Cultura
“Músico é artista” diz Luciano Calazans sobre tocar com grandes nomes
Cultura
Luciano Calazans nasceu em 1974 em Salvador e vem construindo a carreira musical desde os anos de 1990. Além do trabalho como pesquisador e arranjador, tem passagens por bandas e projetos de artistas como Gilberto Gil, Ivete Sangalo e Daniela Mercury. Ele diz que sempre procurou ser eclético e no auge da Axé Music ganhou mais projeção. 

“Eu sempre toquei em baile. A minha vida, minha escola na música, foi o baile. Tinha que tocar do sertanejo, que era Chitãozinho e Chororó, Leandro e Leonardo, passando por Frank Sinatra, Tony Bennett, depois ia para Jovem Guarda. Aí, depois, passei pela Banda Reflexu’s, mas a primeira vez, de fato, que eu vim tocar acompanhando um artista foi Sarajane na [no estúdio] WR. Eu gravava às vezes 15 álbuns por mês. Então, Sarajane foi um dos álbuns que eu gravei, fui chamado pra tocar com ela. e pra mim foi extasiante. A lembrança mais pungente que eu tenho é essa.”
Atualmente, Luciano Calazans atua como contrabaixista na banda de Margareth Menezes e acha importante que os músicos de grandes estrelas tenham o devido reconhecimento.
“A gente tem que parar com esse olhar, que é um olhar bem específico aqui do Brasil e do Nordeste, onde a pessoa que tá cantando, a estrela no caso, é o artista e o músico é o acompanhante. Não! O músico é artista! O músico é um artista que está acompanhando outro. Acompanhar uma estrela de carnaval ou a pessoa proeminente que de certa forma é um trabalho que acaba sendo seu também. Porque você tá vestindo aquela camisa. Quem vive da arte, quem vive da música, eu posso me arriscar tranquilamente a dizer que ninguém está pensando em trabalho, na hora que está em um palco ou em um trio. Eu acho que todos estão pensando ali no momento e todos estão amando. Pelo menos eu estou falando por mim, né?”
Entre idas e vindas, Luciano Calazans diz que a parceria com o Margareth Menezes já tem mais de 20 anos e nesse tempo já passaram por situações inusitadas. Em algumas, precisaram driblar o preconceito.
“Eu lembro de uma história muito engraçada quando eu estava com o Magareth Menezes. Nós estávamos indo fazer uma gravação com o maestro Aldo Brizzi em Paris. Nós pegamos um trem na Alemanha – isso mistura também com xenofobia e com um pouco de racismo, mas tudo bem, contando agora é engraçado -. Dois caras ficaram rindo o tempo todo, rindo, rindo o tempo todo. Nós sabíamos que eles estavam rindo da gente. Aí nós começamos a rir também. Daqui a pouco os rapazes vieram: ‘passaporte, please’. pediram nosso passaporte e eles nem eram da polícia. Aí eu perguntei assim: ‘você é policial? Qual é a sua autoridade?’ Quando o parou na estação, ele foi falar com um policial, aí o trem fechou, eles ficaram lá e a gente foi embora. E gente saiu dando risada pra caramba, porque eles desceram do trem pra falar com o policial como se estivéssemos fazendo algo errado. E eles ficaram lá na estação e a gente seguiu em paz e fizemos uma gravação maravilhosa”.
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Ouro Negro: espetáculo em Recife celebra os 100 anos de Moacir Santos
Domingo (18) o palco do Teatro do Parque, em Recife, recebe um espetáculo que celebra o centenário do compositor, maestro, arranjador e multi-instrumentista pernambucano, Moacir Santos.

O musical “Canto e Encanto Pernambuco – Ouro Negro: 100 Anos de Moacir Santos” leva ao palco ritmos afro-brasileiros, influências do sertão e elementos do jazz que tornaram a obra do artista única. Além da música, o texto passeia por momentos marcantes de sua trajetória artística.
Autor do álbum clássico Coisas, lançado em 1965, e primeiro orquestrador negro da Rádio Nacional, Moacir deixou legado que inspirou outras referências da MPB como Baden Powell, João Donato, Sérgio Mendes, Paulinho da Viola e tantos outros.
Sua identidade musical ultrapassou fronteiras e conquistou reconhecimento internacional quando ele passou a morar nos Estados Unidos a partir de 1967. Por lá, lançou álbuns, continuou atuando como professor de música, fazendo parcerias com grandes nomes do jazz e da música instrumental; além de compor trilhas sonoras para filmes de Hollywood nas equipes de maestros como Henry Mancini.
A montagem do Musical, reunindo mais de 80 jovens e professores, é resultado do trabalho social de iniciação à música do Núcleo Musical Irmã Scheilla desenvolvido pela Fraternidade Espírita Peixotinho desde 2010.
A encenação será às 16h e os ingressos para o espetáculo estão disponíveis na plataforma Sympla.
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