Opinião
O verdadeiro Robin Hood às avessas
Opinião
Por exemplo, para uma empresa optante pelo regime tributário do Lucro Presumido ou Lucro Real, pagar um salário de R$ 4 mil, em geral a empresa desembolsará R$ 6.680 mil. Desse total, R$ 2.680 mil vão direto para o governo em impostos e encargos! O trabalhador, por sua vez, paga mais R$ 760 em tributos sobre sua própria renda. No fim do mês, de tudo o que o empresário produziu e o empregado trabalhou, quase metade fica com o Governo Federal, que pouco devolve em serviços básicos de qualidade.
Quando o cidadão vai ao mercado, paga imposto no arroz e no feijão. Na conta de luz, na água, na gasolina, na internet, em tudo o que consome, há mais tributos. Paga caro por um plano de saúde porque o SUS não dá conta de atender com agilidade e qualidade. Paga escola particular porque a escola pública em geral não ensina o suficiente para a criança ser independente na vida adulta. E, ainda assim, o discurso oficial tenta convencer o trabalhador de que o problema é o patrão.
É um gatilho político antigo: criar um inimigo comum. A narrativa do “empresário vilão” serve para mascarar a ineficiência e a voracidade fiscal do Governo Federal que representa a maior fatia de impostos pagos ao Estado brasileiro. Enquanto o setor produtivo — aquele que gera empregos, renda e oportunidades — luta para sobreviver num ambiente sufocado por impostos, burocracia e insegurança jurídica, o governo continua a engordar sua máquina, gastando bilhões em privilégios, mordomias e licitações absurdas, como por exemplo, as famosas lagostas e vinhos dos tribunais superiores.
Como bem descreve Murray Rothbard em seu livro “Anatomia do Estado”, o governo não é uma entidade benevolente que protege a sociedade, mas sim, um parasita institucionalizado que vive da espoliação sistemática de você, cidadão que produz. Partindo deste livro, entende-se, que o Estado, não passa de uma organização que, ao contrário das empresas (que dependem do consentimento voluntário de seus clientes), se sustenta pela coerção e pela ameaça contra os pagadores de impostos que se não pagarem em dia, correm o risco de serem até presos ao final de um processo (Segundo o Ministério da Fazenda, o ministro Fernando Haddad propôs em 10 de abril de 2025, que o Congresso aprove uma lei para tipificar e punir o chamado “devedor contumaz” de impostos). Assim, segundo Rothbard, impostos, portanto, não são contribuições, mas confisco, ou seja, são uma forma “legalizada” de pilhagem travestida de dever cívico.
Quando o presidente da República culpa os empresários pelos baixos salários, ignora que o verdadeiro “patrão” de todos é o “Leviatã estatal de Hobbes”, é o Estado! Que drena a riqueza da sociedade produtiva para sustentar uma elite burocrática improdutiva. O que Rothbard revelou em seu livro, e que o Brasil vive na prática, é que o Estado não cria nada! O Estado apenas toma, distribui conforme seus interesses políticos e se autopromove como salvador das crises que ele mesmo criou.
Não é o empresário quem oprime o trabalhador. É o Estado pesado, burocrático, ineficiente e caro, que consome o que ambos produzem. Demonizar quem empreende é um erro estratégico e moral. O empresário NÃO é inimigo do povo, ele é o elo que mantém a roda da economia girando, que realmente distribui riquezas, cria empregos e oportunidades em meio a um sistema hostil.
O Estado não redistribui riqueza dos ricos para os pobres, mas sim suga recursos de todos para sustentar a si próprio. Essa engrenagem estatal mantém os mesmos grupos políticos no poder, utilizando os mais vulneráveis como massa de manobra, se utilizando do argumento emocional velho, desgastado e maquiavélico do “nós contra eles” ou “nós contra as elites”, em campanhas políticas. Assim, em outras palavras, o Robin Hood às avessas não é o patrão, não é o empresário empreendedor, mas ele está lá em Brasília sem ter um rosto ou um corpo próprio, o Robin Hood às avessas é um “sistema” que pertence a uma organização, conhecida como “Estado”, que insiste em tomar o dinheiro do pobre para dar regalia a políticos ricos, que só pensam em se elegerem e se reelegerem, devolvendo migalhas através de “programas sociais” como Bolsa Família, Auxílio Gás, Luz Para Todos, entre outros, para manter o controle sobre a população mais carente, que não pode se defender dos abusos desse sistema. Como dizia a celebre frase do Capitão Nascimento ao final do filme Tropa de Elite 2: “Quem você acha que sustenta tudo isso? É, e custa caro, muito caro. O sistema é muito maior do que eu pensava… Para mudar as coisas, vai demorar muito tempo. O sistema é fo**!”.
O Brasil precisa de uma reforma muito maior que a tributária que está chegando em 2026, precisa que vá além de trocar nomes de impostos. Precisa acabar completamente com a burocracia, precisa acabar com fundos eleitorais bilionários, precisa reduzir a carga sobre quem trabalha e produz, e precisa cortar o privilégio de quem vive à sombra da arrecadação. Enquanto isso não acontecer, continuará sendo mais fácil culpar o empreendedor do que encarar a verdade incômoda: o maior inimigo do progresso brasileiro não é quem gera riqueza, mas quem a toma sem devolver em serviços, segurança pública, segurança jurídica e eficiência.
Opinião
O professor brasileiro presta contas demais e decide de menos

Os números descrevem a dimensão do problema. No Global Teacher Status Index, levantamento da Varkey Foundation conduzido em 35 países, o Brasil aparece na última posição em valorização docente. Apenas 9% dos brasileiros acreditam que os alunos respeitam seus professores.
Os indicadores posteriores não corrigem o diagnóstico. O Relatório Global sobre Professores, da Unesco, aponta que apenas 5% dos jovens brasileiros de 15 anos manifestam interesse pela docência. Entre 2009 e 2021, a proporção de professores com menos de 24 anos caiu 42%, enquanto a de profissionais acima de 50 cresceu 109%. Não estamos diante de uma crise de percepção. Estamos diante de uma crise de sucessão.
A causa costuma ser atribuída à remuneração. A remuneração é parte do problema, mas não o explica sozinho. O que corrói a profissão, silenciosamente, é a suspeita permanente.
Em mais de uma década de imersões em sistemas educacionais estrangeiros, observei o funcionamento inverso. Na Finlândia, a formação docente exige mestrado e a seleção admite cerca de um décimo dos candidatos. Não há inspeção nacional das escolas nem avaliação formal individualizada dos professores. A arquitetura do sistema parte de um pressuposto: quem foi rigorosamente formado não precisa ser vigiado.
Aqui, exigimos várias camadas de prestação de contas: registros, relatórios, justificativas, protocolos de comprovação. O docente passa boa parte de sua jornada demonstrando que trabalhou, em detrimento do tempo dedicado a trabalhar.
Não defendo a ausência de accountability. Dirijo instituições e sei que indicadores, metas e transparência são inegociáveis. Defendo que ela se dirija ao projeto pedagógico, e não à competência individual de quem já foi contratado justamente por possuí-la.
Existe alternativa metodológica, e ela já está em uso. Trata-se do Barômetro de Pais, instrumento de escuta sistematizado pela consultora educacional Ayla Huovi a partir de práticas finlandesas de gestão escolar.
O funcionamento é simples e a inversão que ele provoca é profunda. As perguntas dirigidas às famílias são formuladas pelos próprios professores, e não pela direção ou pela área de comunicação. As respostas são consolidadas em um conjunto reduzido de eixos direcionadores, que passam a orientar as decisões pedagógicas do período seguinte. E o resultado retorna às famílias, acompanhado do que será feito a partir dele. A sensação que a família já foi ouvida, diminui a recorrência de intromissões ao longo do período.
A diferença em relação a uma pesquisa de satisfação convencional é a natureza e o objetivo. A pesquisa de satisfação mede a percepção sobre o serviço prestado e, quase sempre, individualiza responsabilidades. O barômetro produz diagnóstico institucional. Ele não pergunta se o professor agrada; pergunta o que a escola precisa enxergar. Quando quem conhece a sala de aula define o que investigar, a escuta deixa de ser gestão de reclamações e passa a alimentar política pedagógica.
Aplicamos o método em nossas escolas e o efeito mais nítido não recaiu sobre as famílias, mas sobre a equipe. O professor que formula a pergunta assume a autoria da resposta. Ele deixa de ser objeto do levantamento e passa a ser seu condutor.
Isso reposiciona a relação com os pais. A confiança das famílias nasce de perceber que o professor detém autoridade técnica reconhecida por seus gestores. Quando a escola trata o docente como executor, a família o trata como prestador de serviço.
Reverter esse quadro é decisão de governança, não de discurso. Passa por selecionar melhor, formar continuamente, remunerar de forma compatível e sustentar publicamente as decisões pedagógicas de quem está em sala.
*Márcia Amorim Pedr’Angelo é psicopedagqoga, fundadora das escolas Toque de Mãe e Unicus, e coordenadora da Unesco para a Educação em Mato Grosso e Mato Grosso do Sul
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