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A coragem de existir

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Por Soraya Medeiros

 

Em algum momento da vida, todos somos obrigados a encarar aquilo que evitamos. É nesse instante que surge o verdadeiro horizonte — não o geográfico, mas aquele limite silencioso onde o visível se esgota e o incerto começa. É ali, diante do que não controlamos, que emergem as perguntas que realmente importam: quem somos, o que nos move e o que, de fato, nos sustenta.

Há quem, ao olhar para esse horizonte, enxergue apenas dureza. Para esses, a vida se reduz a um acúmulo de fardos, uma sucessão de dias que se arrastam sem sentido. Mas há também aqueles que descobrem, justamente no silêncio, uma possibilidade rara: a de estar bem na própria companhia. E essa não é uma conquista trivial. Aprender a habitar a si mesmo talvez seja uma das formas mais profundas de maturidade.

O cuidado com o outro — tão celebrado — só se torna verdadeiro quando também é dirigido para dentro. Há uma ética silenciosa nesse movimento: reconhecer limites, acolher fragilidades e sustentar a própria presença. No fundo, é disso que se trata o amor quando deixa de ser idealização e passa a ser prática.

Porque o amor não se prova na intensidade dos encontros, mas na permanência quando nada acontece. Ele se manifesta no que permanece — nos intervalos, nas pausas, nos dias comuns. É ali, longe do extraordinário, que ele revela sua forma mais consistente.

O que muitos chamam de vazio talvez seja apenas o espaço necessário para que o essencial encontre lugar.

E é nesse espaço que a realidade se impõe. Nem tudo o que nos desconforta precisa ser combatido. Há força na lucidez de aceitar o que é — não como rendição, mas como ponto de partida. Aceitar é reconhecer o chão sob os pés para, então, escolher para onde ir. Sem esse reconhecimento, toda mudança se torna frágil, quase ilusória.

Transformações verdadeiras não nascem do impulso, nem se sustentam apenas na reflexão. Elas exigem encontro: entre pensamento, emoção e ação. Pensar sem agir é permanecer na promessa. Agir sem pensar é ceder ao acaso. Viver com consciência é sustentar esse equilíbrio, mesmo quando ele exige esforço.

Durante séculos, repetimos que pensar é existir. Mas a vida, em sua complexidade, impõe outra medida: não basta pensar. É preciso sentir, escolher e responder pelas próprias escolhas. A existência plena não é automática — é construída diariamente, na forma como se vive, se decide e se insiste.

E decidir exige coragem. Não a coragem grandiosa dos gestos heróicos, mas aquela — mais difícil — de assumir a própria trajetória. Decidir é um ato de compromisso com a própria vida. Toda escolha carrega riscos, renúncias e, muitas vezes, solidão. Mas é nela que deixamos de assistir à vida para, finalmente, ocupá-la.

Que possamos seguir olhando para o horizonte — não como fuga, mas como expansão. Que a reflexão nos mova, que o afeto nos sustente e que a coragem nos conduza.

Porque, no fim, existir não é apenas permanecer. É assumir, com lucidez e coragem, a responsabilidade de se tornar quem se é.

*Soraya Medeiros é jornalista.

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Anúncios no ChatGPT: uma nova fronteira para o marketing digital

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*Rômulo Rampini

Em fase beta, a plataforma utiliza o contexto das conversas para aproximar marcas de consumidores em momentos de pesquisa e decisão

A publicidade digital acaba de ganhar uma nova frente. O ChatGPT Ads começou a ser disponibilizado no Brasil em 11 de agosto de 2026, ainda em fase beta, permitindo que empresas exibam anúncios dentro de uma das plataformas de inteligência artificial mais utilizadas do mundo.

Aqui na agência, já iniciamos os primeiros testes. Entrar neste momento tem um objetivo claro: entender como a plataforma distribui os anúncios, avaliar a qualidade das oportunidades e construir experiência prática antes que esse novo espaço se torne mais concorrido.

O principal diferencial está na forma como a publicidade é selecionada. No Google, boa parte da estratégia começa pelas palavras-chave. Na Meta, trabalhamos com interesses, comportamentos e públicos. No ChatGPT, a proposta parte principalmente do contexto e da intenção identificada durante uma conversa.

O anunciante informa temas e situações em que seu produto ou serviço pode ser relevante. A plataforma chama essas informações de “dicas de contexto”. Elas não funcionam como palavras-chave exatas e também não garantem que o anúncio aparecerá sempre que determinado assunto for mencionado.

O sistema analisa a conversa, a mensagem do anúncio e a página de destino para entender se existe compatibilidade entre o problema apresentado pelo usuário e a solução oferecida pela empresa.

Essa mudança é importante porque a marca pode aparecer enquanto o consumidor ainda está pesquisando, comparando alternativas, organizando uma necessidade ou se preparando para tomar uma decisão. É uma publicidade baseada menos em quem a pessoa é e mais naquilo que ela está tentando resolver.

O ChatGPT Ads oferece campanhas cobradas por impressões ou cliques. Nas campanhas de cliques, a recomendação inicial de lance fica entre US$ 3 e US$ 5, com investimento mínimo diário informado de US$ 25 por campanha. A entrega acontece por meio de um leilão que considera não apenas o valor investido, mas também a qualidade e a relevância do anúncio. Portanto, oferecer o maior lance não garante sozinho a exibição. Uma mensagem mais coerente com a conversa pode competir melhor do que uma publicidade genérica com orçamento superior.

A plataforma permite acompanhar impressões, cliques, investimento e conversões. Também oferece recursos para mensurar cadastros, compras, solicitações de contato e outras ações realizadas depois que a pessoa acessa a página do anunciante.Os anúncios aparecem separados das respostas orgânicas e identificados como conteúdo patrocinado. Segundo a OpenAI, eles não interferem na elaboração das respostas. Os anunciantes também não recebem acesso às conversas, memórias, históricos ou dados pessoais dos usuários.

A maior oportunidade está no momento em que a publicidade pode aparecer. Muitas pessoas já utilizam o ChatGPT para entender problemas, pesquisar serviços, comparar produtos e pedir recomendações antes de uma compra.

Isso cria um novo ponto de contato entre a descoberta e a busca tradicional. A empresa pode entrar na jornada enquanto o consumidor ainda está formando seus critérios e avaliando qual caminho seguir.Mas é importante manter os pés no chão. Ainda é cedo para considerar o ChatGPT Ads um substituto do Google ou da Meta.

A plataforma está em desenvolvimento, possui audiência publicitária limitada e ainda precisa comprovar sua capacidade de gerar resultados consistentes em diferentes segmentos.

Os anúncios não são exibidos em todos os planos. Existem também restrições envolvendo menores de 18 anos, política, saúde e outros temas sensíveis. Formatos, regras e possibilidades de segmentação ainda podem mudar durante a fase beta.Por isso, transferir imediatamente uma parcela elevada do orçamento de canais consolidados seria precipitado. O caminho mais seguro é reservar uma verba de teste, preparar uma página de destino adequada, configurar a mensuração e comparar a qualidade dos resultados.

O ChatGPT Ads não representa apenas o surgimento de mais uma plataforma.

Ele inaugura uma lógica de publicidade baseada na compreensão do problema apresentado pelo consumidor durante uma conversa.

Isso exigirá novas competências das agências e dos profissionais de marketing. Não bastará selecionar públicos ou comprar palavras-chave. Será necessário compreender quais dúvidas antecedem uma compra, quais conversas revelam intenção comercial e em quais momentos uma marca realmente pode agregar valor.

Aqui na agência, já começamos esse trabalho na prática. Estamos testando contextos, mensagens, páginas de destino e formas de mensuração para entender como transformar conversas em oportunidades comerciais. Estar presente desde o início nos permite construir experiência real, antecipar mudanças e manter nossos clientes na ponta da inovação.Ainda é cedo para afirmar qual será o tamanho do ChatGPT Ads no mercado. Também seria irresponsável recomendar que as empresas abandonem Google e Meta para apostar todas as fichas em uma plataforma que ainda está em fase beta.

Mas existe uma diferença entre agir com cautela e chegar atrasado. Aqui na agência, escolhemos começar agora, com testes controlados, investimento responsável e atenção aos resultados. No marketing digital, quem espera uma mudança se consolidar para somente depois aprender normalmente entra quando a concorrência já entendeu o caminho.

A inteligência artificial deixou de ser apenas uma ferramenta de produção, pesquisa e atendimento. Com os anúncios no ChatGPT, ela também começou a se transformar em mídia.

Rômulo Rampini é estrategista de marketing, consultor credenciado pelo SEBRAE MT e diretor da agência 3TRÊS

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