Várzea Grande
Biblioteca Infantil Professora Nhazinha conquista certificação nacional e amplia acesso a investimentos para Várzea Grande
Várzea Grande
A Biblioteca Pública Infantil Professora Nhazinha, antigo Farol do Saber, localizada no Complexo Esportivo e Cultural do Fiotão, na região central de Várzea Grande, conquistou um importante reconhecimento nacional ao receber a certificação da plataforma BiblioBR, sistema vinculado ao Ministério da Cultura (MinC) que reúne e reconhece oficialmente as bibliotecas públicas brasileiras.
A certificação comprova que a unidade atende aos critérios técnicos exigidos pelo Sistema Nacional de Bibliotecas Públicas, tornando-a oficialmente habilitada a participar de programas, políticas públicas, editais e receber investimentos destinados ao fortalecimento das bibliotecas em todo o país.
O bibliotecário responsável pela unidade, Odiley Santiago de Souza, explica que a certificação é resultado de um rigoroso processo de avaliação.
“O cadastro reúne todas as informações da biblioteca, como realização de eventos culturais, aquisição de novos livros, participação em programas e políticas públicas, estrutura da equipe, capacitação dos servidores, presença de bibliotecário e regularidade técnica da unidade. Tivemos algumas adequações solicitadas durante a análise, fizemos todas as correções e fomos aprovados em todos os critérios”, destacou.
Segundo Odiley, o reconhecimento representa muito mais do que um certificado.
“É como ter um documento oficialmente válido. Antes ficávamos limitados em diversas oportunidades. Agora somos reconhecidos nacionalmente como biblioteca pública, e isso abre portas para novos editais, programas e investimentos. Também aumenta as chances de recebermos remessas de livros enviadas pelo Ministério da Cultura, ampliando ainda mais o nosso acervo.”
O certificado tem validade de um ano e será renovado mediante nova avaliação, que passará a exigir, a cada ciclo, novos critérios de qualidade e modernização.
Biblioteca se prepara para uma nova fase
Além da certificação, a Biblioteca Professora Nhazinha passa por um processo de reorganização do acervo e implantação de novas tecnologias de gerenciamento bibliográfico.
De acordo com o bibliotecário, o objetivo é transformar a unidade em um espaço cada vez mais dinâmico e atrativo.
“Hoje, a biblioteca vai muito além das estantes de livros. Ela é um espaço multicultural, onde podemos desenvolver atividades culturais, incentivar a leitura e atrair novos usuários. Estamos informatizando todo o acervo e ampliando as opções para atender não apenas as crianças, mas também o público infantojuvenil.”
A Biblioteca Pública Infantil Professora Nhazinha funciona de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h, sem interrupção para o almoço. Durante esse período, a população pode consultar o acervo, realizar pesquisas, utilizar os espaços de leitura e fazer o empréstimo domiciliar de livros, conforme as normas da unidade.
Município fortalece rede de bibliotecas
A superintendente de Cultura, Lu Arruda, destaca que Várzea Grande possui atualmente duas bibliotecas públicas em funcionamento.
Além da Biblioteca Pública Infantil Professora Nhazinha, o município conta com a Biblioteca Pública Municipal Professora Laurinda Coelho Pereira, localizada no bairro Cristo Rei, que também está em processo de certificação nacional.
“A Biblioteca Nhazinha atende principalmente o público infantil, enquanto a Biblioteca Professora Laurinda Coelho Pereira possui um acervo mais amplo, voltado para estudantes, pesquisadores, universitários e toda a comunidade. A certificação da Nhazinha representa um avanço importante, e agora estamos trabalhando para que a Laurinda também receba esse reconhecimento.”
As duas bibliotecas funcionam de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h, oferecendo consulta local, espaços de estudo, incentivo à leitura e serviço de empréstimo domiciliar de obras literárias.
Novas bibliotecas e valorização da literatura várzea-grandense
Entre os projetos da Superintendência de Cultura está a reativação da Biblioteca Maria da Glória, que deverá funcionar futuramente no Centro Cultural da Orla Alameda.
Segundo Lu Arruda, o novo espaço terá uma proposta diferenciada, voltada à valorização da produção literária local.
“Queremos criar uma biblioteca dedicada aos escritores de Várzea Grande, dando visibilidade às obras produzidas no município e fortalecendo a identidade cultural da nossa cidade.”
Outra frente de trabalho é a construção do Plano Municipal do Livro, Leitura, Literatura e Bibliotecas (PMLLLB), iniciativa que reunirá escritores, editoras, educadores e representantes da sociedade civil para discutir políticas públicas permanentes para o setor.
“Nossa meta é estruturar esse plano ainda este ano. Com ele, Várzea Grande poderá acessar recursos federais específicos para modernização das bibliotecas, aquisição de novos acervos, reformas, ampliação dos espaços e investimentos em tecnologia. Queremos transformar nossas bibliotecas em ambientes cada vez mais modernos, acessíveis e acolhedores para toda a população.”
Para a secretária municipal de Educação, Cultura, Esporte e Lazer, Maria Fernanda de Figueiredo, a certificação representa um marco para o fortalecimento das políticas públicas de incentivo à leitura no município.
“Essa certificação demonstra o compromisso da gestão municipal com a qualidade dos serviços públicos oferecidos à população. Investir nas bibliotecas é investir em educação, cultura, conhecimento e inclusão. Nosso objetivo é ampliar cada vez mais esses espaços, tornando-os ambientes vivos, modernos e capazes de despertar o gosto pela leitura em crianças, jovens e adultos.”
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Várzea Grande
Sérgio Ricardo defende “choque de gestão” para resolver caos da falta de água em Várzea Grande
Foto: Alair Ribeiro/TCE-MT
Ao defender um “choque de gestão” para enfrentar o caos de décadas no abastecimento de água e no esgotamento sanitário de Várzea Grande, o presidente do Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT), conselheiro Sérgio Ricardo, destacou que a transformação do cenário do saneamento básico do município dependerá de investimentos na casa dos bilhões e de articulação política para garantir os recursos necessários.
A defesa do presidente foi feita durante audiência pública realizada no Ginásio Fiotão, nesta quarta-feira (12), para discutir a atualização do Plano Municipal de Saneamento Básico (PMSB) e a modelagem da concessão dos serviços de abastecimento de água do município.
“Eu faço questão de estar aqui hoje porque entendo que o futuro de Várzea Grande, a segunda maior cidade do estado, é de interesse de todos nós. Eu não estou aqui só porque sou conselheiro ou porque sou presidente do Tribunal de Contas. Estou aqui porque sou mato-grossense”, declarou.
Na ocasião, Sérgio Ricardo salientou que o município enfrenta um cenário de abandono histórico no saneamento e que, para alcançar a universalização dos serviços e reverter índices críticos, como a perda de quase 60% da água produzida e a cobertura de esgoto inferior a 29%, será necessário, além do choque de gestão, uma articulação política em âmbito nacional para viabilizar os recursos necessários.
“71% da população de Várzea Grande não tem acesso a esse serviço. Para resolver essa situação, será necessário muito dinheiro, pois essa situação de Várzea Grande não será resolvida com milhões, aqui serão necessários bilhões. O estudo fala em investimentos de R$ 2 a R$ 3 bilhões, mas isso pode ser ainda maior, porque praticamente não há infraestrutura adequada na cidade”, afirmou.
Os dados citados constam de levantamento técnico realizado pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (FIPE), que projeta uma agenda de investimentos entre R$ 2,03 bilhões e R$ 3,20 bilhões, com metas de execução até 2060.
Conforme o levantamento, para atingir a meta de universalização de 90% até 2033, será necessário ampliar a rede de coleta de esgoto de 403 quilômetros para 1.584 quilômetros, quase quatro vezes a extensão atual.
“É preciso escavar Várzea Grande inteira. Em alguns bairros, a água até chega, mas não há condições de distribuí-la adequadamente porque a rede e o encanamento não prestam. Está tudo deteriorado, rompido”, asseverou o presidente.
A realização da audiência pública corresponde à sétima etapa do cronograma apresentado pela Prefeitura de Várzea Grande. A próxima fase será o encaminhamento do Plano Municipal de Saneamento Básico à Câmara Municipal, onde deverá ser analisado para posterior aprovação e transformação em lei.
“Com o estudo avançando e, principalmente, com esse diagnóstico do saneamento básico sendo encaminhado à Câmara Municipal, nós passamos a ter mais segurança jurídica para acompanhar de perto todo esse processo e para que o plano seja aprovado e transformado em lei. É fundamental que esse planejamento se torne uma política de Estado, que não dependa de quem esteja à frente da Prefeitura, porque o saneamento básico é uma necessidade permanente da população”, pontuou a prefeita Flávia Moretti.
Sem água
Ainda de acordo com o estudo, apenas 53,88% dos domicílios são efetivamente atendidos pela rede de abastecimento de água. A precariedade do serviço se reflete no cotidiano da população: 73,9% dos moradores relatam sofrer com a falta de água diária ou semanalmente.
Entre eles está Benedito da Costa, aposentado e morador do bairro Mangabeira, na região do Jardim dos Estados.
“É uma preocupação de muito tempo. A gente paga pela água, e eles mandam o caminhão-pipa toda terça e toda sexta-feira. E não é só para mim, é para os moradores do bairro. São duas cargas de água, que são suficientes para passar a semana. Lá, a gente faz o que pode. Se você tiver uma caneca de água, a gente divide essa caneca com a família inteira. Eu já estou com mais de 60 anos e tenho experiência de vida, por isso peço, prefeita, ajude o povo de lá. Resolva esse problema da água para nós. É só isso que nós queremos”, declarou.
Mesa Técnica
A busca por soluções para os problemas históricos de saneamento de Várzea Grande já é fruto de mesa técnica do TCE-MT. Requerida pela Prefeitura, a mesa foi aberta em dezembro de 2025 com o objetivo de construir uma solução técnico-jurídica para o contrato firmado com o Consórcio Lumevix, responsável pela implantação do Sistema de Esgotamento Sanitário da Sub-Bacia 02, que inclui a Estação de Tratamento de Esgoto Santa Maria (ETE Santa Maria).
Contratadas em 2016, com prazo de conclusão de 12 meses, as obras permanecem paralisadas após quase nove anos, em razão de disputas judiciais, reprogramações financeiras, entraves ambientais e baixa evolução física.
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