Várzea Grande
Prefeita lança programa “Acelera Saúde VG” para reduzir fila de cirurgias eletivas no SUS
Várzea Grande
O programa é voltado para cirurgias ortopédicas, ginecológicas, pediátricas, oftalmológicas e geral com quatro unidades hospitalares em ação: o Pronto- Socorro, a Maternidade, o Hospital Santa Rita e o Centro Mato-grossense de Oftalmologia
A Prefeitura de Várzea Grande, por meio da Secretaria Municipal de Saúde, lançou nessa sexta-feira (1º), o programa Acelera Saúde VG, uma iniciativa municipal que tem como principal objetivo dar agilidade aos procedimentos cirúrgicos eletivos de pacientes que estão na fila de espera do Sistema Único de Saúde (SUS).
Durante o lançamento do evento, no Auditório do Univag, a prefeita Flávia Moretti (PL), afirmou que não faz política com a saúde e que a saúde se tornou uma prioridade no seu governo. No primeiro dia útil, após a posse, visitou o Pronto-Socorro e Hospital Municipal (PSHMVG) quando se deparou com uma situação de abandono. “A saúde de Várzea Grande não pode continuar em estado de sobrevivência. Quando assumimos, encontramos um cenário lamentável: um Pronto-Socorro sem suporte nem para um soro, sem equipamentos adequados, sem maca, com salas fechadas por infiltração e pacientes nos corredores, porque tudo era alugado, tudo terceirizado. Era a prova do abandono e da precariedade de um sistema que já vinha sendo sucateado há anos”.
A prefeita destacou que a gestão está quebrando uma cultura de trabalho que vinha se arrastando por anos e não fazia a saúde avançar. “Estamos reconstruindo a saúde pública do nosso Município com seriedade, responsabilidade e compromisso com as pessoas. É uma nova história sendo escrita”, destaca.
Só com o programa Fila Zero já foram realizados mais de 37 mil procedimentos, com um faturamento que ultrapassa os R$ 4 milhões. Isso significa que milhares de vidas deixaram de esperar, saíram da fila e receberam o atendimento que mereciam.
E é justamente esse o objetivo do Mutirão Acelera Saúde VG: acelerar ainda mais esse processo. Tirar mais pessoas da fila. Levar saúde, levar dignidade, levar qualidade de vida aos munícipes.
ACELERA VG – O programa é voltado para cirurgias ortopédicas, ginecológicas, pediátricas, oftalmológicas e geral com quatro unidades hospitalares em ação: o Pronto- Socorro, a Maternidade, o Hospital Santa Rita e o Centro Mato-grossense de Oftalmologia.
“É um programa que nasce com o compromisso de resolver e dar respostas rápidas à nossa população. Sabemos o quanto é angustiante esperar por uma cirurgia, e o Acelera Saúde VG vem justamente para mudar essa realidade”, destacou a Secretária Municipal de Saúde, Deisi Bocalon.
O Acelera Saúde VG é um “braço” do programa estadual Fila Zero, lançado em Várzea Grande no final de março deste ano. Além de acelerar o agendamento das cirurgias, a iniciativa também promove uma busca ativa dos pacientes que estão na fila, com o objetivo de atualizar o Cartão SUS e os dados de contato, já que muitas tentativas de ligação têm sido frustradas por números desatualizados.
“A gente precisa que os pacientes procurem as unidades de saúde para atualizarem seus dados. Muitas vezes não conseguimos localizá-los porque o número de telefone está errado ou desativado. Isso atrasa ainda mais o processo”, explicou a subsecretaria Erika Carvalho.
Com o Acelera Saúde VG, a gestão municipal reafirma o compromisso com a saúde pública e com o direito da população a um atendimento digno, resolutivo e humanizado.
CARTÃO SUS – Para que o Acelera Saúde VG cumpra seu objetivo e que o cidadão tenha acesso aos serviços oferecidos é necessário manter atualizados os dados cadastrais do Cartão Nacional de Saúde, também chamado de Cartão SUS. É por meio das informações que estão lá, que os pacientes regulados serão contatados.
Os dados que precisam ser atualizados são: endereço completo, incluindo CEP, e principalmente, o número de celular e o número do CPF.
Através deste cartão, são realizados contatos para agendamento de consultas, exames e cirurgias. Portanto, é fundamental que o cadastro dos pacientes esteja sempre atualizado.
Várzea Grande
Sérgio Ricardo defende “choque de gestão” para resolver caos da falta de água em Várzea Grande
Foto: Alair Ribeiro/TCE-MT
Ao defender um “choque de gestão” para enfrentar o caos de décadas no abastecimento de água e no esgotamento sanitário de Várzea Grande, o presidente do Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT), conselheiro Sérgio Ricardo, destacou que a transformação do cenário do saneamento básico do município dependerá de investimentos na casa dos bilhões e de articulação política para garantir os recursos necessários.
A defesa do presidente foi feita durante audiência pública realizada no Ginásio Fiotão, nesta quarta-feira (12), para discutir a atualização do Plano Municipal de Saneamento Básico (PMSB) e a modelagem da concessão dos serviços de abastecimento de água do município.
“Eu faço questão de estar aqui hoje porque entendo que o futuro de Várzea Grande, a segunda maior cidade do estado, é de interesse de todos nós. Eu não estou aqui só porque sou conselheiro ou porque sou presidente do Tribunal de Contas. Estou aqui porque sou mato-grossense”, declarou.
Na ocasião, Sérgio Ricardo salientou que o município enfrenta um cenário de abandono histórico no saneamento e que, para alcançar a universalização dos serviços e reverter índices críticos, como a perda de quase 60% da água produzida e a cobertura de esgoto inferior a 29%, será necessário, além do choque de gestão, uma articulação política em âmbito nacional para viabilizar os recursos necessários.
“71% da população de Várzea Grande não tem acesso a esse serviço. Para resolver essa situação, será necessário muito dinheiro, pois essa situação de Várzea Grande não será resolvida com milhões, aqui serão necessários bilhões. O estudo fala em investimentos de R$ 2 a R$ 3 bilhões, mas isso pode ser ainda maior, porque praticamente não há infraestrutura adequada na cidade”, afirmou.
Os dados citados constam de levantamento técnico realizado pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (FIPE), que projeta uma agenda de investimentos entre R$ 2,03 bilhões e R$ 3,20 bilhões, com metas de execução até 2060.
Conforme o levantamento, para atingir a meta de universalização de 90% até 2033, será necessário ampliar a rede de coleta de esgoto de 403 quilômetros para 1.584 quilômetros, quase quatro vezes a extensão atual.
“É preciso escavar Várzea Grande inteira. Em alguns bairros, a água até chega, mas não há condições de distribuí-la adequadamente porque a rede e o encanamento não prestam. Está tudo deteriorado, rompido”, asseverou o presidente.
A realização da audiência pública corresponde à sétima etapa do cronograma apresentado pela Prefeitura de Várzea Grande. A próxima fase será o encaminhamento do Plano Municipal de Saneamento Básico à Câmara Municipal, onde deverá ser analisado para posterior aprovação e transformação em lei.
“Com o estudo avançando e, principalmente, com esse diagnóstico do saneamento básico sendo encaminhado à Câmara Municipal, nós passamos a ter mais segurança jurídica para acompanhar de perto todo esse processo e para que o plano seja aprovado e transformado em lei. É fundamental que esse planejamento se torne uma política de Estado, que não dependa de quem esteja à frente da Prefeitura, porque o saneamento básico é uma necessidade permanente da população”, pontuou a prefeita Flávia Moretti.
Sem água
Ainda de acordo com o estudo, apenas 53,88% dos domicílios são efetivamente atendidos pela rede de abastecimento de água. A precariedade do serviço se reflete no cotidiano da população: 73,9% dos moradores relatam sofrer com a falta de água diária ou semanalmente.
Entre eles está Benedito da Costa, aposentado e morador do bairro Mangabeira, na região do Jardim dos Estados.
“É uma preocupação de muito tempo. A gente paga pela água, e eles mandam o caminhão-pipa toda terça e toda sexta-feira. E não é só para mim, é para os moradores do bairro. São duas cargas de água, que são suficientes para passar a semana. Lá, a gente faz o que pode. Se você tiver uma caneca de água, a gente divide essa caneca com a família inteira. Eu já estou com mais de 60 anos e tenho experiência de vida, por isso peço, prefeita, ajude o povo de lá. Resolva esse problema da água para nós. É só isso que nós queremos”, declarou.
Mesa Técnica
A busca por soluções para os problemas históricos de saneamento de Várzea Grande já é fruto de mesa técnica do TCE-MT. Requerida pela Prefeitura, a mesa foi aberta em dezembro de 2025 com o objetivo de construir uma solução técnico-jurídica para o contrato firmado com o Consórcio Lumevix, responsável pela implantação do Sistema de Esgotamento Sanitário da Sub-Bacia 02, que inclui a Estação de Tratamento de Esgoto Santa Maria (ETE Santa Maria).
Contratadas em 2016, com prazo de conclusão de 12 meses, as obras permanecem paralisadas após quase nove anos, em razão de disputas judiciais, reprogramações financeiras, entraves ambientais e baixa evolução física.
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