Várzea Grande

Várzea Grande sedia a maior vitrine da agricultura familiar da Baixada Cuiabana e reúne produtores de toda a região

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Várzea Grande

Várzea Grande entrou para a história da agricultura familiar de Mato Grosso ao sediar a 1ª Exposição da Agricultura Familiar da Baixada Cuiabana – Terezinha Rios, realizada na Praça Sarita Baracat. O evento reuniu agricultores, cooperativas, sindicatos, lideranças e representantes dos governos federal, estadual e municipal em uma grande mobilização para fortalecer a produção rural, ampliar a comercialização direta e valorizar quem produz alimentos que chegam diariamente à mesa dos mato-grossenses.

Cerca de 40 grupos de expositores participaram da feira, levando alimentos, artesanato, produtos agroecológicos e iniciativas de economia solidária de municípios como Várzea Grande, Cuiabá, Nossa Senhora do Livramento, Jangada, Santo Antônio de Leverger, Barra do Bugres, Jaciara, Dom Aquino e outras cidades da Baixada Cuiabana.

O secretário municipal de Meio Ambiente e Desenvolvimento Rural Sustentável, Ricardo Amorim, destacou o compromisso da gestão municipal com o fortalecimento do setor e afirmou que Várzea Grande está preparada para continuar recebendo iniciativas voltadas à agricultura familiar.

“Tudo o que podemos fazer, a gente faz. Ficamos muito satisfeitos em realizar essa primeira feira e, se nenhum outro município da Baixada Cuiabana quiser sediar, Várzea Grande faz novamente. Não recusamos nenhuma ação que beneficie a agricultura familiar. Queremos uma agricultura forte, presente e sustentável, respeitando o meio ambiente. Em nome da prefeita Flávia Moretti, deixo nossa satisfação por sermos o primeiro município a receber uma ação tão importante para o setor.”

A exposição também homenageou Terezinha Rios, ex-presidente da Unicafes Mato Grosso e uma das maiores lideranças da agricultura familiar e da economia solidária no estado. Assassinada em setembro de 2017, em Nossa Senhora do Livramento, Terezinha teve sua trajetória lembrada durante a abertura do evento.

Atual presidente da Unicafes, Fabiana Correia ressaltou o legado deixado pela dirigente e destacou que 2026 foi escolhido pela Organização das Nações Unidas como o Ano Internacional da Mulher Agricultora.

“É uma honra falar de Terezinha Rios e manter vivo seu legado. Ela enfrentou muitas lutas e desafios em defesa da agricultura familiar. Neste ano, em que a ONU reconhece internacionalmente o protagonismo das mulheres agricultoras, esta feira reforça a importância de mostrar onde estão essas mulheres e os alimentos que elas produzem.”

Representando o Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA), o superintendente federal Nelson Borges de Barros lembrou sua ligação com Várzea Grande e defendeu que a exposição passe a integrar o calendário regional.

“Essa é a primeira exposição, mas já precisamos pensar na segunda, na terceira e em muitas outras. O fortalecimento da agricultura familiar depende da união entre os governos e das organizações que representam os produtores. A parceria com a Prefeitura de Várzea Grande foi fundamental para fazer essa feira acontecer.”

A chefe de divisão da Superintendência Federal do MDA, Luciana Galan, reforçou que a exposição representa toda a Baixada Cuiabana e destacou a participação de produtores de diversos municípios.

“Essa exposição acontece em Várzea Grande, mas ela pertence à Baixada Cuiabana. Tivemos produtores de várias cidades expondo e comercializando seus produtos. Esperamos que essa iniciativa se fortaleça e continue acontecendo em Várzea Grande e também em outros municípios da região.”

Além da comercialização de alimentos e produtos da agricultura familiar, a programação contou com manifestações culturais, iniciativas de economia solidária e ampla participação de mulheres agricultoras, reforçando o protagonismo feminino no campo.

A 1ª Exposição da Agricultura Familiar da Baixada Cuiabana – Terezinha Rios foi promovida pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA), em parceria com a Unicafes, Instituto Maria Terra, Prefeitura de Várzea Grande, FASE, Fetagri-MT, Comercialização Caminhos da Agroecologia, Centro de Tecnologia Alternativa Vale do Guaporé, Fundação RTVE, UFG e o programa Alimento no Prato.

Fonte: Prefeitura de Várzea Grande – MT

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Várzea Grande

Sérgio Ricardo defende “choque de gestão” para resolver caos da falta de água em Várzea Grande

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Foto: Alair Ribeiro/TCE-MT

Ao defender um “choque de gestão” para enfrentar o caos de décadas no abastecimento de água e no esgotamento sanitário de Várzea Grande, o presidente do Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT), conselheiro Sérgio Ricardo, destacou que a transformação do cenário do saneamento básico do município dependerá de investimentos na casa dos bilhões e de articulação política para garantir os recursos necessários.

A defesa do presidente foi feita durante audiência pública realizada no Ginásio Fiotão, nesta quarta-feira (12), para discutir a atualização do Plano Municipal de Saneamento Básico (PMSB) e a modelagem da concessão dos serviços de abastecimento de água do município.

“Eu faço questão de estar aqui hoje porque entendo que o futuro de Várzea Grande, a segunda maior cidade do estado, é de interesse de todos nós. Eu não estou aqui só porque sou conselheiro ou porque sou presidente do Tribunal de Contas. Estou aqui porque sou mato-grossense”, declarou.

Na ocasião, Sérgio Ricardo salientou que o município enfrenta um cenário de abandono histórico no saneamento e que, para alcançar a universalização dos serviços e reverter índices críticos, como a perda de quase 60% da água produzida e a cobertura de esgoto inferior a 29%, será necessário, além do choque de gestão, uma articulação política em âmbito nacional para viabilizar os recursos necessários.

“71% da população de Várzea Grande não tem acesso a esse serviço. Para resolver essa situação, será necessário muito dinheiro, pois essa situação de Várzea Grande não será resolvida com milhões, aqui serão necessários bilhões. O estudo fala em investimentos de R$ 2 a R$ 3 bilhões, mas isso pode ser ainda maior, porque praticamente não há infraestrutura adequada na cidade”, afirmou.

Os dados citados constam de levantamento técnico realizado pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (FIPE), que projeta uma agenda de investimentos entre R$ 2,03 bilhões e R$ 3,20 bilhões, com metas de execução até 2060.

Conforme o levantamento, para atingir a meta de universalização de 90% até 2033, será necessário ampliar a rede de coleta de esgoto de 403 quilômetros para 1.584 quilômetros, quase quatro vezes a extensão atual.

“É preciso escavar Várzea Grande inteira. Em alguns bairros, a água até chega, mas não há condições de distribuí-la adequadamente porque a rede e o encanamento não prestam. Está tudo deteriorado, rompido”, asseverou o presidente.

A realização da audiência pública corresponde à sétima etapa do cronograma apresentado pela Prefeitura de Várzea Grande. A próxima fase será o encaminhamento do Plano Municipal de Saneamento Básico à Câmara Municipal, onde deverá ser analisado para posterior aprovação e transformação em lei.

“Com o estudo avançando e, principalmente, com esse diagnóstico do saneamento básico sendo encaminhado à Câmara Municipal, nós passamos a ter mais segurança jurídica para acompanhar de perto todo esse processo e para que o plano seja aprovado e transformado em lei. É fundamental que esse planejamento se torne uma política de Estado, que não dependa de quem esteja à frente da Prefeitura, porque o saneamento básico é uma necessidade permanente da população”, pontuou a prefeita Flávia Moretti.

Sem água

Ainda de acordo com o estudo, apenas 53,88% dos domicílios são efetivamente atendidos pela rede de abastecimento de água. A precariedade do serviço se reflete no cotidiano da população: 73,9% dos moradores relatam sofrer com a falta de água diária ou semanalmente.

Entre eles está Benedito da Costa, aposentado e morador do bairro Mangabeira, na região do Jardim dos Estados.

“É uma preocupação de muito tempo. A gente paga pela água, e eles mandam o caminhão-pipa toda terça e toda sexta-feira. E não é só para mim, é para os moradores do bairro. São duas cargas de água, que são suficientes para passar a semana. Lá, a gente faz o que pode. Se você tiver uma caneca de água, a gente divide essa caneca com a família inteira. Eu já estou com mais de 60 anos e tenho experiência de vida, por isso peço, prefeita, ajude o povo de lá. Resolva esse problema da água para nós. É só isso que nós queremos”, declarou.

Mesa Técnica

A busca por soluções para os problemas históricos de saneamento de Várzea Grande já é fruto de mesa técnica do TCE-MT. Requerida pela Prefeitura, a mesa foi aberta em dezembro de 2025 com o objetivo de construir uma solução técnico-jurídica para o contrato firmado com o Consórcio Lumevix, responsável pela implantação do Sistema de Esgotamento Sanitário da Sub-Bacia 02, que inclui a Estação de Tratamento de Esgoto Santa Maria (ETE Santa Maria).

Contratadas em 2016, com prazo de conclusão de 12 meses, as obras permanecem paralisadas após quase nove anos, em razão de disputas judiciais, reprogramações financeiras, entraves ambientais e baixa evolução física.

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