Várzea Grande
Mobilidade urbana marca presença em audiência pública e reforça ações para melhorar transporte em Várzea Grande
Várzea Grande
Encontro proposto pelo vereador Caio Cordeiro teve ampla participação popular, destacou falhas no sistema e apresentou ações da prefeitura para melhorar o serviço.
A audiência pública que debateu a situação do transporte coletivo em Várzea Grande, realizada na noite desta quarta-feira (25) na Câmara Municipal, reuniu autoridades, lideranças comunitárias e usuários do sistema em um encontro marcado pela ampla participação popular e pela cobrança por melhorias no serviço. A iniciativa foi proposta pelo vereador Caio Cordeiro, por meio do Requerimento nº 6/2026, aprovado com 14 votos favoráveis.
Com presença expressiva da população, o principal objetivo do encontro foi ouvir diretamente os usuários do transporte público, que relataram problemas recorrentes como atrasos, superlotação, condições precárias dos veículos e falta de climatização. Atualmente, mais de 29 mil pessoas dependem diariamente do sistema no município, o que reforça a urgência de soluções efetivas.
Representando a Secretaria de Serviços Públicos e Mobilidade Urbana, o coordenador Cidomar Arruda avaliou a audiência de forma positiva e destacou a importância do diálogo direto com a população.
“Foi um momento muito importante, em que pudemos estar lado a lado com os usuários, ouvindo de perto suas demandas, reclamações e sugestões. Muitos dos problemas já eram de conhecimento da gestão, mas a audiência fortalece esse diálogo e nos permite também apresentar as medidas que já estão sendo adotadas pela Prefeitura para melhorar o serviço. A nossa expectativa é avançar cada vez mais e garantir um transporte mais digno para a população”, afirmou.
Já o secretário municipal de Serviços Públicos e Mobilidade Urbana, Gerson Scarton, ressaltou que as demandas apresentadas durante a audiência estão alinhadas com o trabalho técnico que já vem sendo desenvolvido pela pasta.
“Essa audiência vem ao encontro de um trabalho que a secretaria já realiza desde o início da gestão, que é o levantamento dos principais problemas do sistema, como falhas nos horários, nas linhas e na estrutura oferecida aos usuários. Temos atuado com base nas denúncias recebidas pela ouvidoria, pela Câmara e pela própria população, promovendo notificações e cobrando respostas rápidas da concessionária. Já ultrapassamos 80 notificações por irregularidades, principalmente relacionadas a atrasos e falhas operacionais. Além disso, avançamos na instalação de mais de 110 coberturas de ônibus em mais de 30 bairros, o que garante mais conforto aos usuários enquanto aguardam o transporte”, explicou.
O secretário também destacou que o trabalho de fiscalização segue intensificado, com atuação contínua dos agentes de trânsito e da equipe técnica, enquanto a gestão busca soluções estruturais para melhorar a frota e a qualidade do serviço prestado pela concessionária.
Autor da proposta, o vereador Caio Cordeiro enfatizou que a audiência pública cumpriu seu papel de aproximar o poder público da realidade vivida pela população.
“Nosso objetivo foi dar voz a quem realmente utiliza o transporte coletivo todos os dias. A grande participação popular mostra o quanto esse tema é sensível e urgente. Saímos daqui com um diagnóstico ainda mais claro dos problemas e com o compromisso de buscar, junto aos órgãos responsáveis, soluções concretas que tragam melhorias reais para o sistema. O transporte público impacta diretamente a vida de milhares de trabalhadores, estudantes e famílias, e precisa ser tratado como prioridade”, destacou.
A audiência também contou com a participação de representantes da Prefeitura, órgãos de regulação, Ministério Público, lideranças comunitárias e convidados ligados ao setor. A concessionária responsável pelo serviço no município também foi convidada a participar do debate.
Ao final, o encontro reforçou a necessidade de continuidade nas discussões e no acompanhamento das ações propostas, com foco em garantir um transporte coletivo mais eficiente, acessível e digno para a população de Várzea Grande.
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Várzea Grande
Sérgio Ricardo defende “choque de gestão” para resolver caos da falta de água em Várzea Grande
Foto: Alair Ribeiro/TCE-MT
Ao defender um “choque de gestão” para enfrentar o caos de décadas no abastecimento de água e no esgotamento sanitário de Várzea Grande, o presidente do Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT), conselheiro Sérgio Ricardo, destacou que a transformação do cenário do saneamento básico do município dependerá de investimentos na casa dos bilhões e de articulação política para garantir os recursos necessários.
A defesa do presidente foi feita durante audiência pública realizada no Ginásio Fiotão, nesta quarta-feira (12), para discutir a atualização do Plano Municipal de Saneamento Básico (PMSB) e a modelagem da concessão dos serviços de abastecimento de água do município.
“Eu faço questão de estar aqui hoje porque entendo que o futuro de Várzea Grande, a segunda maior cidade do estado, é de interesse de todos nós. Eu não estou aqui só porque sou conselheiro ou porque sou presidente do Tribunal de Contas. Estou aqui porque sou mato-grossense”, declarou.
Na ocasião, Sérgio Ricardo salientou que o município enfrenta um cenário de abandono histórico no saneamento e que, para alcançar a universalização dos serviços e reverter índices críticos, como a perda de quase 60% da água produzida e a cobertura de esgoto inferior a 29%, será necessário, além do choque de gestão, uma articulação política em âmbito nacional para viabilizar os recursos necessários.
“71% da população de Várzea Grande não tem acesso a esse serviço. Para resolver essa situação, será necessário muito dinheiro, pois essa situação de Várzea Grande não será resolvida com milhões, aqui serão necessários bilhões. O estudo fala em investimentos de R$ 2 a R$ 3 bilhões, mas isso pode ser ainda maior, porque praticamente não há infraestrutura adequada na cidade”, afirmou.
Os dados citados constam de levantamento técnico realizado pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (FIPE), que projeta uma agenda de investimentos entre R$ 2,03 bilhões e R$ 3,20 bilhões, com metas de execução até 2060.
Conforme o levantamento, para atingir a meta de universalização de 90% até 2033, será necessário ampliar a rede de coleta de esgoto de 403 quilômetros para 1.584 quilômetros, quase quatro vezes a extensão atual.
“É preciso escavar Várzea Grande inteira. Em alguns bairros, a água até chega, mas não há condições de distribuí-la adequadamente porque a rede e o encanamento não prestam. Está tudo deteriorado, rompido”, asseverou o presidente.
A realização da audiência pública corresponde à sétima etapa do cronograma apresentado pela Prefeitura de Várzea Grande. A próxima fase será o encaminhamento do Plano Municipal de Saneamento Básico à Câmara Municipal, onde deverá ser analisado para posterior aprovação e transformação em lei.
“Com o estudo avançando e, principalmente, com esse diagnóstico do saneamento básico sendo encaminhado à Câmara Municipal, nós passamos a ter mais segurança jurídica para acompanhar de perto todo esse processo e para que o plano seja aprovado e transformado em lei. É fundamental que esse planejamento se torne uma política de Estado, que não dependa de quem esteja à frente da Prefeitura, porque o saneamento básico é uma necessidade permanente da população”, pontuou a prefeita Flávia Moretti.
Sem água
Ainda de acordo com o estudo, apenas 53,88% dos domicílios são efetivamente atendidos pela rede de abastecimento de água. A precariedade do serviço se reflete no cotidiano da população: 73,9% dos moradores relatam sofrer com a falta de água diária ou semanalmente.
Entre eles está Benedito da Costa, aposentado e morador do bairro Mangabeira, na região do Jardim dos Estados.
“É uma preocupação de muito tempo. A gente paga pela água, e eles mandam o caminhão-pipa toda terça e toda sexta-feira. E não é só para mim, é para os moradores do bairro. São duas cargas de água, que são suficientes para passar a semana. Lá, a gente faz o que pode. Se você tiver uma caneca de água, a gente divide essa caneca com a família inteira. Eu já estou com mais de 60 anos e tenho experiência de vida, por isso peço, prefeita, ajude o povo de lá. Resolva esse problema da água para nós. É só isso que nós queremos”, declarou.
Mesa Técnica
A busca por soluções para os problemas históricos de saneamento de Várzea Grande já é fruto de mesa técnica do TCE-MT. Requerida pela Prefeitura, a mesa foi aberta em dezembro de 2025 com o objetivo de construir uma solução técnico-jurídica para o contrato firmado com o Consórcio Lumevix, responsável pela implantação do Sistema de Esgotamento Sanitário da Sub-Bacia 02, que inclui a Estação de Tratamento de Esgoto Santa Maria (ETE Santa Maria).
Contratadas em 2016, com prazo de conclusão de 12 meses, as obras permanecem paralisadas após quase nove anos, em razão de disputas judiciais, reprogramações financeiras, entraves ambientais e baixa evolução física.
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