Cultura
Festejos do Dia de Reis mantêm tradição cultural pelo país
Cultura
Unindo religiosidade e cultura, os festejos do Dia de Reis são celebrados em todo o país. Em várias cidades nordestinas, a tradição já é secular e mistura missas, festivais, apresentações de reisados, entre outros folguedos da cultura popular. Em Caxias, no Maranhão, neste dia 5 de janeiro acontece o encontro de reisados, patrimônio imaterial da cidade.

A partir das 8 horas, vários folguedos do gênero se apresentam na Praça da Matriz. Entre eles, o Encanto da Terra, Jacar, Reisado Mirim, Encanto dos Corais, Filomena, os três Reis Magos e Dona Joaninha. Em Natal, a cidade vem celebrando os três Reis Magos, co-padroeiros da capital potiguar, há vários dias.
Neste 6 de janeiro, começando ainda pela madrugada, o Santuário de Santos Reis tem missa de vigília à meia-noite, missa da alvorada às 6 horas da manhã, dos enfermos às 7 horas, dos peregrinos às 9 horas da manhã, com a missa de encerramento às 16 horas, seguida da procissão pelas ruas do bairro natalense de Reis Magos.
Hoje e amanhã, a tradição da Folia de Reis também tem celebração garantida no 26º Festival de Reisado da cidade de Boa Hora, no Piauí. Nesta segunda-feira, a partir das 16 horas, a arena do festival recebe vários grupos de Reisado, entre eles o Boi Maravilha, o Boi Estrela e o Boi Esperança.
Os integrantes das brincadeiras – entre eles cantadeiras, caretas, dançador, sanfoneiro, mandado e, claro, o boi – se apresentam para uma comissão julgadora, concorrendo a prêmios em dinheiro. No dia seguinte, 6 de janeiro, na parte da tarde, ocorre o tradicional ritual da morte dos bois, realizado nas casas dos pagadores de promessas. Já à noite, a programação segue com festa e shows musicais na Praça São Pedro.
Em Pernambuco, a Folia de Reis acontece tanto no interior quanto na capital. Em Recife, a tradicional Queima da Lapinha acontece nesta terça-feira. A Queima da Palhinha ou do próprio presépio marca o encerramento dos festejos natalinos e a abertura do Carnaval, simbolizando renovação e esperança. A concentração será a partir das 16 horas, na Rua Nova, em frente à Igreja de Nossa Senhora da Conceição dos Militares.
De lá, o cortejo seguirá pela Dantas Barreto, passando em frente à Igreja de Nossa Senhora do Carmo até o Pátio de São Pedro, onde a Lapinha será queimada. O evento vai reunir pastores, orquestras, blocos líricos, grupos de dança e passistas.
Cultura
Angeli completa 70 anos e tem obra celebrada por amigos e artistas
Do punk anarquista Bob Cuspe à desbocada e libertária Rê Bordosa.

Dos Skrotinhos, gêmeos politicamente incorretos, ao Wood & Stock, dois hippies parados no tempo, passando pelo guru picareta Ralah Ricota.
Angeli criou personagens de forma crua e ácida para retratar tipos urbanos controversos.
O paulistano do bairro da Casa Verde se tornou um dos maiores chargistas e cartunistas do país e completa 70 anos nesta segunda-feira (31).
Arnaldo Angeli Filho já desenhava na infância e o contato na adolescência com os desenhos de Millôr Fernandes, Jaguar e Ziraldo no jornal O Pasquim foi decisivo para a escolha de se tornar cartunista.
Nos anos 70, começa a fazer charges para o jornal Folha de S.Paulo e, logo depois, cria a tira diária Chiclete com Banana, que se transforma numa revista de quadrinhos independente.
É nessa publicação que surgem os personagens “Los 3 Amigos”, criados por Angeli e pelos cartunistas Glauco e Laerte.
Ao trio, se junta Adão Iturrusgarai, o quarto elemento dos amigos.
Adão conta que conheceu o trabalho de Angeli pelas histórias da Rê Bordosa e comenta o impacto da obra do amigo:
“Arrisco a dizer que o Angeli é um dos maiores artistas do mundo do século 20, né? Ele quebrou aí com uma tradição do quadrinho mais durão brasileiro, mais sisudo, né? Naquela época que eu conheci o trabalho dele, era uma época que todos os cartunistas estavam voltados para a coisa da ditadura, né? O cartoon com o general. E daí, de repente, o Angeli veio com aquela pegada Rolling Stones, de rock, né? Isso que me pegou muito. Vestido de preto, punk”, diz.
Bob Cuspe, o punk velho e ranzinza que cospe na hipocrisia da sociedade, é um alter ego do próprio Angeli.
Criador e criatura se deparam no filme lançado em 2021, “Bob Cuspe – Nós Não Gostamos de Gente”, dirigido por Cesar Cabral.
Num trecho da animação, Angeli fala sobre as mudanças no seu trabalho:
“O Angeli não é o mesmo. Mudou muito. O meu desenho mudou. Você acorda um dia que você não tá bom. Não tem como pensar uma coisa legal e tal”, diz.
Sem medo de mudanças, o cartunista decidiu matar sua personagem mais famosa, a nada careta Rê Bordosa, que explodiu de tédio depois de se casar.
O cineasta Otto Guerra, diretor da animação “Wood & Stock: Sexo, Orégano e Rock’n’Roll”, fala sobre a personagem que não poderia ficar de fora do filme:
“A gente colocou ela. A Rê Bordosa é um tapa na cara, né, das pessoas que passam o tempo fingindo coisas, né? Ou tendo que assumir papéis, né? No fim das contas, a gente acaba tendo que usar várias máscaras. E a Rê Bordosa não usava nenhuma. Ela era muito autêntica. Grande personagem. Grande Angeli”, diz.
A atriz Grace Gianoukas deu voz à Rê Bordosa num curta-metragem, na série de animação e no longa “Bob Cuspe”.
Para Grace, Angeli traduziu como ninguém o espírito dos anos 80 e 90:
“É de uma profundidade psicológica, o é. É estudo aprofundado traduzido em síntese dos tipos modernos brasileiros da época. E ainda hoje, se tu vai ler, por exemplo, ‘Os Skrotinhos’, eles estão em todos os lugares. Todos os personagens do Angeli, eles são síntese da busca humana por aceitação ou por aceitar o nosso caos. Eu sou devota de Angeli”, diz.
Depois da morte de Rê Bordosa em 1987, Angeli criou Os Skrotinhos.
Para a cartunista Laerte, são eles os personagens favoritos criados pelo amigo:
“Eles são muito interessantes porque eles têm uma grande variação de atuação. Eles já se apresentaram como mulheres, como negros, como gays… E como os Skrotinhos que sempre são, né? Que sempre foram. Eu gosto porque eles colocam a história em situações limites, situações de desafio e eles colocam as pessoas todas nessas crises”, aponta.
Angeli se aposentou em 2022, após diagnóstico inicial de afasia, condição que afeta a comunicação verbal e escrita, posteriormente confirmada como parte de um quadro de demência frontotemporal, uma doença neurodegenerativa.
Cronista que traduziu em imagens as peculiaridades da metrópole e de seus tipos urbanos com seu traço único, Angeli provocou uma verdadeira revolução nos quadrinhos brasileiros.
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