Várzea Grande
Assistência Social de Várzea Grande amplia atendimento, fortalece a proteção social e encerra semestre com avanços históricos
Várzea Grande
A Prefeitura de Várzea Grande, por meio da Secretaria Municipal de Assistência Social, encerra o primeiro semestre de 2026 com um conjunto de ações voltadas ao fortalecimento da rede de proteção social, à ampliação do acesso aos serviços públicos e à promoção da cidadania.
Nos primeiros seis meses do ano, o município avançou em iniciativas de atendimento às famílias em situação de vulnerabilidade, qualificação profissional, proteção de direitos, apoio às mulheres, crianças, adolescentes e idosos, além da consolidação de parcerias estratégicas com instituições estaduais e federais.
Entre os destaques está a realização do primeiro Diagnóstico Socioterritorial da história de Várzea Grande, ferramenta que passou a orientar o planejamento das políticas públicas de assistência social. O levantamento reuniu informações sobre as condições sociais, econômicas e territoriais da população, identificando vulnerabilidades e demandas que subsidiarão o Plano Municipal de Assistência Social 2026–2029.
A gestão municipal também apresentou o Diagnóstico Situacional da Pessoa Idosa, estudo inédito que identificou 33.759 idosos no município, representando 11,25% da população. Os dados servirão de base para a construção de políticas públicas voltadas ao envelhecimento digno, saudável e ativo.
A assistência social também ampliou ações de inclusão e geração de oportunidades por meio do Programa Ser Família Capacita – Várzea Grande, realizado em parceria com o Governo de Mato Grosso, a Secretaria de Estado de Assistência Social e Cidadania (SETASC), o SENAI e a Rede Cidadã. Ao longo do semestre, foram abertas novas turmas de cursos gratuitos nas áreas de administração, recursos humanos, informática, eletricidade, controle de qualidade e operação de empilhadeira, beneficiando moradores que buscam qualificação profissional, inserção no mercado de trabalho e novas possibilidades de geração de renda.
Na área da convivência e da inclusão social, novos projetos foram desenvolvidos nos Centros de Referência de Assistência Social (CRAS). O Projeto Dança e Inclusão abriu vagas gratuitas para aulas de ballet e jazz no CRAS São Mateus, promovendo expressão corporal, integração e desenvolvimento social. Já no CRAS Cristo Rei, foram realizadas atividades culturais, brincadeiras e momentos de convivência voltados às crianças atendidas pelo Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos (SCFV).
A rede de proteção social foi ampliada com a inauguração do novo polo do Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos destinado a mulheres e meninas, na região do CRAS Santa Maria, em parceria com a Associação Salmo 23. Também foi entregue a nova sede do Conselho Tutelar da região do São Mateus, fortalecendo o atendimento às crianças e adolescentes de diversos bairros.
A população idosa recebeu atenção especial com a retomada e ampliação das atividades do Centro de Convivência Vovô Zeid. Após melhorias em sua estrutura, o espaço avançou na oferta de atividades como hidroginástica, pilates, fisioterapia, dança e encontros de integração.
O tradicional Baile dos Idosos também fortaleceu os vínculos comunitários e foi ampliado para outros territórios por meio dos CRAS Cristo Rei, Jardim Glória, São Mateus e Santa Maria.
As políticas de proteção à infância e à adolescência também ganharam destaque. Campanhas educativas como “Abuso Não Combina com Folia”, “Maio Laranja” e “Junho PETI” promoveram palestras, mobilizações, oficinas e orientações sobre a prevenção ao abuso e à exploração sexual de crianças e adolescentes. As ações foram desenvolvidas em parceria com os Conselhos Tutelares e demais instituições da rede de proteção, reforçando a importância da denúncia e do cuidado coletivo.
No atendimento direto às comunidades, a Prefeitura realizou mutirões de cidadania em parceria com instituições como a Assembleia Legislativa de Mato Grosso, levando serviços de saúde, assistência social, emissão de documentos, orientações e oportunidades de emprego aos moradores.
As ações de acolhimento às pessoas em situação de rua também foram intensificadas. Equipes da Proteção Social Especial e do Centro POP realizaram atendimentos, orientações e distribuição de alimentação durante os períodos de baixas temperaturas, ampliando o cuidado e garantindo dignidade à população em situação de maior vulnerabilidade.
A educação e o acesso a novas oportunidades também fizeram parte da agenda da assistência social. A Prefeitura apoiou o Vestibular Social do Univag, em parceria com o Governo de Mato Grosso e o Ministério Público Estadual, oferecendo vagas gratuitas em cursos superiores para pessoas inscritas no Cadastro Único. A gestão municipal também apoiou o Casamento Abençoado 2026, que oficializou a união de 137 casais em situação de vulnerabilidade social, garantindo cidadania e regularização civil.
A estrutura da assistência social também recebeu investimentos. O município iniciou a construção do novo CRAS São Mateus, com investimento de R$ 1,79 milhão e área construída de 600 metros quadrados, ampliando a capacidade de atendimento da rede. Além disso, 155 profissionais aprovados em processo seletivo foram destinados à Secretaria Municipal de Assistência Social, fortalecendo as equipes técnicas e garantindo maior qualidade na prestação dos serviços à população.
O reconhecimento pela gestão eficiente também marcou o semestre. Várzea Grande recebeu o Selo FNAS 2025, concedido pelo Fundo Nacional de Assistência Social aos municípios que demonstram responsabilidade, transparência e eficiência na aplicação dos recursos do Sistema Único de Assistência Social (SUAS). O município também foi reconhecido pelo Governo de Mato Grosso pela execução do Programa Ser Família, que ampliou de 4 mil para 8 mil o número de famílias beneficiadas.
O conjunto dessas iniciativas reafirma o compromisso da gestão municipal com a construção de políticas públicas cada vez mais humanas, eficientes e voltadas às reais necessidades da população, fortalecendo a proteção social e promovendo mais dignidade e qualidade de vida aos várzea-grandenses.
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Várzea Grande
Sérgio Ricardo defende “choque de gestão” para resolver caos da falta de água em Várzea Grande
Foto: Alair Ribeiro/TCE-MT
Ao defender um “choque de gestão” para enfrentar o caos de décadas no abastecimento de água e no esgotamento sanitário de Várzea Grande, o presidente do Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT), conselheiro Sérgio Ricardo, destacou que a transformação do cenário do saneamento básico do município dependerá de investimentos na casa dos bilhões e de articulação política para garantir os recursos necessários.
A defesa do presidente foi feita durante audiência pública realizada no Ginásio Fiotão, nesta quarta-feira (12), para discutir a atualização do Plano Municipal de Saneamento Básico (PMSB) e a modelagem da concessão dos serviços de abastecimento de água do município.
“Eu faço questão de estar aqui hoje porque entendo que o futuro de Várzea Grande, a segunda maior cidade do estado, é de interesse de todos nós. Eu não estou aqui só porque sou conselheiro ou porque sou presidente do Tribunal de Contas. Estou aqui porque sou mato-grossense”, declarou.
Na ocasião, Sérgio Ricardo salientou que o município enfrenta um cenário de abandono histórico no saneamento e que, para alcançar a universalização dos serviços e reverter índices críticos, como a perda de quase 60% da água produzida e a cobertura de esgoto inferior a 29%, será necessário, além do choque de gestão, uma articulação política em âmbito nacional para viabilizar os recursos necessários.
“71% da população de Várzea Grande não tem acesso a esse serviço. Para resolver essa situação, será necessário muito dinheiro, pois essa situação de Várzea Grande não será resolvida com milhões, aqui serão necessários bilhões. O estudo fala em investimentos de R$ 2 a R$ 3 bilhões, mas isso pode ser ainda maior, porque praticamente não há infraestrutura adequada na cidade”, afirmou.
Os dados citados constam de levantamento técnico realizado pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (FIPE), que projeta uma agenda de investimentos entre R$ 2,03 bilhões e R$ 3,20 bilhões, com metas de execução até 2060.
Conforme o levantamento, para atingir a meta de universalização de 90% até 2033, será necessário ampliar a rede de coleta de esgoto de 403 quilômetros para 1.584 quilômetros, quase quatro vezes a extensão atual.
“É preciso escavar Várzea Grande inteira. Em alguns bairros, a água até chega, mas não há condições de distribuí-la adequadamente porque a rede e o encanamento não prestam. Está tudo deteriorado, rompido”, asseverou o presidente.
A realização da audiência pública corresponde à sétima etapa do cronograma apresentado pela Prefeitura de Várzea Grande. A próxima fase será o encaminhamento do Plano Municipal de Saneamento Básico à Câmara Municipal, onde deverá ser analisado para posterior aprovação e transformação em lei.
“Com o estudo avançando e, principalmente, com esse diagnóstico do saneamento básico sendo encaminhado à Câmara Municipal, nós passamos a ter mais segurança jurídica para acompanhar de perto todo esse processo e para que o plano seja aprovado e transformado em lei. É fundamental que esse planejamento se torne uma política de Estado, que não dependa de quem esteja à frente da Prefeitura, porque o saneamento básico é uma necessidade permanente da população”, pontuou a prefeita Flávia Moretti.
Sem água
Ainda de acordo com o estudo, apenas 53,88% dos domicílios são efetivamente atendidos pela rede de abastecimento de água. A precariedade do serviço se reflete no cotidiano da população: 73,9% dos moradores relatam sofrer com a falta de água diária ou semanalmente.
Entre eles está Benedito da Costa, aposentado e morador do bairro Mangabeira, na região do Jardim dos Estados.
“É uma preocupação de muito tempo. A gente paga pela água, e eles mandam o caminhão-pipa toda terça e toda sexta-feira. E não é só para mim, é para os moradores do bairro. São duas cargas de água, que são suficientes para passar a semana. Lá, a gente faz o que pode. Se você tiver uma caneca de água, a gente divide essa caneca com a família inteira. Eu já estou com mais de 60 anos e tenho experiência de vida, por isso peço, prefeita, ajude o povo de lá. Resolva esse problema da água para nós. É só isso que nós queremos”, declarou.
Mesa Técnica
A busca por soluções para os problemas históricos de saneamento de Várzea Grande já é fruto de mesa técnica do TCE-MT. Requerida pela Prefeitura, a mesa foi aberta em dezembro de 2025 com o objetivo de construir uma solução técnico-jurídica para o contrato firmado com o Consórcio Lumevix, responsável pela implantação do Sistema de Esgotamento Sanitário da Sub-Bacia 02, que inclui a Estação de Tratamento de Esgoto Santa Maria (ETE Santa Maria).
Contratadas em 2016, com prazo de conclusão de 12 meses, as obras permanecem paralisadas após quase nove anos, em razão de disputas judiciais, reprogramações financeiras, entraves ambientais e baixa evolução física.
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