Cultura
Aplicativo mostra a usuário opções de turismo no estado do Piauí
Cultura
Em sua última viagem de lazer, o educador Adriano Sordilli, que mora em Campinas, São Paulo, escolheu a natureza do estado do Piauí como opção.

“O Parque Nacional da Serra da Capivara… eh, o Parque Nacional da Serra das Confusões, que na verdade é a maior reserva de Caatinga do Brasil e que abriga também os cânions do Viana, né? Eh, depois eu conheci o Parque Nacional das Sete Cidades, que tem as formações rochosas mais incríveis que esse país pode oferecer, e também tem desenhos rupestres. Eh, e, finalmente, o Parque das Nascentes do Delta do Parnaíba… eh, apreciar o voo dos guarás, a revoada dos guarás no final da tarde”, conta.
Essas são só algumas atrações do estado que agora tem suas informações turísticas, históricas e culturais concentradas em uma única plataforma.
O aplicativo Piauí Turismo, lançado nesta semana e que já está disponível para download gratuito, oferece a moradores e turistas um mapa interativo com atrações de todas as regiões do estado.
Na ferramenta é possível encontrar informações como sugestões de restaurantes, agenda cultural e de eventos dos municípios, horários de funcionamento de locais turísticos, condições climáticas, galeria de imagens e canais de contato.
A expectativa é que o projeto digital, coordenado pela empresa de Tecnologia da Informação do Piauí, fortaleça as atrações turísticas e a economia local, como destaca a diretora de Transformação Digital da empresa, Mayara Luz:
“Então, por meio desse aplicativo é possível acessar informações turísticas do estado que contemplam parte de bares, partes de restaurantes, pontos culturais, pontos históricos, além também de ser possível localizar também guias turísticos para guiar os nossos visitantes, né? A terem as melhores experiências dentro do estado, né? Oferecendo assim uma plataforma moderna que aproxima visitantes dos atrativos piauienses e contribui também para impulsionar a economia local”, aponta.
O app conta também com recomendações que são sugeridas a partir de escolhas prévias do usuário, como ecoturismo, relaxamento, história e gastronomia.
O dispositivo também foi pensado para fomentar a inclusão: é possível selecionar previamente quais recursos de acessibilidade são necessários para a viagem.
Assim, o aplicativo só oferecerá locais que estejam de acordo com a necessidade do usuário, como piso tátil, atendimento em Libras, trilha acessível ou banheiro adaptado.
Uma assistente de viagem comandada por inteligência artificial também está disponível para interação com o usuário.
Cultura
Angeli completa 70 anos e tem obra celebrada por amigos e artistas
Do punk anarquista Bob Cuspe à desbocada e libertária Rê Bordosa.

Dos Skrotinhos, gêmeos politicamente incorretos, ao Wood & Stock, dois hippies parados no tempo, passando pelo guru picareta Ralah Ricota.
Angeli criou personagens de forma crua e ácida para retratar tipos urbanos controversos.
O paulistano do bairro da Casa Verde se tornou um dos maiores chargistas e cartunistas do país e completa 70 anos nesta segunda-feira (31).
Arnaldo Angeli Filho já desenhava na infância e o contato na adolescência com os desenhos de Millôr Fernandes, Jaguar e Ziraldo no jornal O Pasquim foi decisivo para a escolha de se tornar cartunista.
Nos anos 70, começa a fazer charges para o jornal Folha de S.Paulo e, logo depois, cria a tira diária Chiclete com Banana, que se transforma numa revista de quadrinhos independente.
É nessa publicação que surgem os personagens “Los 3 Amigos”, criados por Angeli e pelos cartunistas Glauco e Laerte.
Ao trio, se junta Adão Iturrusgarai, o quarto elemento dos amigos.
Adão conta que conheceu o trabalho de Angeli pelas histórias da Rê Bordosa e comenta o impacto da obra do amigo:
“Arrisco a dizer que o Angeli é um dos maiores artistas do mundo do século 20, né? Ele quebrou aí com uma tradição do quadrinho mais durão brasileiro, mais sisudo, né? Naquela época que eu conheci o trabalho dele, era uma época que todos os cartunistas estavam voltados para a coisa da ditadura, né? O cartoon com o general. E daí, de repente, o Angeli veio com aquela pegada Rolling Stones, de rock, né? Isso que me pegou muito. Vestido de preto, punk”, diz.
Bob Cuspe, o punk velho e ranzinza que cospe na hipocrisia da sociedade, é um alter ego do próprio Angeli.
Criador e criatura se deparam no filme lançado em 2021, “Bob Cuspe – Nós Não Gostamos de Gente”, dirigido por Cesar Cabral.
Num trecho da animação, Angeli fala sobre as mudanças no seu trabalho:
“O Angeli não é o mesmo. Mudou muito. O meu desenho mudou. Você acorda um dia que você não tá bom. Não tem como pensar uma coisa legal e tal”, diz.
Sem medo de mudanças, o cartunista decidiu matar sua personagem mais famosa, a nada careta Rê Bordosa, que explodiu de tédio depois de se casar.
O cineasta Otto Guerra, diretor da animação “Wood & Stock: Sexo, Orégano e Rock’n’Roll”, fala sobre a personagem que não poderia ficar de fora do filme:
“A gente colocou ela. A Rê Bordosa é um tapa na cara, né, das pessoas que passam o tempo fingindo coisas, né? Ou tendo que assumir papéis, né? No fim das contas, a gente acaba tendo que usar várias máscaras. E a Rê Bordosa não usava nenhuma. Ela era muito autêntica. Grande personagem. Grande Angeli”, diz.
A atriz Grace Gianoukas deu voz à Rê Bordosa num curta-metragem, na série de animação e no longa “Bob Cuspe”.
Para Grace, Angeli traduziu como ninguém o espírito dos anos 80 e 90:
“É de uma profundidade psicológica, o é. É estudo aprofundado traduzido em síntese dos tipos modernos brasileiros da época. E ainda hoje, se tu vai ler, por exemplo, ‘Os Skrotinhos’, eles estão em todos os lugares. Todos os personagens do Angeli, eles são síntese da busca humana por aceitação ou por aceitar o nosso caos. Eu sou devota de Angeli”, diz.
Depois da morte de Rê Bordosa em 1987, Angeli criou Os Skrotinhos.
Para a cartunista Laerte, são eles os personagens favoritos criados pelo amigo:
“Eles são muito interessantes porque eles têm uma grande variação de atuação. Eles já se apresentaram como mulheres, como negros, como gays… E como os Skrotinhos que sempre são, né? Que sempre foram. Eu gosto porque eles colocam a história em situações limites, situações de desafio e eles colocam as pessoas todas nessas crises”, aponta.
Angeli se aposentou em 2022, após diagnóstico inicial de afasia, condição que afeta a comunicação verbal e escrita, posteriormente confirmada como parte de um quadro de demência frontotemporal, uma doença neurodegenerativa.
Cronista que traduziu em imagens as peculiaridades da metrópole e de seus tipos urbanos com seu traço único, Angeli provocou uma verdadeira revolução nos quadrinhos brasileiros.
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