabilizar os recursos necessários.
“71% da população de Várzea Grande não tem acesso a esse serviço. Para resolver essa situação, será necessário muito dinheiro, pois essa situação de Várzea Grande não será resolvida com milhões, aqui serão necessários bilhões. O estudo fala em investimentos de R$ 2 a R$ 3 bilhões, mas isso pode ser ainda maior, porque praticamente não há infraestrutura adequada na cidade”, afirmou.
Os dados citados constam de levantamento técnico realizado pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (FIPE), que projeta uma agenda de investimentos entre R$ 2,03 bilhões e R$ 3,20 bilhões, com metas de execução até 2060.
Conforme o levantamento, para atingir a meta de universalização de 90% até 2033, será necessário ampliar a rede de coleta de esgoto de 403 quilômetros para 1.584 quilômetros, quase quatro vezes a extensão atual.
“É preciso escavar Várzea Grande inteira. Em alguns bairros, a água até chega, mas não há condições de distribuí-la adequadamente porque a rede e o encanamento não prestam. Está tudo deteriorado, rompido”, asseverou o presidente.
A realização da audiência pública corresponde à sétima etapa do cronograma apresentado pela Prefeitura de Várzea Grande. A próxima fase será o encaminhamento do Plano Municipal de Saneamento Básico à Câmara Municipal, onde deverá ser analisado para posterior aprovação e transformação em lei.
“Com o estudo avançando e, principalmente, com esse diagnóstico do saneamento básico sendo encaminhado à Câmara Municipal, nós passamos a ter mais segurança jurídica para acompanhar de perto todo esse processo e para que o plano seja aprovado e transformado em lei. É fundamental que esse planejamento se torne uma política de Estado, que não dependa de quem esteja à frente da Prefeitura, porque o saneamento básico é uma necessidade permanente da população”, pontuou a prefeita Flávia Moretti.
Sem água
Ainda de acordo com o estudo, apenas 53,88% dos domicílios são efetivamente atendidos pela rede de abastecimento de água. A precariedade do serviço se reflete no cotidiano da população: 73,9% dos moradores relatam sofrer com a falta de água diária ou semanalmente.
Entre eles está Benedito da Costa, aposentado e morador do bairro Mangabeira, na região do Jardim dos Estados.
“É uma preocupação de muito tempo. A gente paga pela água, e eles mandam o caminhão-pipa toda terça e toda sexta-feira. E não é só para mim, é para os moradores do bairro. São duas cargas de água, que são suficientes para passar a semana. Lá, a gente faz o que pode. Se você tiver uma caneca de água, a gente divide essa caneca com a família inteira. Eu já estou com mais de 60 anos e tenho experiência de vida, por isso peço, prefeita, ajude o povo de lá. Resolva esse problema da água para nós. É só isso que nós queremos”, declarou.
Mesa Técnica
A busca por soluções para os problemas históricos de saneamento de Várzea Grande já é fruto de mesa técnica do TCE-MT. Requerida pela Prefeitura, a mesa foi aberta em dezembro de 2025 com o objetivo de construir uma solução técnico-jurídica para o contrato firmado com o Consórcio Lumevix, responsável pela implantação do Sistema de Esgotamento Sanitário da Sub-Bacia 02, que inclui a Estação de Tratamento de Esgoto Santa Maria (ETE Santa Maria).
Contratadas em 2016, com prazo de conclusão de 12 meses, as obras permanecem paralisadas após quase nove anos, em razão de disputas judiciais, reprogramações financeiras, entraves ambientais e baixa evolução física.
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