Cultura
Patrimônio histórico: quilombo em Campo Grande é o 1º tombado no país
Cultura
O Quilombo Tia Eva, nome popular da Comunidade Remanescente de Quilombo Eva Maria de Jesus, localizado em Campo Grande (MT) vai se tornar o primeiro quilombo tombado declarado do Brasil.

A comunidade é conhecida por ser uma das referências quilombolas mais antigas no país, fundada pela matriarca Eva Maria de Jesus, que chegou nas terras onde está localizada Campo Grande em 1905. O local se tornou um símbolo importante da resistência negra no estado.
O presidente do Iphan, Leandro Grass, explica que a Constituição de 1988 já havia definido os quilombos como patrimônios culturais, mas faltava regulamentar esse procedimento.
“A Constituição de 88 definiu que os quilombolas, as comunidades quilombolas, suas reminiscências históricas, seus bens, já são patrimônio cultural. No entanto, de lá pra cá isso nunca foi detalhado ou regulamentado. Em 2023, iniciamos a elaboração de uma norma, de uma portaria que pudesse estabelecer o passo a passo para que as comunidades quilombolas indicassem, definissem o que elas queriam que fosse reconhecido como patrimônio cultural dentro dos seus territórios, dentro dos seus espaços”.
Divisor de Águas
Ainda segundo o presidente, essa declaração de tombamento vai iniciar um ciclo de reconhecimentos de reminiscências históricas quilombolas, se tornando um marco.
“A importância dessa declaração é enorme. Primeiro porque inaugura um ciclo que virá pela frente de reconhecimento, de tombamentos, de reminiscências históricas quilombolas. Vai ser o primeiro quilombo inscrito no novo livro de tombos que a gente criou, que é o livro dessas reminiscências, desses elementos, que tem muito a ver com a reparação histórica. Essa política que nós instituímos ajuda, contribui para a reparação e a justiça, que tem que ser construídas junto ao patrimônio cultural de matriz africana, a essas comunidades. É um marco, é um divisor de águas”.
Além da declaração de tombamento, o novo Livro do Tombo de Documentos e Sítios Detentores de Reminiscências Históricas de Antigos Quilombos também vai ser inaugurado.
A declaração será feita nesta terça-feira (10), durante uma Reunião do Conselho Consultivo do Iphan, no Palácio Gustavo Capanema, no centro do Rio de Janeiro.
* Com supervisão de Sheily Noleto
Cultura
Festival Caju de Leitores começa nesta quarta com série de atrações
A quinta edição do Caju de Leitores, considerado o primeiro festival de literatura indígena do Brasil, começa nesta quarta-feira (2) com uma série de atrações, como rodas de conversa, contação de histórias, atividades educativas e apresentações culturais. O evento acontece na Oca Tururim, na Aldeia Xandó, em Porto Seguro, na Bahia. O local é ponto de preservação da cultura Pataxó.

Entre os participantes desta edição estão a indígena argentina Mariela Tulián, a primeira latino-americana a participar do festival; a indígena Vanessa Guarani Ratton, vencedora do Prêmio Jabuti 2023 na categoria Fomento à Leitura; e a escritora e contadora de histórias Auritha Tabajara, reconhecida como a primeira mulher indígena a publicar cordéis no Brasil.
Sairi Pataxó, escritor e anfitrião do Festival Caju de Leitores, fala sobre a origem do evento:
“O Caju de Leitores é um festival literário dentro da nossa comunidade indígena Pataxó do Xandó que nasceu em 2022 para fomentar a leitura, unir os nossos escritores do Brasil inteiro – este ano já internacional, com a escritora indígena internacional – e unir as escolas à leitura”.
Nesta edição do evento, o tema é “Um Manifesto de Bichos”, que busca dar voz e reconhecer os animais como seres que participam das histórias, das memórias e dos conhecimentos compartilhados entre gerações dos Pataxós, como explica Sairi Pataxó:
“É um tema que é muito forte na nossa cultura. É uma tradição milenar. O cachorro, que é um amigo muito forte do nosso povo, que, para onde a gente vai, principalmente onde tem mata, a gente leva o cachorro. Assim como as outras caças, que são muito fortes na tradição do nosso povo e fazem parte da vivência da nossa vida”.
Alethea Costa, curadora e coordenadora de produção do festival, fala sobre a expectativa de público para esta edição:
“Todos os anos, vem aumentando a participação de alunos, das escolas, dos professores, que já se programam durante o ano dentro da carga letiva para estarem presentes aqui, até atividades escolares que já são pensadas tendo o Caju de Leitores como um dos focos. E este ano também, o que deixa a gente bastante otimista é que nós, no início do ano, realizamos uma itinerância pelas escolas indígenas aqui do município, levamos um pouco do Caju de Leitores para essas escolas.”
Maria Coruja
O evento conta ainda com a presença da anciã e liderança Pataxó Maria Coruja, homenageada da edição deste ano. Ela é cantora, compositora, artesã e guardiã da memória do povo Pataxó. Quando criança, sobreviveu ao episódio conhecido como Fogo 51, ação violenta contra a população indígena Pataxó. Também se tornou uma das grandes referências do samba indígena.
A programação do Caju de Leitores é gratuita e acontece até sexta-feira (4).
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