Várzea Grande
Meninas são as primeiras várzea-grandenses a receber doses da Pneumo 20
Várzea Grande
A pequena Theodora Leal Mota, de apenas dois meses de vida, foi a primeira moradora de Várzea Grande a receber a vacina pneumocócica 20 (Pneumo 20), na última segunda-feira (23), na Unidade Básica de Saúde do bairro Santa Isabel. Em seguida, foi a vez de Eliza Emanuelly da Silva Souza, de quatro anos, ser imunizada com a nova dose na Unidade de Saúde do bairro Água Limpa.
As meninas simbolizam a importância da vacinação como medida de proteção e prevenção, especialmente com a chegada da Pneumo 20 ao Sistema Único de Saúde (SUS). Até então disponível apenas na rede privada, a vacina podia custar mais de R$ 500.
Desde segunda-feira, as 25 unidades de saúde de Várzea Grande estão abastecidas com o novo imunizante, que passa a integrar a rotina das salas de vacinação do município. As doses são enviadas pelo Ministério da Saúde ao Estado e distribuídas aos municípios pela Secretaria de Estado de Saúde (SES). Nesta primeira remessa, Várzea Grande recebeu 800 doses.
A Pneumo 20 protege contra 20 sorotipos da bactéria Streptococcus pneumoniae, principal causadora de doenças graves, como pneumonia e meningite, responsáveis por hospitalizações, sequelas e óbitos.
O principal diferencial da nova vacina é a ampliação da proteção contra os sorotipos mais frequentemente associados à pneumonia invasiva, especialmente os tipos 3, 6A e 19A, tornando-a mais abrangente do que as formulações anteriores. O imunizante também auxilia na prevenção da otite média, condição que pode evoluir para perda auditiva e, em casos mais graves, infecção generalizada.
O pai de Theodora, Eduardo Júnior Mota Cabral, resumiu o sentimento ao imunizar a filha. “É um momento de alegria, gratidão e alívio pela proteção que ela passa a ter agora”, afirmou.
A enfermeira da Unidade de Saúde do Santa Isabel, Cida Campos, reforçou a importância da vacinação. “É uma vacina segura e que protege contra bactérias causadoras de doenças graves. É fundamental que pais e responsáveis levem seus filhos para receber esse imunizante em qualquer unidade de saúde da cidade”, destacou.
Na Unidade do Água Limpa, Eliza Emanuelly também foi acompanhada pelo pai, José Souza. Apesar do receio inicial diante da seringa, a menina foi rapidamente consolada com um pirulito oferecido pela enfermeira e responsável técnica da unidade, Lucimar Barbosa.
“Estamos em um período crítico para as doenças respiratórias. Há registros de meningite no Estado e as unidades de pronto atendimento estão lotadas de crianças com sintomas gripais. A vacina salva vidas, reduz a circulação de agentes infecciosos e evita o agravamento dos quadros clínicos”, enfatizou Lucimar.
Público-alvo
A enfermeira responsável pela Imunização da Atenção Primária de Várzea Grande, Patrícia Pretel Feitosa, explica que a Pneumo 20 passa a integrar o calendário básico de vacinação infantil. A primeira dose deve ser aplicada aos dois meses de idade, com a Pneumo 20; a segunda, aos quatro meses, com a Pneumo 10; e a dose de reforço, aos 12 meses, novamente com a Pneumo 20.
“A criança com até 4 anos, 11 meses e 29 dias que estiver com alguma dose em atraso deve procurar a unidade de saúde mais próxima, levando o cartão de vacinação, para verificar sua situação vacinal e receber a Pneumo 20”, orientou.
Segundo Patrícia, a rotina das Unidades Básicas de Saúde permanece a mesma. “Estamos ofertando mais uma vacina destinada principalmente às crianças menores de dois anos. É importante que pais e responsáveis procurem as unidades para garantir essa proteção”, concluiu.
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Várzea Grande
Sérgio Ricardo defende “choque de gestão” para resolver caos da falta de água em Várzea Grande
Foto: Alair Ribeiro/TCE-MT
Ao defender um “choque de gestão” para enfrentar o caos de décadas no abastecimento de água e no esgotamento sanitário de Várzea Grande, o presidente do Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT), conselheiro Sérgio Ricardo, destacou que a transformação do cenário do saneamento básico do município dependerá de investimentos na casa dos bilhões e de articulação política para garantir os recursos necessários.
A defesa do presidente foi feita durante audiência pública realizada no Ginásio Fiotão, nesta quarta-feira (12), para discutir a atualização do Plano Municipal de Saneamento Básico (PMSB) e a modelagem da concessão dos serviços de abastecimento de água do município.
“Eu faço questão de estar aqui hoje porque entendo que o futuro de Várzea Grande, a segunda maior cidade do estado, é de interesse de todos nós. Eu não estou aqui só porque sou conselheiro ou porque sou presidente do Tribunal de Contas. Estou aqui porque sou mato-grossense”, declarou.
Na ocasião, Sérgio Ricardo salientou que o município enfrenta um cenário de abandono histórico no saneamento e que, para alcançar a universalização dos serviços e reverter índices críticos, como a perda de quase 60% da água produzida e a cobertura de esgoto inferior a 29%, será necessário, além do choque de gestão, uma articulação política em âmbito nacional para viabilizar os recursos necessários.
“71% da população de Várzea Grande não tem acesso a esse serviço. Para resolver essa situação, será necessário muito dinheiro, pois essa situação de Várzea Grande não será resolvida com milhões, aqui serão necessários bilhões. O estudo fala em investimentos de R$ 2 a R$ 3 bilhões, mas isso pode ser ainda maior, porque praticamente não há infraestrutura adequada na cidade”, afirmou.
Os dados citados constam de levantamento técnico realizado pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (FIPE), que projeta uma agenda de investimentos entre R$ 2,03 bilhões e R$ 3,20 bilhões, com metas de execução até 2060.
Conforme o levantamento, para atingir a meta de universalização de 90% até 2033, será necessário ampliar a rede de coleta de esgoto de 403 quilômetros para 1.584 quilômetros, quase quatro vezes a extensão atual.
“É preciso escavar Várzea Grande inteira. Em alguns bairros, a água até chega, mas não há condições de distribuí-la adequadamente porque a rede e o encanamento não prestam. Está tudo deteriorado, rompido”, asseverou o presidente.
A realização da audiência pública corresponde à sétima etapa do cronograma apresentado pela Prefeitura de Várzea Grande. A próxima fase será o encaminhamento do Plano Municipal de Saneamento Básico à Câmara Municipal, onde deverá ser analisado para posterior aprovação e transformação em lei.
“Com o estudo avançando e, principalmente, com esse diagnóstico do saneamento básico sendo encaminhado à Câmara Municipal, nós passamos a ter mais segurança jurídica para acompanhar de perto todo esse processo e para que o plano seja aprovado e transformado em lei. É fundamental que esse planejamento se torne uma política de Estado, que não dependa de quem esteja à frente da Prefeitura, porque o saneamento básico é uma necessidade permanente da população”, pontuou a prefeita Flávia Moretti.
Sem água
Ainda de acordo com o estudo, apenas 53,88% dos domicílios são efetivamente atendidos pela rede de abastecimento de água. A precariedade do serviço se reflete no cotidiano da população: 73,9% dos moradores relatam sofrer com a falta de água diária ou semanalmente.
Entre eles está Benedito da Costa, aposentado e morador do bairro Mangabeira, na região do Jardim dos Estados.
“É uma preocupação de muito tempo. A gente paga pela água, e eles mandam o caminhão-pipa toda terça e toda sexta-feira. E não é só para mim, é para os moradores do bairro. São duas cargas de água, que são suficientes para passar a semana. Lá, a gente faz o que pode. Se você tiver uma caneca de água, a gente divide essa caneca com a família inteira. Eu já estou com mais de 60 anos e tenho experiência de vida, por isso peço, prefeita, ajude o povo de lá. Resolva esse problema da água para nós. É só isso que nós queremos”, declarou.
Mesa Técnica
A busca por soluções para os problemas históricos de saneamento de Várzea Grande já é fruto de mesa técnica do TCE-MT. Requerida pela Prefeitura, a mesa foi aberta em dezembro de 2025 com o objetivo de construir uma solução técnico-jurídica para o contrato firmado com o Consórcio Lumevix, responsável pela implantação do Sistema de Esgotamento Sanitário da Sub-Bacia 02, que inclui a Estação de Tratamento de Esgoto Santa Maria (ETE Santa Maria).
Contratadas em 2016, com prazo de conclusão de 12 meses, as obras permanecem paralisadas após quase nove anos, em razão de disputas judiciais, reprogramações financeiras, entraves ambientais e baixa evolução física.
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