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Terremotos são comuns em MT? Especialistas respondem

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Fonte: Gazeta Digital, créditos da imagem: Chico Ferreira

A palavra “terremoto” geralmente evoca no imaginário coletivo desastres como os ocorridos na Tailândia, em 2004, e no Japão, em 2011. Tragédias que deixaram suas marcas em milhares de mortos e uma destruição completa das cidades atingidas.

Nos dois casos, diversos vídeos foram gravados de helicópteros, por populares e por câmeras de segurança e divulgados nos aparelhos televisivos. Imagens que deram o tom do terror que tailandeses e japoneses vivenciaram naqueles dias.

No Brasil, por outro lado, o fenômeno do terremoto é visto com distância, como se não dissesse respeito ao país tupiniquim.

O terremoto, também chamado de sismo ou abalo sísmico, é um tremor de terra causado por uma liberação de energia na crosta terrestre do planeta, geralmente ocasionada por conta do choque entre placas tectônicas.

De acordo com o geólogo e professor da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Caiubi Kuhn, terremotos no Brasil são esporádicos, mas presentes dentro de uma perspectiva de anos.

“Se a gente olhar a curto prazo, o Brasil não tem terremoto praticamente, é muito difícil. Se a gente fosse olhar um mapa desse de longo prazo dos últimos 100 anos do mundo inteiro, o mundo inteiro estaria cheio de terremotos, inclusive no Brasil”, explicou.

LABSIS/UFRN/Divulgação

mapa terremotos brasil

Em Mato Grosso, a lógica é a mesma. Segundo o geólogo, os terremotos em solo brasileiro não costumam ser de grande magnitude. “Normalmente [são] terremotos de menor intensidade, relacionados a ajustes de blocos geológicos, a movimentações geológicas que ocorrem, dentro de bacias sedimentares, de áreas que têm alguma atividade tectônica um pouco maior, mas que não é na borda da placa tectônica, é dentro da placa”, disse.

Isso se dá pela distância das bordas da placa tectônica a qual o Brasil está inserido. A borda à esquerda está localizada na região dos Andes, no Chile, e a outra, à direita, no meio do Oceano Atlântico, entre a América do Sul e a África.

Essa geografia explicaria a baixa frequência e magnitude dos terremotos no Brasil e em Mato Grosso.

MT já teve maior terremoto do Brasil

Até janeiro do ano passado, o maior terremoto da história havia sido registrado em Mato Grosso, em 31 de janeiro de 1955. O tremor, segundo a Rede Sismográfica Brasileira (RSBR), foi de 6,2 de magnitude na escala Richter (criada em 1935, por Charles Richter), e ocorreu na Serra do Tombador, na região de Porto dos Gaúchos (663 km a médio-norte de Cuiabá).

Pouco se sabe acerca do que aconteceu na época. O sismo não produziu muitos danos, haja vista que a região era praticamente desabitada. Contudo, segundo relatos de historiadores, o tremor foi sentido em Cuiabá.

No recorte dos últimos anos, é possível verificar uma recorrência maior de terremotos na região da Serra do Tombador. De acordo com o geofísico e professor pela Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Sérgio Fachin, isto acontece devido a um falhamento geológico de grande porte, que, por sua vez, provoca movimentos tectônicos que afetam a região.

“A partir do final da década de 1970, detectaram sismos em Porto dos Gaúchos nos anos de 1981, 1989, 1993, 1996 e 1997. Em 10 de março de 1998, foi registrado um sismo de 5,2 mb e em 23 de março de 2005 outro tremor na magnitude de 5,0 mb. A partir disso, a região foi denominada de Zona Sísmica de Porto dos Gaúchos (ZSPG), definida pela réplica de tremores entre os anos de 1998 a 2005”, explicou o geofísico.

Segundo Sérgio Fachin, sismos com magnitude acima de 5,0 mb não são frequentes no Brasil. “O monitoramento dos tremores de terra desta magnitude, no Brasil, mostra que a frequência desse evento se dá a cada 50 anos”, completa.

Conforme ele, porém, se a capital mato-grossense fosse atingida por um evento similar ao ocorrido em Porto dos Gaúchos em 1955, o estrago seria grande.

“Se o epicentro de um tremor de magnitude de 6,2 mb ocorresse em Cuiabá nos dias atuais, o sismo poderia derrubar casas e prédios (e consequências graves associadas a isso) pois não há preparação construtiva para tal evento sísmico”, contou.

 

Terremoto em Poconé

No último dia 1º, um sismo de 4,5 de magnitude, considerado de média intensidade, atingiu a região de Poconé (104 km ao sul da capital), conforme a RSBR. O abalo sísmico, segundo relatos, aconteceu por volta de 5h da manhã.

O GD conversou com Alesandro Amorim, 38, que trabalha como guarda-parque na Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) do Sesc-MT. Ele estava em Poconé no momento do abalo sísmico.

Alesandro disse ter ficado confuso com o tremor e, primeiramente, pensou que apenas tinha passado mal. Depois, em contato com familiares, descobriu que não havia sido o único a sentir o sismo.

“Eu já estava acordado quando aconteceu o tremor. Eu senti que na cama deu aquela mexida, uma tremida muito rápida. Fiquei meio na dúvida se tinha passado mal, se tinha sido uma assombração, coisa de outro mundo. No grupo da família do WhatsApp, um primo de Barão de Melgaço escreveu que tinha sentido [o tremor] na madrugada, que a casa dele tremeu. Foi uma coisa muito esquisita”, contou.

Diana Maria de Arruda, 54, é pescadora e mora em um barco, no rio Cuiabá, no fim da Transpantaneira. Ela também sentiu o terremoto que, segundo ela, assustou humanos e animais.

“Deu um estrondo grande, os pássaros assustaram e a terra tremeu. Tinha uma carreta aqui perto que tremeu, e na água a gente sentiu também um tremor”, relatou ao GD.

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