Opinião
Mulher Potência: a força das comunidades femininas de negócios
Opinião
Kátia Arruda
Falar de empreendedorismo feminino hoje é falar sobre movimento, conexão e propósito. Ao longo dos últimos anos, percebi que as mulheres não estão apenas abrindo empresas, estão abrindo caminhos. Estamos inaugurando uma nova etapa em que o sucesso deixa de ser uma jornada solitária e passa a ser um percurso compartilhado, construído em comunidade.
Em um mundo cada vez mais desafiador, estar em rede deixou de ser uma opção e se tornou uma estratégia de vida. Pesquisas do Sebrae mostram que negócios liderados por mulheres permanecem mais tempo no mercado quando elas têm apoio de outras mulheres. Em 2022, o Brasil alcançou a marca de 10,3 milhões de mulheres donas de negócios, o equivalente a 34,4% de todos os empreendedores formais do país, segundo o Sebrae.
Esse número reforça como a presença feminina cresce quando existe apoio mútuo e ambientes de fortalecimento. Redes femininas aumentam a resiliência emocional, o foco e a constância, três pilares essenciais para fazer um negócio prosperar. E é exatamente esse o papel do Clube Mulher Potência: ser território de acolhimento, aprendizado e estratégia.
Vivemos um momento histórico. Em todo o Brasil, cresce o número de coletivos femininos, clubes de assinatura, redes empresariais e movimentos de apoio ao empreendedorismo de mulheres. E isso não é por acaso. Além do fortalecimento emocional, estudos do Sebrae mostram que mulheres que participam de redes têm maior acesso a mentorias, parcerias comerciais e novos mercados, além de ampliarem o aprendizado contínuo e reduzirem custos por meio de compras compartilhadas. O associativismo feminino deixou de ser inspiração e se tornou vantagem competitiva real.
Por isso, acredito profundamente que 2026 será o ano da inteligência coletiva feminina. O mundo inteiro está falando sobre a collab economy, a economia da colaboração, mas nós, mulheres, sempre trabalhamos assim, desde as nossas avós. Nossas cozinhas, igrejas e quintais sempre foram espaços de troca. Hoje, esse valor ancestral se transforma em ativo econômico. E o Mulher Potência é esse hub: convergência de ideias, talentos, histórias e oportunidades.
Vejo também surgir uma nova forma de empreender, o empreendedorismo de pertencimento. As pessoas não compram apenas produtos, compram narrativas, compram verdade, compram identidade. As mulheres têm criado negócios que traduzem quem são, de onde vieram, o que acreditam e o que representam. Aqui em Mato Grosso, isso é ainda mais forte. É bonito ver mulheres valorizando a cultura local, construindo marcas com propósito e fortalecendo um território que sempre viveu do trabalho feminino, mesmo quando esse trabalho não era reconhecido.
Outro movimento que cresce entre as mulheres é a liderança em negócios sustentáveis, circulares e sociais. Relatórios do Sebrae indicam que mulheres têm maior tendência a criar empresas com impacto ambiental e social positivo. E 2026 promete ampliar editais, créditos e programas voltados especialmente para mulheres empreendedoras. Esse ecossistema de apoio se torna uma vitrine importante para que essas lideranças possam aparecer, crescer e se consolidar.
Outro ponto importante, parcerias femininas geram lucro. O mercado finalmente entendeu isso. Pesquisas mostram que mulheres são naturalmente mais colaborativas, constroem vínculos com facilidade e criam ambientes de confiança, fatores que aceleram negócios. Dentro da nossa comunidade, vejo essa verdade ganhar forma todos os dias a partir de encontros estratégicos, mentorias cruzadas, divulgação entre membros e oportunidades reais surgindo de simples conversas.
E não posso deixar de falar sobre inovação. As mulheres dominaram as plataformas digitais, o e-commerce, a produção de conteúdo e os cursos online. Mas tecnologia não é só ferramenta, é também coragem. E coragem nasce da conexão. É por isso que a rede é tão importante, pois oferece segurança para que cada mulher aprenda, teste, erre, melhore e avance sem medo.
O Clube Mulher Potência é ponte entre mulheres e inovação digital, oferecendo direção para que cada uma encontre seu caminho. Por tudo isso, acredito que o futuro do empreendedorismo feminino será construído em comunidade. Não existe mais espaço para crescer sozinha, mas para crescer juntas, alinhadas às principais tendências globais, colaboração, sustentabilidade, identidade territorial, propósito e humanização. Aqui, celebramos a força de cada mulher, porque quando uma mulher se levanta, todas nós avançamos.
Kátia Arruda é palestrante e mentora de mulheres, Administradora, Mestre em Gestão de Pessoas, CEO no Clube Mulher Potência e idealizadora do Mulher Potência, maior evento de empreendedorismo feminino de Mato Grosso.
Opinião
Anúncios no ChatGPT: uma nova fronteira para o marketing digital
*Rômulo Rampini
Em fase beta, a plataforma utiliza o contexto das conversas para aproximar marcas de consumidores em momentos de pesquisa e decisão
A publicidade digital acaba de ganhar uma nova frente. O ChatGPT Ads começou a ser disponibilizado no Brasil em 11 de agosto de 2026, ainda em fase beta, permitindo que empresas exibam anúncios dentro de uma das plataformas de inteligência artificial mais utilizadas do mundo.
Aqui na agência, já iniciamos os primeiros testes. Entrar neste momento tem um objetivo claro: entender como a plataforma distribui os anúncios, avaliar a qualidade das oportunidades e construir experiência prática antes que esse novo espaço se torne mais concorrido.
O principal diferencial está na forma como a publicidade é selecionada. No Google, boa parte da estratégia começa pelas palavras-chave. Na Meta, trabalhamos com interesses, comportamentos e públicos. No ChatGPT, a proposta parte principalmente do contexto e da intenção identificada durante uma conversa.
O anunciante informa temas e situações em que seu produto ou serviço pode ser relevante. A plataforma chama essas informações de “dicas de contexto”. Elas não funcionam como palavras-chave exatas e também não garantem que o anúncio aparecerá sempre que determinado assunto for mencionado.
O sistema analisa a conversa, a mensagem do anúncio e a página de destino para entender se existe compatibilidade entre o problema apresentado pelo usuário e a solução oferecida pela empresa.
Essa mudança é importante porque a marca pode aparecer enquanto o consumidor ainda está pesquisando, comparando alternativas, organizando uma necessidade ou se preparando para tomar uma decisão. É uma publicidade baseada menos em quem a pessoa é e mais naquilo que ela está tentando resolver.
O ChatGPT Ads oferece campanhas cobradas por impressões ou cliques. Nas campanhas de cliques, a recomendação inicial de lance fica entre US$ 3 e US$ 5, com investimento mínimo diário informado de US$ 25 por campanha. A entrega acontece por meio de um leilão que considera não apenas o valor investido, mas também a qualidade e a relevância do anúncio. Portanto, oferecer o maior lance não garante sozinho a exibição. Uma mensagem mais coerente com a conversa pode competir melhor do que uma publicidade genérica com orçamento superior.
A plataforma permite acompanhar impressões, cliques, investimento e conversões. Também oferece recursos para mensurar cadastros, compras, solicitações de contato e outras ações realizadas depois que a pessoa acessa a página do anunciante.Os anúncios aparecem separados das respostas orgânicas e identificados como conteúdo patrocinado. Segundo a OpenAI, eles não interferem na elaboração das respostas. Os anunciantes também não recebem acesso às conversas, memórias, históricos ou dados pessoais dos usuários.
A maior oportunidade está no momento em que a publicidade pode aparecer. Muitas pessoas já utilizam o ChatGPT para entender problemas, pesquisar serviços, comparar produtos e pedir recomendações antes de uma compra.
Isso cria um novo ponto de contato entre a descoberta e a busca tradicional. A empresa pode entrar na jornada enquanto o consumidor ainda está formando seus critérios e avaliando qual caminho seguir.Mas é importante manter os pés no chão. Ainda é cedo para considerar o ChatGPT Ads um substituto do Google ou da Meta.
A plataforma está em desenvolvimento, possui audiência publicitária limitada e ainda precisa comprovar sua capacidade de gerar resultados consistentes em diferentes segmentos.
Os anúncios não são exibidos em todos os planos. Existem também restrições envolvendo menores de 18 anos, política, saúde e outros temas sensíveis. Formatos, regras e possibilidades de segmentação ainda podem mudar durante a fase beta.Por isso, transferir imediatamente uma parcela elevada do orçamento de canais consolidados seria precipitado. O caminho mais seguro é reservar uma verba de teste, preparar uma página de destino adequada, configurar a mensuração e comparar a qualidade dos resultados.
O ChatGPT Ads não representa apenas o surgimento de mais uma plataforma.
Ele inaugura uma lógica de publicidade baseada na compreensão do problema apresentado pelo consumidor durante uma conversa.
Isso exigirá novas competências das agências e dos profissionais de marketing. Não bastará selecionar públicos ou comprar palavras-chave. Será necessário compreender quais dúvidas antecedem uma compra, quais conversas revelam intenção comercial e em quais momentos uma marca realmente pode agregar valor.
Aqui na agência, já começamos esse trabalho na prática. Estamos testando contextos, mensagens, páginas de destino e formas de mensuração para entender como transformar conversas em oportunidades comerciais. Estar presente desde o início nos permite construir experiência real, antecipar mudanças e manter nossos clientes na ponta da inovação.Ainda é cedo para afirmar qual será o tamanho do ChatGPT Ads no mercado. Também seria irresponsável recomendar que as empresas abandonem Google e Meta para apostar todas as fichas em uma plataforma que ainda está em fase beta.
Mas existe uma diferença entre agir com cautela e chegar atrasado. Aqui na agência, escolhemos começar agora, com testes controlados, investimento responsável e atenção aos resultados. No marketing digital, quem espera uma mudança se consolidar para somente depois aprender normalmente entra quando a concorrência já entendeu o caminho.
A inteligência artificial deixou de ser apenas uma ferramenta de produção, pesquisa e atendimento. Com os anúncios no ChatGPT, ela também começou a se transformar em mídia.
Rômulo Rampini é estrategista de marketing, consultor credenciado pelo SEBRAE MT e diretor da agência 3TRÊS
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