Várzea Grande
Cinema imersivo leva história de Várzea Grande a alunos da rede municipal
Várzea Grande
Os alunos da Escola Municipal de Educação Básica (EMEB) Honorato Pedroso de Barros participaram, nesta quinta-feira (13), de uma sessão especial de cinema imersivo que teve como tema central o desenvolvimento e a história de Várzea Grande. A iniciativa faz parte do projeto “Planetário e Cinema Imersivo na Escola”, que utiliza projeções em 360 graus, som tridimensional e efeitos sensoriais para colocar o espectador no centro dos acontecimentos.
De acordo com a coordenadora de Programas e Projetos da Secretaria Municipal de Educação, Cultura, Esporte e Lazer (Smecel), Leyze Grecco, o projeto será desenvolvido no município até o dia 25 de setembro e contemplará quatro escolas da rede pública, beneficiando cerca de 2 mil estudantes.
“Essa atividade diferenciada proporciona a muitos estudantes o acesso à cultura e à tecnologia, uma vez que muitos ainda não tiveram a experiência de assistir a um filme de cinema, muito menos com essa tecnologia. Esse projeto vai transformar o olhar que as crianças têm sobre o universo em que vivem, desenvolvendo o sentimento de pertencimento, além de estimular a autonomia, o interesse científico e o reconhecimento de seu papel como cidadãos”, destacou.
Segundo o organizador da iniciativa, Umberto Magalhães, o formato itinerante busca aproximar a ciência e a tecnologia da rotina dos estudantes de maneira interativa.
“O projeto foi criado para integrar essa experiência ao contexto pedagógico e ampliar o acesso dos estudantes à ciência, à cultura e à tecnologia. Quando o aluno deixa de apenas ouvir uma explicação e passa a vivenciar o conteúdo em 360 graus, o aprendizado se torna mais significativo”, explicou.
Ele ressalta ainda que a proposta contribui para descentralizar o acesso a equipamentos culturais e científicos na região.
“Nem todos os estudantes têm a oportunidade de visitar um planetário, um museu ou um centro de divulgação científica. Com o projeto, é o planetário que vai até a escola e oferece gratuitamente uma experiência educativa de alto impacto”, completou.
A aluna do 3º ano, Ariely Stefanie Santos, participou da sessão de cinema imersivo e destacou como uma das partes mais interessantes do documentário o momento em que foram retratadas as igrejas de Várzea Grande.
“Não conhecia a história das igrejas e fiquei surpresa ao ver como elas eram no passado”, contou.
Já o aluno Lorenzo Pereira, também do 3º ano, disse que gostou especialmente do período que marcou o início da fundação de Várzea Grande e a relação com a Guerra do Paraguai.
Após a sessão, os alunos participaram de uma roda de conversa para compartilhar as experiências proporcionadas pelo cinema imersivo e comentar os fatos que mais chamaram a atenção durante a apresentação do documentário.
O cinema
A estrutura do cinema é composta por um domo inflável com projeção imersiva e equipamentos de som surround, transformando o espaço escolar em uma sala de cinema digital.
O projeto é realizado pelo Infinitte Planetário e Imersão, por meio do Sistema Nacional de Cultura e da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB), via Edital “Chão de Arte”, com apoio da Prefeitura de Várzea Grande e do Ministério da Cultura.
Criado em Várzea Grande em 2013, o Infinitte Planetário iniciou suas atividades públicas em 2014. Desde então, o projeto já alcançou mais de 150 mil pessoas em Mato Grosso, passando por escolas, centros comunitários e eventos culturais.
Agenda de apresentações
18 de agosto (terça-feira) – EMEB Aristides Pompeo de Campos
Endereço: Rua E, Quadra 22, s/n – Bairro Cidade de Deus.
18 de setembro (sexta-feira) – EMEB Júlio Corrêa
Endereço: Rua Afrânio Amaral, s/n – Bairro Residencial São Mateus.
25 de setembro (sexta-feira) – EMEB Professor Alino Ferreira de Magalhães
Endereço: Avenida Verdão, 1067 – Bairro Jardim Maringá.
Galeria de Fotos (11 fotos)
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Várzea Grande
Sérgio Ricardo defende “choque de gestão” para resolver caos da falta de água em Várzea Grande
Foto: Alair Ribeiro/TCE-MT
Ao defender um “choque de gestão” para enfrentar o caos de décadas no abastecimento de água e no esgotamento sanitário de Várzea Grande, o presidente do Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT), conselheiro Sérgio Ricardo, destacou que a transformação do cenário do saneamento básico do município dependerá de investimentos na casa dos bilhões e de articulação política para garantir os recursos necessários.
A defesa do presidente foi feita durante audiência pública realizada no Ginásio Fiotão, nesta quarta-feira (12), para discutir a atualização do Plano Municipal de Saneamento Básico (PMSB) e a modelagem da concessão dos serviços de abastecimento de água do município.
“Eu faço questão de estar aqui hoje porque entendo que o futuro de Várzea Grande, a segunda maior cidade do estado, é de interesse de todos nós. Eu não estou aqui só porque sou conselheiro ou porque sou presidente do Tribunal de Contas. Estou aqui porque sou mato-grossense”, declarou.
Na ocasião, Sérgio Ricardo salientou que o município enfrenta um cenário de abandono histórico no saneamento e que, para alcançar a universalização dos serviços e reverter índices críticos, como a perda de quase 60% da água produzida e a cobertura de esgoto inferior a 29%, será necessário, além do choque de gestão, uma articulação política em âmbito nacional para viabilizar os recursos necessários.
“71% da população de Várzea Grande não tem acesso a esse serviço. Para resolver essa situação, será necessário muito dinheiro, pois essa situação de Várzea Grande não será resolvida com milhões, aqui serão necessários bilhões. O estudo fala em investimentos de R$ 2 a R$ 3 bilhões, mas isso pode ser ainda maior, porque praticamente não há infraestrutura adequada na cidade”, afirmou.
Os dados citados constam de levantamento técnico realizado pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (FIPE), que projeta uma agenda de investimentos entre R$ 2,03 bilhões e R$ 3,20 bilhões, com metas de execução até 2060.
Conforme o levantamento, para atingir a meta de universalização de 90% até 2033, será necessário ampliar a rede de coleta de esgoto de 403 quilômetros para 1.584 quilômetros, quase quatro vezes a extensão atual.
“É preciso escavar Várzea Grande inteira. Em alguns bairros, a água até chega, mas não há condições de distribuí-la adequadamente porque a rede e o encanamento não prestam. Está tudo deteriorado, rompido”, asseverou o presidente.
A realização da audiência pública corresponde à sétima etapa do cronograma apresentado pela Prefeitura de Várzea Grande. A próxima fase será o encaminhamento do Plano Municipal de Saneamento Básico à Câmara Municipal, onde deverá ser analisado para posterior aprovação e transformação em lei.
“Com o estudo avançando e, principalmente, com esse diagnóstico do saneamento básico sendo encaminhado à Câmara Municipal, nós passamos a ter mais segurança jurídica para acompanhar de perto todo esse processo e para que o plano seja aprovado e transformado em lei. É fundamental que esse planejamento se torne uma política de Estado, que não dependa de quem esteja à frente da Prefeitura, porque o saneamento básico é uma necessidade permanente da população”, pontuou a prefeita Flávia Moretti.
Sem água
Ainda de acordo com o estudo, apenas 53,88% dos domicílios são efetivamente atendidos pela rede de abastecimento de água. A precariedade do serviço se reflete no cotidiano da população: 73,9% dos moradores relatam sofrer com a falta de água diária ou semanalmente.
Entre eles está Benedito da Costa, aposentado e morador do bairro Mangabeira, na região do Jardim dos Estados.
“É uma preocupação de muito tempo. A gente paga pela água, e eles mandam o caminhão-pipa toda terça e toda sexta-feira. E não é só para mim, é para os moradores do bairro. São duas cargas de água, que são suficientes para passar a semana. Lá, a gente faz o que pode. Se você tiver uma caneca de água, a gente divide essa caneca com a família inteira. Eu já estou com mais de 60 anos e tenho experiência de vida, por isso peço, prefeita, ajude o povo de lá. Resolva esse problema da água para nós. É só isso que nós queremos”, declarou.
Mesa Técnica
A busca por soluções para os problemas históricos de saneamento de Várzea Grande já é fruto de mesa técnica do TCE-MT. Requerida pela Prefeitura, a mesa foi aberta em dezembro de 2025 com o objetivo de construir uma solução técnico-jurídica para o contrato firmado com o Consórcio Lumevix, responsável pela implantação do Sistema de Esgotamento Sanitário da Sub-Bacia 02, que inclui a Estação de Tratamento de Esgoto Santa Maria (ETE Santa Maria).
Contratadas em 2016, com prazo de conclusão de 12 meses, as obras permanecem paralisadas após quase nove anos, em razão de disputas judiciais, reprogramações financeiras, entraves ambientais e baixa evolução física.
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