Várzea Grande
Mercadinho do ETA transforma matemática em aprendizado na prática e anima alunos da EMEB Manoel João de Arruda
Várzea Grande
A matemática ganhou um novo jeito de ser aprendida na EMEB Manoel João de Arruda, em Várzea Grande. Nesta última sexta-feira (21), os alunos do programa ETA participaram da inauguração do “Mercadinho do ETA”, uma iniciativa criada pelos professores para transformar as aulas em uma experiência prática, divertida e próxima da realidade das crianças.
O projeto nasceu a partir da observação da professora de Oficina de Matemática, Bildinete de Almeida, sobre as dificuldades apresentadas pelos estudantes. Ao perceber que muitos tinham dificuldade para realizar operações básicas, ela decidiu buscar uma maneira diferente de ensinar.
“Quando surgiu essa ideia da gente resgatar o aprendizado de cada aluno com dificuldade, eu percebi que eles estavam com muita defasagem. Aí eu falei: tem que ser uma coisa criativa para essas crianças gostarem da matemática. Então vamos fazer um projeto, o que vocês acham da gente montar um mercadinho?”, contou a professora.
A proposta foi abraçada pelos estudantes, que participaram da preparação durante pouco mais de um mês. Para montar o espaço, eles trouxeram embalagens e produtos de casa, enquanto os pais e a equipe escolar também colaboraram com a iniciativa.
No mercadinho, os alunos recebem dinheiro fictício e precisam fazer contas para realizar as compras. A atividade envolve operações de adição, subtração, multiplicação e divisão, além da leitura de panfletos e identificação de preços. Dessa forma, o conteúdo trabalhado em sala passa a fazer parte de uma situação que as crianças reconhecem no cotidiano.
“Eles somaram, dividiram, subtraíram. Cada um recebeu um valor aleatório. Até então, eles já estavam tão acostumados a comprar alguma coisa com Pix ou cartão que os pais não pegam mais dinheiro. Então eu trouxe essa ideia para eles conhecerem os números e começarem a trabalhar a tabuada de um jeito lúdico”, explicou Bildinete.
A diretora da unidade, Rosilene Guia de Almeida Pereira Leite, destaca que a expectativa dos alunos para a inauguração foi grande desde os primeiros dias. Segundo ela, os 62 estudantes matriculados no ETA participaram, de alguma forma, da construção do projeto.
“É muito vibrante ver as crianças com toda essa animação desde o primeiro dia que começaram a participar. A professora surgiu com a ideia de fazer uma simulação de compras e, dali, foi aumentando, criando a ideia até chegar ao mercadinho”, relatou.
A atividade também foi pensada de forma interdisciplinar. Embora tenha partido da professora de matemática, o projeto envolveu os professores de Língua Portuguesa, Educação Física e Dança, permitindo que diferentes habilidades fossem trabalhadas durante a preparação e a inauguração.
Mais do que ensinar contas, a experiência tem ajudado a desenvolver o raciocínio lógico dos estudantes. A diretora conta que já é possível perceber mudanças no comportamento e no desempenho de crianças que apresentavam dificuldades de aprendizagem.
“A gente vê como despertou o raciocínio lógico das crianças. Você passa por eles e pergunta alguma coisa e eles já querem responder, muitas vezes sem nem precisar fazer a conta. Eles vão pelo próprio raciocínio e muitas vezes acertam. Também temos alunos que estavam com defasagem e precisavam melhorar o desenvolvimento, e temos observado essa melhora”, afirmou Rosilene.
Para a diretora, o resultado também mostra a importância de professores que têm iniciativa e criatividade para encontrar novas formas de ensinar.
“Ela é muito criativa e tem disposição. Surgiu essa ideia, veio conversar com a articuladora, comigo e com os professores, e a gente deu a força que ela precisava. Trabalhamos em equipe e hoje estamos aqui inaugurando o Mercadinho do ETA”, destacou.
E a experiência não deve parar na inauguração. A intenção da professora é ampliar gradativamente o projeto e envolver toda a escola. A ideia é transformar o mercadinho em um espaço permanente de aprendizagem, com novas “lojas” e atividades desenvolvidas pelas diferentes turmas.
“A ideia é que o mercado continue funcionando gradativamente e vá ampliando. Quero envolver a escola toda”, adiantou Bildinete.
Assim, entre embalagens, panfletos, dinheiro de brincadeira e muitas contas, os estudantes descobrem que aprender matemática pode ir muito além do caderno e do quadro. No Mercadinho do ETA, cada compra vira uma oportunidade de aprender, raciocinar e ganhar confiança.
Galeria de Fotos (18 fotos)
Andre Luis / SECOM-VG Andre Luis / SECOM-VG
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Várzea Grande
Várzea Grande amplia inclusão e anuncia novas medidas para crianças neurodivergentes e PCDs
A noite desta segunda-feira (31) foi marcada por acolhimento, escuta e novas perspectivas para famílias de crianças neurodivergentes e pessoas com deficiência em Várzea Grande. Realizado no Complexo Esportivo Fiotão, o 1º Encontro Intersetorial com as Famílias Atípicas reuniu famílias, profissionais e representantes das áreas de Educação, Saúde e Assistência Social para apresentar avanços e novas ações voltadas à inclusão no município.
A prefeita Flávia Moretti destacou que a principal proposta da gestão é integrar as três áreas para garantir que as famílias tenham acesso aos serviços de forma mais simples e humanizada.
“Meu sonho é que as famílias atípicas tenham as três secretarias trabalhando juntas: Assistência Social, Saúde e Educação. É isso que estamos construindo. Cada passo que damos representa uma evolução e mostra que estamos avançando para garantir os direitos dessas crianças”, afirmou.
Entre as novidades está a prioridade de matrícula para crianças neurodivergentes e PCDs, que terão acesso ao processo de matrícula dez dias antes da abertura para os demais estudantes. A gestão também anunciou a criação de novas unidades para descentralizar o atendimento especializado e a implantação de salas de recursos multifuncionais nas escolas com maior número de estudantes desse público.
Outra mudança será a criação de um fluxo integrado de atendimento desde a matrícula. A proposta é reunir informações e relatórios da criança durante sua trajetória na rede municipal, garantindo que, ao seguir para a rede estadual, ela leve consigo o histórico necessário para dar continuidade ao atendimento.
“Vamos mudar desde o processo de matrícula. A criança vai ter seu histórico e todo o acompanhamento registrado. Isso é garantir o direito dela desde a entrada na escola”, explicou Flávia.
A proposta também prevê uma comunicação mais próxima entre Educação, Saúde e Assistência Social. Quando professores, coordenadores ou diretores identificarem que uma família precisa de apoio, a própria escola poderá acionar as secretarias responsáveis para encaminhar a demanda.
“Se a escola detectar que aquela família precisa de apoio da Saúde ou da Assistência Social, essas secretarias poderão ser acionadas. A escola será esse canal de comunicação para facilitar o acesso das famílias aos serviços”, destacou a prefeita.
A secretária de Educação, Cultura, Esporte e Lazer, Maria Fernanda Figueiredo, ressaltou que a construção das políticas públicas precisa partir da escuta das famílias.
“Quem conhece a dor da inclusão é a família que convive diariamente com essa criança. Eu não sou uma mãe atípica e, por mais que consiga dimensionar o tamanho do desafio, nunca vou sentir completamente o que vocês vivem. Por isso, preciso ouvir”, afirmou.
Maria Fernanda lembrou ainda que uma das primeiras ações da gestão foi buscar melhores condições para o atendimento especializado, com a transferência do João Ribeiro para uma sede própria.
Novidades na Saúde
Na área da Saúde, o secretário interino Michael Alves destacou a reestruturação do Centro Especializado em Reabilitação (CER), que passou a funcionar em um espaço com melhores condições de acessibilidade. O município também está construindo uma nova sede do serviço, com previsão de salas sensoriais, fisioterapia, ginásio e ambientes voltados ao desenvolvimento da autonomia.
Outra medida é a descentralização do atendimento, com a Unidade Descentralizada de Reabilitação (UDR) na região do São Mateus, aproximando os serviços das famílias que vivem nas regiões mais afastadas.
Famílias como parte da construção
O encontro também reforçou a importância da participação das famílias na construção das políticas públicas. Para Dina Toledo, presidente do Movimento das Famílias Atípicas de Várzea Grande, a presença dos responsáveis demonstra a importância do diálogo com a gestão.
“Entendemos que estamos sendo ouvidos, e a quantidade de famílias presentes aqui já demonstra a importância desse diálogo”, afirmou.
Atualmente, cerca de 2,3 mil crianças neurodivergentes e PCDs estão matriculadas na rede municipal, número que deve crescer nos próximos anos. Por isso, a prefeita reforçou que a informação precisa chegar a todas as famílias.
“A gente precisa chegar até essas famílias. Quando encontrarem outra família que não veio, levem a informação. Ela terá os mesmos direitos e as mesmas orientações”, pediu Flávia.
Mais do que apresentar novos serviços, o encontro no Fiotão reforçou o compromisso de construir uma rede de atendimento integrada, em que a criança seja acolhida desde a matrícula e tenha seus direitos acompanhados pelas áreas de Educação, Saúde e Assistência Social. O trabalho tem como ponto de partida a escuta das famílias e como objetivo garantir mais inclusão, cuidado e oportunidades.
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