Várzea Grande
Peças do Fetran encantam público e elevam nível das apresentações em Várzea Grande
Várzea Grande
Diferentemente do cinema, o teatro exige que o roteiro prenda a atenção do espectador em um ambiente único e contínuo. Assim têm sido as apresentações das escolas de Várzea Grande que participam da etapa municipal da 21ª edição do Festival Estudantil Temático Teatro para o Trânsito (Fetran).
Para o inspetor da Polícia Rodoviária Federal (PRF), Ney Pedroso de Barros, integrante do grupo de Educação para o Trânsito, a disputa está acirrada e a missão dos jurados não será fácil.
“Não queria estar na pele dos jurados. Cada apresentação é uma surpresa, um misto de encantamento e emoção. São peças de altíssimo nível”, elogiou.
Segundo o inspetor, Várzea Grande conta com cerca de 20 peças inscritas, todas com excelente desempenho.
“Estamos vindo de Primavera do Leste, onde foram apresentadas 30 peças, e de Pontes e Lacerda, com mais de 34 apresentações. A disputa está bastante acirrada, mas todos os participantes estão de parabéns. Ainda teremos mais três etapas regionais antes da etapa estadual”, explicou.
Ney Barros destacou ainda que o teatro fortalece o aprendizado desenvolvido nos projetos pedagógicos das escolas.
“As crianças não desenvolvem apenas o lado cultural, mas ampliam seus conhecimentos e habilidades. Costumo dizer que elas têm uma visão antecipada do futuro. Elas escolhem seus personagens, refletem sobre o comportamento no trânsito e aprendem tudo isso de forma lúdica”, afirmou.
Na manhã desta terça-feira (30), apresentaram-se no Centro Cultural Orla da Alameda as escolas municipais Dirce Leite de Campos, com a peça “Blog no Trânsito”; Lúcia Leite Rodrigues, com “Uma Vila em Apuros”; e Manoel Corrêa de Almeida, com “A Cidade Fala”. Todas as escolas foram responsáveis pela elaboração dos roteiros, figurinos e cenários. A plateia vibrou e aplaudiu cada apresentação.
Kelly Cristina Cassol acompanhou a apresentação da filha, Marianna Cassol, aluna da EMEB Dirce Leite de Campos.
“Estou muito emocionada com a participação da minha filha. Ela é muito comunicativa e, com esse espetáculo, desenvolveu ainda mais essa habilidade. Sempre foi dedicada em tudo o que faz e estava ansiosa por esse dia. Como mãe, estou aqui para apoiá-la e viver esse momento ao lado dela.”
Luiz Paulo Rodrigues também foi prestigiar a filha, Ana Clara, estudante da mesma escola. Emocionado, destacou a importância da iniciativa.
“Gostei muito da apresentação e do engajamento dela na encenação. Esse trabalho desenvolvido pela escola é fundamental para o crescimento das crianças, e cabe a nós, pais, incentivar e acompanhar. Muitas crianças deixam de viver oportunidades como essa porque os responsáveis não participam.”
Já Estefane Mayara Martins da Silva Alves esteve na Orla da Alameda para prestigiar a apresentação da prima, aluna da EMEB Manoel Corrêa de Almeida.
“Fiquei impressionada com a atuação dela. É a primeira vez que participo desse evento e vim representando toda a família. Fiquei muito feliz com a desenvoltura dela e com a mensagem transmitida pelo espetáculo. Tenho certeza de que essa lição ficará para a vida toda.”
O Fetran segue até sexta-feira (3), quando será encerrada a etapa de Várzea Grande. A cerimônia de premiação está marcada para as 13h30.
Galeria de Fotos (27 fotos)
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Várzea Grande
Sérgio Ricardo defende “choque de gestão” para resolver caos da falta de água em Várzea Grande
Foto: Alair Ribeiro/TCE-MT
Ao defender um “choque de gestão” para enfrentar o caos de décadas no abastecimento de água e no esgotamento sanitário de Várzea Grande, o presidente do Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT), conselheiro Sérgio Ricardo, destacou que a transformação do cenário do saneamento básico do município dependerá de investimentos na casa dos bilhões e de articulação política para garantir os recursos necessários.
A defesa do presidente foi feita durante audiência pública realizada no Ginásio Fiotão, nesta quarta-feira (12), para discutir a atualização do Plano Municipal de Saneamento Básico (PMSB) e a modelagem da concessão dos serviços de abastecimento de água do município.
“Eu faço questão de estar aqui hoje porque entendo que o futuro de Várzea Grande, a segunda maior cidade do estado, é de interesse de todos nós. Eu não estou aqui só porque sou conselheiro ou porque sou presidente do Tribunal de Contas. Estou aqui porque sou mato-grossense”, declarou.
Na ocasião, Sérgio Ricardo salientou que o município enfrenta um cenário de abandono histórico no saneamento e que, para alcançar a universalização dos serviços e reverter índices críticos, como a perda de quase 60% da água produzida e a cobertura de esgoto inferior a 29%, será necessário, além do choque de gestão, uma articulação política em âmbito nacional para viabilizar os recursos necessários.
“71% da população de Várzea Grande não tem acesso a esse serviço. Para resolver essa situação, será necessário muito dinheiro, pois essa situação de Várzea Grande não será resolvida com milhões, aqui serão necessários bilhões. O estudo fala em investimentos de R$ 2 a R$ 3 bilhões, mas isso pode ser ainda maior, porque praticamente não há infraestrutura adequada na cidade”, afirmou.
Os dados citados constam de levantamento técnico realizado pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (FIPE), que projeta uma agenda de investimentos entre R$ 2,03 bilhões e R$ 3,20 bilhões, com metas de execução até 2060.
Conforme o levantamento, para atingir a meta de universalização de 90% até 2033, será necessário ampliar a rede de coleta de esgoto de 403 quilômetros para 1.584 quilômetros, quase quatro vezes a extensão atual.
“É preciso escavar Várzea Grande inteira. Em alguns bairros, a água até chega, mas não há condições de distribuí-la adequadamente porque a rede e o encanamento não prestam. Está tudo deteriorado, rompido”, asseverou o presidente.
A realização da audiência pública corresponde à sétima etapa do cronograma apresentado pela Prefeitura de Várzea Grande. A próxima fase será o encaminhamento do Plano Municipal de Saneamento Básico à Câmara Municipal, onde deverá ser analisado para posterior aprovação e transformação em lei.
“Com o estudo avançando e, principalmente, com esse diagnóstico do saneamento básico sendo encaminhado à Câmara Municipal, nós passamos a ter mais segurança jurídica para acompanhar de perto todo esse processo e para que o plano seja aprovado e transformado em lei. É fundamental que esse planejamento se torne uma política de Estado, que não dependa de quem esteja à frente da Prefeitura, porque o saneamento básico é uma necessidade permanente da população”, pontuou a prefeita Flávia Moretti.
Sem água
Ainda de acordo com o estudo, apenas 53,88% dos domicílios são efetivamente atendidos pela rede de abastecimento de água. A precariedade do serviço se reflete no cotidiano da população: 73,9% dos moradores relatam sofrer com a falta de água diária ou semanalmente.
Entre eles está Benedito da Costa, aposentado e morador do bairro Mangabeira, na região do Jardim dos Estados.
“É uma preocupação de muito tempo. A gente paga pela água, e eles mandam o caminhão-pipa toda terça e toda sexta-feira. E não é só para mim, é para os moradores do bairro. São duas cargas de água, que são suficientes para passar a semana. Lá, a gente faz o que pode. Se você tiver uma caneca de água, a gente divide essa caneca com a família inteira. Eu já estou com mais de 60 anos e tenho experiência de vida, por isso peço, prefeita, ajude o povo de lá. Resolva esse problema da água para nós. É só isso que nós queremos”, declarou.
Mesa Técnica
A busca por soluções para os problemas históricos de saneamento de Várzea Grande já é fruto de mesa técnica do TCE-MT. Requerida pela Prefeitura, a mesa foi aberta em dezembro de 2025 com o objetivo de construir uma solução técnico-jurídica para o contrato firmado com o Consórcio Lumevix, responsável pela implantação do Sistema de Esgotamento Sanitário da Sub-Bacia 02, que inclui a Estação de Tratamento de Esgoto Santa Maria (ETE Santa Maria).
Contratadas em 2016, com prazo de conclusão de 12 meses, as obras permanecem paralisadas após quase nove anos, em razão de disputas judiciais, reprogramações financeiras, entraves ambientais e baixa evolução física.
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