Várzea Grande
Governo anuncia novo Pronto-Socorro em Várzea Grande; nova era na saúde pública
Várzea Grande
Em um município onde milhares de vidas cruzam diariamente as portas de uma unidade que há anos opera além da capacidade, a esperança finalmente ganhou um endereço. O terreno que por muito tempo permaneceu abandonado e cercado por indefinições – que foi a estação do VLT -, dará lugar ao maior investimento da história recente da saúde pública de Várzea Grande: o novo Pronto-Socorro e Hospital Municipal, uma estrutura moderna que ampliará o atendimento de urgência e emergência, aumentará a oferta de leitos e permitirá a realização de cirurgias eletivas, além de procedimentos de média e alta complexidade.
O anúncio foi feito ontem, sexta-feira, 3, pelo governador em exercício, Otaviano Pivetta, durante cerimônia realizada na área onde será construída a nova unidade, em uma localização estratégica, atras do supermercado Comper Aeroporto, próxima ao aeroporto, ao lado do terminal do BRT e também, abrigará a nova sede da Politec.
Mais do que uma nova obra, o projeto representa uma resposta ao crescimento populacional de Várzea Grande e à sobrecarga enfrentada diariamente pela maior porta de entrada do Sistema Único de Saúde (SUS) na Baixada Cuiabana.
A prefeita Flávia Moretti não escondeu a emoção ao lembrar como nasceu a ideia do novo hospital.
“É mais leito para os nossos várzea-grandenses e para toda a região metropolitana. Nós somos um pronto-socorro de porta aberta e atendemos muito além dos limites do município. Quando visitei essa área, logo no início da gestão, olhei esse espaço e pensei: aqui é o lugar para uma grande obra de Várzea Grande.”
Ela revelou que a confirmação da necessidade de instalar aí o novo complexo hospital eio após acompanhar o primeiro transplante de órgãos realizado pelo município.
“Naquele momento, a nossa preocupação era garantir que os órgãos chegassem rapidamente ao aeroporto. Foi quando pensei: por que não construir um hospital próximo ao aeroporto? A partir dali essa ideia começou a ganhar forma e, junto com o Governo do Estado, hoje ela se torna realidade.”
Segundo a prefeita, a estrutura permitirá um salto histórico na assistência.
“Além da urgência e emergência, esse hospital vai possibilitar a realização de cirurgias eletivas e também de média e alta complexidade. Será uma unidade preparada para atender as necessidades atuais e futuras da nossa população.”
A secretária municipal de Saúde, Valéria Nogueira, destacou que o novo hospital representa uma conquista aguardada há décadas.
“Essa é uma esperança que o povo várzea-grandense espera há muito tempo. A população cresceu e a estrutura atual já não comporta mais a demanda. Esse novo Pronto-Socorro amplia nossa capacidade instalada para atender Várzea Grande e toda a Baixada Cuiabana.”
Ela ressaltou que um dos maiores avanços será a ampliação dos serviços especializados.
“Hoje muitos pacientes precisam ser encaminhados para Cuiabá porque não temos estrutura suficiente para realizar cirurgias eletivas e procedimentos de média e alta complexidade. Com esse hospital, vamos ampliar não apenas a urgência e emergência, mas também a capacidade de oferecer esses serviços aqui mesmo.”
Para o governador em exercício Otaviano Pivetta, a escolha do local reúne fatores que tornam a obra mais eficiente e econômica.
“Optamos por utilizar uma estrutura já iniciada porque isso permitirá concluir o hospital com mais rapidez e menor custo. Além disso, a localização é estratégica: ao lado do aeroporto, com acesso exclusivo para emergências e integrada aos principais serviços da região.”
O secretário de Estado de Saúde, Juliano Melo, explicou que a principal vocação da unidade será atender casos graves e traumas.
“Esse hospital nasce para fortalecer a urgência e emergência. É uma estrutura que responde ao crescimento da cidade e aumenta, de forma efetiva, a oferta de serviços para toda a Baixada Cuiabana.”
Quem acompanha de perto a realidade do atual Pronto-Socorro sabe o quanto essa ampliação é necessária. O servidor público estadual Benedito Santana, conhecido como Becão, definiu o anúncio como um presente para a população.
“Nosso Pronto-Socorro ficou pequeno para uma cidade que já passa dos 300 mil habitantes. Quem precisa da saúde pública sabe das dificuldades enfrentadas. Essa obra chega para dar mais dignidade ao nosso povo e oferecer uma estrutura adequada para quem mais precisa.”
Visivelmente emocionado, o deputado estadual Fábio Tardin lembrou que aguardava esse momento desde o início do mandato.
“Esperei por esse dia durante mais de três anos. Lutei muito por esse hospital e hoje ver esse sonho começando a sair do papel é motivo de muita gratidão. Várzea Grande merece um hospital de referência.”
Politec também terá nova sede
A cerimônia também marcou a assinatura do termo de compromisso para implantação da nova sede da Politec em Várzea Grande, outro investimento considerado histórico para a região.
O diretor-geral da instituição, Jaime Trevisan, destacou que a unidade reduzirá deslocamentos e facilitará o acesso da população aos serviços periciais.
“É um sonho que se realiza. Hoje atendemos mais de 15 mil exames e muitos moradores precisam atravessar a ponte para buscar atendimento, o que dificulta principalmente os registros de violência contra mulheres. A nova unidade aproxima o serviço da população, reduz vazios assistenciais e fortalece toda a região.”
Segundo ele, o compromisso agora é acelerar a implantação.
“Não vai faltar empenho para que essa obra aconteça. Este é o tempo de fazer, de crescer e de levar os serviços públicos para mais perto das pessoas.”
Com os dois investimentos, Várzea Grande inicia uma nova etapa na estruturação da saúde e da segurança pública, consolidando um complexo de serviços que promete transformar o atendimento à população pelos próximos anos.
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Várzea Grande
Sérgio Ricardo defende “choque de gestão” para resolver caos da falta de água em Várzea Grande
Foto: Alair Ribeiro/TCE-MT
Ao defender um “choque de gestão” para enfrentar o caos de décadas no abastecimento de água e no esgotamento sanitário de Várzea Grande, o presidente do Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT), conselheiro Sérgio Ricardo, destacou que a transformação do cenário do saneamento básico do município dependerá de investimentos na casa dos bilhões e de articulação política para garantir os recursos necessários.
A defesa do presidente foi feita durante audiência pública realizada no Ginásio Fiotão, nesta quarta-feira (12), para discutir a atualização do Plano Municipal de Saneamento Básico (PMSB) e a modelagem da concessão dos serviços de abastecimento de água do município.
“Eu faço questão de estar aqui hoje porque entendo que o futuro de Várzea Grande, a segunda maior cidade do estado, é de interesse de todos nós. Eu não estou aqui só porque sou conselheiro ou porque sou presidente do Tribunal de Contas. Estou aqui porque sou mato-grossense”, declarou.
Na ocasião, Sérgio Ricardo salientou que o município enfrenta um cenário de abandono histórico no saneamento e que, para alcançar a universalização dos serviços e reverter índices críticos, como a perda de quase 60% da água produzida e a cobertura de esgoto inferior a 29%, será necessário, além do choque de gestão, uma articulação política em âmbito nacional para viabilizar os recursos necessários.
“71% da população de Várzea Grande não tem acesso a esse serviço. Para resolver essa situação, será necessário muito dinheiro, pois essa situação de Várzea Grande não será resolvida com milhões, aqui serão necessários bilhões. O estudo fala em investimentos de R$ 2 a R$ 3 bilhões, mas isso pode ser ainda maior, porque praticamente não há infraestrutura adequada na cidade”, afirmou.
Os dados citados constam de levantamento técnico realizado pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (FIPE), que projeta uma agenda de investimentos entre R$ 2,03 bilhões e R$ 3,20 bilhões, com metas de execução até 2060.
Conforme o levantamento, para atingir a meta de universalização de 90% até 2033, será necessário ampliar a rede de coleta de esgoto de 403 quilômetros para 1.584 quilômetros, quase quatro vezes a extensão atual.
“É preciso escavar Várzea Grande inteira. Em alguns bairros, a água até chega, mas não há condições de distribuí-la adequadamente porque a rede e o encanamento não prestam. Está tudo deteriorado, rompido”, asseverou o presidente.
A realização da audiência pública corresponde à sétima etapa do cronograma apresentado pela Prefeitura de Várzea Grande. A próxima fase será o encaminhamento do Plano Municipal de Saneamento Básico à Câmara Municipal, onde deverá ser analisado para posterior aprovação e transformação em lei.
“Com o estudo avançando e, principalmente, com esse diagnóstico do saneamento básico sendo encaminhado à Câmara Municipal, nós passamos a ter mais segurança jurídica para acompanhar de perto todo esse processo e para que o plano seja aprovado e transformado em lei. É fundamental que esse planejamento se torne uma política de Estado, que não dependa de quem esteja à frente da Prefeitura, porque o saneamento básico é uma necessidade permanente da população”, pontuou a prefeita Flávia Moretti.
Sem água
Ainda de acordo com o estudo, apenas 53,88% dos domicílios são efetivamente atendidos pela rede de abastecimento de água. A precariedade do serviço se reflete no cotidiano da população: 73,9% dos moradores relatam sofrer com a falta de água diária ou semanalmente.
Entre eles está Benedito da Costa, aposentado e morador do bairro Mangabeira, na região do Jardim dos Estados.
“É uma preocupação de muito tempo. A gente paga pela água, e eles mandam o caminhão-pipa toda terça e toda sexta-feira. E não é só para mim, é para os moradores do bairro. São duas cargas de água, que são suficientes para passar a semana. Lá, a gente faz o que pode. Se você tiver uma caneca de água, a gente divide essa caneca com a família inteira. Eu já estou com mais de 60 anos e tenho experiência de vida, por isso peço, prefeita, ajude o povo de lá. Resolva esse problema da água para nós. É só isso que nós queremos”, declarou.
Mesa Técnica
A busca por soluções para os problemas históricos de saneamento de Várzea Grande já é fruto de mesa técnica do TCE-MT. Requerida pela Prefeitura, a mesa foi aberta em dezembro de 2025 com o objetivo de construir uma solução técnico-jurídica para o contrato firmado com o Consórcio Lumevix, responsável pela implantação do Sistema de Esgotamento Sanitário da Sub-Bacia 02, que inclui a Estação de Tratamento de Esgoto Santa Maria (ETE Santa Maria).
Contratadas em 2016, com prazo de conclusão de 12 meses, as obras permanecem paralisadas após quase nove anos, em razão de disputas judiciais, reprogramações financeiras, entraves ambientais e baixa evolução física.
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