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Prefeita garante permanência dos profissionais até nova tratativa junto ao Ministério da Saúde  

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“Vocês são a ponta daquela mãe desesperada, que muitas vezes deixa de trabalhar para levar o filho à unidade de saúde. O atendimento de vocês é essencial para a população”, destacou a prefeita

A prefeita de Várzea Grande, Flávia Moretti (PL), realizou, na tarde desta segunda-feira, 30, uma reunião com médicos do programa Mais Médicos para esclarecer o pedido de descredenciamento de vagas na modalidade de coparticipação. Moretti foi enfática ao afirmar que nenhum profissional será desligado neste momento. Segundo ela, os médicos permanecerão atuando normalmente nas unidades básicas de saúde até que haja uma nova discussão com o Ministério da Saúde.

“Vocês são a ponta daquela mãe desesperada, que muitas vezes deixa de trabalhar para levar o filho à unidade de saúde. O atendimento de vocês é essencial para a população”, destacou a prefeita.

Atualmente, o Município conta com 25 profissionais vinculados ao programa, sendo 15 na modalidade de coparticipação, custeados pela própria Prefeitura, e 10 financiados integralmente pelo Ministério da Saúde.

O encontro contou com a presença da secretária municipal de Saúde, Deisi Bocalon, da superintendente da Atenção Primária, Janaína Pinheiro e da futura secretária da pasta, Valéria Nogueira.

ENTENDA – O pedido de descredenciamento das 15 vagas foi motivado por uma análise técnica, administrativa e financeira. Apenas com esses profissionais, o custo mensal chega a mais de R$ 253 mil, com um valor individual de R$ 16.621,63, incluindo bolsa e benefícios.

A secretária municipal de Saúde, Deise Bocalon, explicou que a medida inicial teve como principal objetivo a redução de custos para o Município, especialmente diante do impacto da folha de pagamento da pasta.

Segundo ela, o foco da análise foi justamente os profissionais na modalidade de coparticipação, que não são integralmente custeados pelo Ministério da Saúde.

“A Secretaria buscou alternativas para reduzir custos, principalmente em relação aos médicos que estão na coparticipação. Esse foi o principal ponto de análise, considerando que a folha da saúde do Município é muito alta”, pontuou.

De acordo com a gestão municipal, a contratação direta de médicos pode representar economia significativa, permitindo a aplicação dos recursos em outras áreas prioritárias da saúde, como a aquisição de insumos.

Outro ponto considerado foi a limitação administrativa do modelo. Como os profissionais possuem vínculo direto com o Governo Federal, o Município tem restrições na gestão plena desses médicos.

Apesar disso, a futura secretária de Saúde, Valéria Nogueira, informou que já iniciou diálogo com o Ministério da Saúde para buscar alternativas.

Segundo ela, o processo de descredenciamento não é imediato e pode levar até oito meses, pois envolve a realocação dos profissionais para outros municípios que tenham interesse pelo programa.

“Estamos buscando uma solução junto ao Ministério para a inclusão desses médicos de forma mais viável para o Município”, explicou.

A prefeita também ressaltou que há interesse da gestão em manter, e até ampliar, o número de profissionais vinculados ao programa, principalmente pela importância do financiamento federal.

Ela destacou que os recursos atualmente comprometidos com a coparticipação poderiam ser redirecionados para fortalecer a rede municipal.

ESCLARECIDO – Entre os médicos presentes, o clima após a reunião foi de maior tranquilidade. O médico Thiago Oliveira, que atua na unidade do Cristo Rei há mais de dois anos, afirmou que o encontro foi fundamental para esclarecer dúvidas.

“Quando recebemos o comunicado, ficamos sem entender o que estava acontecendo. Isso gerou muita insegurança. Agora está mais claro, mais tranquilo, e conseguimos até orientar melhor a população”, relatou.

Já o médico Natanael da Costa, que atua há dois anos na unidade do bairro 24 de Dezembro, destacou o impacto da notícia entre os pacientes, especialmente os idosos.

“Fiquei muito triste, principalmente pelos meus pacientes, em maioria idosos. Muitos ficaram preocupados com a possibilidade de descontinuidade do atendimento uma vez que eles já têm uma certa afinidade com o médico”, afirmou.

Ele ainda ressaltou a importância da reavaliação da decisão e da busca por mais recursos para o Município. “Espero que essa situação seja revista e que o Município consiga ampliar os recursos para manter o atendimento à população”, completou.

A Secretaria Municipal de Saúde reforçou que o processo segue os trâmites legais e que, enquanto não há definição, todos os profissionais do programa continuarão atuando normalmente.

Fonte: Prefeitura de Várzea Grande – MT

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Várzea Grande

Sérgio Ricardo defende “choque de gestão” para resolver caos da falta de água em Várzea Grande

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Foto: Alair Ribeiro/TCE-MT

Ao defender um “choque de gestão” para enfrentar o caos de décadas no abastecimento de água e no esgotamento sanitário de Várzea Grande, o presidente do Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT), conselheiro Sérgio Ricardo, destacou que a transformação do cenário do saneamento básico do município dependerá de investimentos na casa dos bilhões e de articulação política para garantir os recursos necessários.

A defesa do presidente foi feita durante audiência pública realizada no Ginásio Fiotão, nesta quarta-feira (12), para discutir a atualização do Plano Municipal de Saneamento Básico (PMSB) e a modelagem da concessão dos serviços de abastecimento de água do município.

“Eu faço questão de estar aqui hoje porque entendo que o futuro de Várzea Grande, a segunda maior cidade do estado, é de interesse de todos nós. Eu não estou aqui só porque sou conselheiro ou porque sou presidente do Tribunal de Contas. Estou aqui porque sou mato-grossense”, declarou.

Na ocasião, Sérgio Ricardo salientou que o município enfrenta um cenário de abandono histórico no saneamento e que, para alcançar a universalização dos serviços e reverter índices críticos, como a perda de quase 60% da água produzida e a cobertura de esgoto inferior a 29%, será necessário, além do choque de gestão, uma articulação política em âmbito nacional para viabilizar os recursos necessários.

“71% da população de Várzea Grande não tem acesso a esse serviço. Para resolver essa situação, será necessário muito dinheiro, pois essa situação de Várzea Grande não será resolvida com milhões, aqui serão necessários bilhões. O estudo fala em investimentos de R$ 2 a R$ 3 bilhões, mas isso pode ser ainda maior, porque praticamente não há infraestrutura adequada na cidade”, afirmou.

Os dados citados constam de levantamento técnico realizado pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (FIPE), que projeta uma agenda de investimentos entre R$ 2,03 bilhões e R$ 3,20 bilhões, com metas de execução até 2060.

Conforme o levantamento, para atingir a meta de universalização de 90% até 2033, será necessário ampliar a rede de coleta de esgoto de 403 quilômetros para 1.584 quilômetros, quase quatro vezes a extensão atual.

“É preciso escavar Várzea Grande inteira. Em alguns bairros, a água até chega, mas não há condições de distribuí-la adequadamente porque a rede e o encanamento não prestam. Está tudo deteriorado, rompido”, asseverou o presidente.

A realização da audiência pública corresponde à sétima etapa do cronograma apresentado pela Prefeitura de Várzea Grande. A próxima fase será o encaminhamento do Plano Municipal de Saneamento Básico à Câmara Municipal, onde deverá ser analisado para posterior aprovação e transformação em lei.

“Com o estudo avançando e, principalmente, com esse diagnóstico do saneamento básico sendo encaminhado à Câmara Municipal, nós passamos a ter mais segurança jurídica para acompanhar de perto todo esse processo e para que o plano seja aprovado e transformado em lei. É fundamental que esse planejamento se torne uma política de Estado, que não dependa de quem esteja à frente da Prefeitura, porque o saneamento básico é uma necessidade permanente da população”, pontuou a prefeita Flávia Moretti.

Sem água

Ainda de acordo com o estudo, apenas 53,88% dos domicílios são efetivamente atendidos pela rede de abastecimento de água. A precariedade do serviço se reflete no cotidiano da população: 73,9% dos moradores relatam sofrer com a falta de água diária ou semanalmente.

Entre eles está Benedito da Costa, aposentado e morador do bairro Mangabeira, na região do Jardim dos Estados.

“É uma preocupação de muito tempo. A gente paga pela água, e eles mandam o caminhão-pipa toda terça e toda sexta-feira. E não é só para mim, é para os moradores do bairro. São duas cargas de água, que são suficientes para passar a semana. Lá, a gente faz o que pode. Se você tiver uma caneca de água, a gente divide essa caneca com a família inteira. Eu já estou com mais de 60 anos e tenho experiência de vida, por isso peço, prefeita, ajude o povo de lá. Resolva esse problema da água para nós. É só isso que nós queremos”, declarou.

Mesa Técnica

A busca por soluções para os problemas históricos de saneamento de Várzea Grande já é fruto de mesa técnica do TCE-MT. Requerida pela Prefeitura, a mesa foi aberta em dezembro de 2025 com o objetivo de construir uma solução técnico-jurídica para o contrato firmado com o Consórcio Lumevix, responsável pela implantação do Sistema de Esgotamento Sanitário da Sub-Bacia 02, que inclui a Estação de Tratamento de Esgoto Santa Maria (ETE Santa Maria).

Contratadas em 2016, com prazo de conclusão de 12 meses, as obras permanecem paralisadas após quase nove anos, em razão de disputas judiciais, reprogramações financeiras, entraves ambientais e baixa evolução física.

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