O tradicional Festival de Inverno de Chapada dos Guimarães segue consolidado como um dos maiores eventos culturais de Mato Grosso e aposta, mais uma vez, em uma programação diversificada para atrair diferentes públicos. Durante entrevista ao jornalista João de Oliveira, o secretário de Governo do município, Gilberto Mello, falou sobre os bastidores da organização, a escolha das atrações e o impacto do festival na economia local.
Com quase quatro décadas de história, o evento já se tornou referência nacional e, segundo o secretário, vai além de uma simples festa popular. “Eu nunca falo que é festa. O Festival de Inverno é um grande evento cultural. Estamos falando de um evento com 39 anos de história e que no ano que vem completa 40 anos. Ele mexe com o Brasil todo, porque em vários lugares as pessoas já ouviram falar do Festival de Inverno de Chapada”, afirmou.
A programação deste ano aposta em uma grade ampla, com artistas de diferentes estilos musicais. Para Gilberto Mello, essa diversidade é essencial para garantir que o festival alcance públicos variados e mantenha o caráter cultural do evento.
“O Festival de Inverno é um evento cultural e precisa atender todas as classes. Do pagode ao sertanejo, passando pelo rock. A gente tenta agradar todo mundo. Montar essa grade é difícil, mas buscamos equilíbrio para oferecer atrações que realmente tenham público”, explicou.
Entre os nomes confirmados estão artistas consagrados da música brasileira e internacional. A abertura será com Fernandinho, seguida de atrações como Edson e Hudson, Information Society, Snap e Noel, Humberto e Ronaldo e o grupo Akatu. Na semana do aniversário da cidade, a programação inclui Amado Batista e Gabriel Sater, filho do consagrado músico Almir Sater. A agenda também prevê uma noite dedicada ao rock, com shows de Paulo Ricardo e da banda Nenhum de Nós, além do encerramento com o cantor Ferrugem.
Segundo o secretário, a expectativa é de grande público, especialmente para o show de Amado Batista. “Eu estou apostando muito no Amado Batista. O flashback também vai explodir, mas pelo que estou vendo na cidade, o Amado Batista vai surpreender em público”, comentou.
Outro destaque da programação é a noite dedicada ao flashback, reunindo DJs e músicas que marcaram época. A ideia resgata a própria trajetória de Gilberto Mello, que iniciou sua carreira no setor de eventos e sonorização.
“Eu trabalhei a vida inteira com som, iluminação e produção de eventos. Isso ajuda muito na hora de montar a grade. A gente tem um certo norte na contratação, porque não adianta trazer artista se não tiver público. Não dá para gastar dinheiro público sem retorno”, afirmou.
Além das atrações principais, o festival também abre espaço para novos talentos. O secretário ressaltou a importância do chamado “palco 2”, destinado a artistas emergentes.
“No palco principal precisamos ter muito cuidado com a escolha das atrações, mas no palco dois a gente dá liberdade. É lá que surgem os grandes artistas. Às vezes alguém diz que não conhece determinada banda, mas ela está tendo sua oportunidade. Quem sabe no ano seguinte já esteja no palco principal”, disse.
De acordo com ele, o festival recebe centenas de inscrições de músicos interessados em participar. “São cerca de 300 inscrições e precisamos escolher entre 50 e 70 artistas. Eu queria poder atender todo mundo, mas infelizmente não dá. Mesmo assim, quem tenta precisa acreditar que um dia vai ter sua oportunidade”, afirmou.
Gilberto Mello citou inclusive casos de artistas que começaram no festival e hoje seguem carreira consolidada. “Teve um artista que tocou praticamente para três pessoas. Mas ele tocou como se estivesse diante de três mil. Aproveitou a estrutura do festival, gravou o show e usou aquilo para se promover. Hoje está tocando pelo Mato Grosso inteiro”, contou.
Além do aspecto cultural, o festival também exerce papel importante na economia de Chapada dos Guimarães. O evento movimenta hotéis, restaurantes e o comércio local, especialmente em períodos de instabilidade turística.
Nos últimos anos, comerciantes chegaram a manifestar preocupação diante de incertezas relacionadas ao acesso ao município, principalmente após discussões sobre intervenções no Portal do Inferno, uma das principais rotas de acesso à cidade.
“O empresariado sofreu muito com essa dúvida se ia ter evento ou não. Por isso a prefeitura tem buscado manter os eventos e fortalecer o turismo. O Festival de Inverno movimenta toda uma cadeia econômica”, explicou.
O secretário também fez questão de destacar o trabalho da equipe envolvida na organização do evento, citando profissionais que atuam nos bastidores, como a assessoria de imprensa e a produção dos camarotes.
“Tem muita gente trabalhando para que tudo aconteça. A Lênia na assessoria de imprensa, a Nichelle na produção dos eventos e a Marielle na organização dos camarotes. É um trabalho coletivo para que o festival continue crescendo”, ressaltou.
Com programação gratuita, o Festival de Inverno de Chapada dos Guimarães acontece entre os dias 23 de julho e 4 de agosto. Embora o acesso aos shows seja aberto ao público, haverá espaços de camarote destinados a quem busca mais conforto durante as apresentações.
Para Gilberto Mello, a expectativa é de mais uma edição histórica. “Cada ano o festival surpreende mais. Não é só o evento em si, mas toda uma sociedade que gosta de Chapada, que visita a cidade e ajuda a movimentar o turismo e a cultura”, concluiu.