Cultura
Bairro de Nazaré já recebe fiéis para o Círio 2025
Cultura
Fiéis e visitantes movimentam a Praça Santuário, no bairro de Nazaré, em Belém, com momentos de devoção, emoção e fé.

Devotos e turistas foram até o local para amarrar fitinhas de promessas na grade da Basílica, uma tradição de fé que ultrapassa gerações ao longo do tempo. Os pedidos marcam a expectativa para viver a grande festa que acontece neste domingo (12), em homenagem à Nossa Senhora de Nazaré.
A estudante Luciane Silva conta que sempre recebeu respostas em relação aos seus pedidos para a santa.
“A minha relação com as fitinhas sempre foi muito importante, desde criancinha. A gente ia no Círio, ali no Lirio Mimoso, comprava, fazia promessas. Desde criancinha minha família me ensinou essa tradição que é comum e que abrange todas as pessoas que gostam do Círio, né? Então, todo ano eu compro a fitinha, quando arrebenta na verdade, e aí refaço os pedidos e sempre dá certo. Graças a Deus, a Nazinha sempre honrou todos os meus pedidos.”
Outras atitudes são pedidos e agradecimentos em forma de objetos esculpidos em gesso, como casas, parte do corpo humano que foram curadas e pessoas que foram protegidas. Já as fitas do Círio, assim como em várias procissões no Brasil, são símbolo de fé e tradição, aproximando os fiéis à Nossa Senhora de Nazaré.
A agrônoma Luana Costa fala da sua experiência:
“Normalmente, eu sempre fiz pedidos. Mesmo com a idade que vai se passando, a gente acaba saindo um pouco desse mundo um pouco lúdico, mas ainda assim, sempre quando vai amarrar, sempre rola um pedido sim. A fé sempre se faz presente nesse momento e a gente não deixa de acreditar que na verdade o pedido é um material que reafirme a tua fé, ele representa aquilo que tu acredita, ele representa os teus mistérios de fé mesmo. Então acaba que quem usa sempre consegue identificar.”
Cultura
Festival Caju de Leitores começa nesta quarta com série de atrações
A quinta edição do Caju de Leitores, considerado o primeiro festival de literatura indígena do Brasil, começa nesta quarta-feira (2) com uma série de atrações, como rodas de conversa, contação de histórias, atividades educativas e apresentações culturais. O evento acontece na Oca Tururim, na Aldeia Xandó, em Porto Seguro, na Bahia. O local é ponto de preservação da cultura Pataxó.

Entre os participantes desta edição estão a indígena argentina Mariela Tulián, a primeira latino-americana a participar do festival; a indígena Vanessa Guarani Ratton, vencedora do Prêmio Jabuti 2023 na categoria Fomento à Leitura; e a escritora e contadora de histórias Auritha Tabajara, reconhecida como a primeira mulher indígena a publicar cordéis no Brasil.
Sairi Pataxó, escritor e anfitrião do Festival Caju de Leitores, fala sobre a origem do evento:
“O Caju de Leitores é um festival literário dentro da nossa comunidade indígena Pataxó do Xandó que nasceu em 2022 para fomentar a leitura, unir os nossos escritores do Brasil inteiro – este ano já internacional, com a escritora indígena internacional – e unir as escolas à leitura”.
Nesta edição do evento, o tema é “Um Manifesto de Bichos”, que busca dar voz e reconhecer os animais como seres que participam das histórias, das memórias e dos conhecimentos compartilhados entre gerações dos Pataxós, como explica Sairi Pataxó:
“É um tema que é muito forte na nossa cultura. É uma tradição milenar. O cachorro, que é um amigo muito forte do nosso povo, que, para onde a gente vai, principalmente onde tem mata, a gente leva o cachorro. Assim como as outras caças, que são muito fortes na tradição do nosso povo e fazem parte da vivência da nossa vida”.
Alethea Costa, curadora e coordenadora de produção do festival, fala sobre a expectativa de público para esta edição:
“Todos os anos, vem aumentando a participação de alunos, das escolas, dos professores, que já se programam durante o ano dentro da carga letiva para estarem presentes aqui, até atividades escolares que já são pensadas tendo o Caju de Leitores como um dos focos. E este ano também, o que deixa a gente bastante otimista é que nós, no início do ano, realizamos uma itinerância pelas escolas indígenas aqui do município, levamos um pouco do Caju de Leitores para essas escolas.”
Maria Coruja
O evento conta ainda com a presença da anciã e liderança Pataxó Maria Coruja, homenageada da edição deste ano. Ela é cantora, compositora, artesã e guardiã da memória do povo Pataxó. Quando criança, sobreviveu ao episódio conhecido como Fogo 51, ação violenta contra a população indígena Pataxó. Também se tornou uma das grandes referências do samba indígena.
A programação do Caju de Leitores é gratuita e acontece até sexta-feira (4).
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